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Um Muro Inaceitável

No último dia 9 de novembro, o mundo comemorou os 25 anos da derrubada do famigerado Muro de Berlim. Construído durante a madrugada de 13 de agosto de 1961, o muro foi a maneira que a República Democrática Alemã, movida por interesses da então URSS, encontrou para frear a fuga dos cidadãos para o lado oeste, a República Federal da Alemanha. Apesar de dividir apenas a capital alemã, o muro foi símbolo não apenas da divisão de um país, mas também do mundo, no período conhecido como Guerra Fria.

O resultado da última eleição presidencial aqui no Brasil deixou o país dividido, não como a Alemanha no pós-Guerra, porém, colocando igualmente irmãos e compatriotas em lados opostos. Não há um muro físico à nossa frente, porém os alarmistas insistem em pintar um com cores carregadas, em uma construção imaginária monstruosa, pesada e intransponível. A celeuma não é generalizada, mas restrita a pequenos grupos fundamentalistas, de diversas linhas ideológicas, barulhentos o suficiente para alimentar a mídia e suas pautas. Aliás, para a imprensa, essa divisão tem cara de preconceito, racismo, homofobia e, pasmem, até xenofobia. O critério mais recorrente ao se dividir o país é o da classe social: de um lado, os ricos e a classe média (geralmente chamados de elite, coxinhas, reacionários); do outro, os pobres (ou como são conhecidos, oprimidos, bestializados, injustiçados).

Mas, na verdade, os que se contrapõem nessa dicotomia são aqueles que votaram em Dilma e os que não votaram em Dilma. Se olharmos com atenção, nenhum dos dois lados tem uma cara definida ou uma forma homogênea. Nos dois lados temos representantes de todas as classes sociais, de todas as raças, heterossexuais e homossexuais, empresários e proletários, gente do campo e gente da cidade, cidadãos de norte a sul, de todas as regiões. É impossível definirmos um perfil exato de quem votou em quem, já que em absolutamente todos os círculos encontramos pessoas que votaram em um ou em outro. Os dois lados são uma grande mistura, assim como é a nossa cultura, o nosso povo, por mais que a mídia e os apocalípticos fiquem evocando tal divisão. Isso nos leva a refletir sobre algo que fica sob a superfície sensacionalista dessa suposta secessão: a quem interessa essa briga? A mim, com certeza não interessa e acredito que nem para a maioria de todos nós.

Alguém ganha com isso e, com certeza, não é o povo brasileiro.

 

Professor Ms. Lelo Brito
Professor de Publicidade e Propaganda da PUC-SP