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Sobre discordância, diferença, diversidade e o bem comum

A etimologia da palavra Universidade remete ao tema da universalidade que para alguns diz respeito apenas ao que é indiscutivelmente verdade, certo, ou virtuoso.

Entretanto, a universidade é exatamente o espaço da discordância,  divergência e diversidade. Este é o sentido do termo universal: tudo aquilo que é parte da nossa experiência possível. A diversidade de ideias, posições, ou  sociabilidades  é benvinda.

A divergência de opiniões é necessária, pois opiniões só podem ser construídas a partir do nosso contato com múltiplas possibilidades do pensamento e não apenas alguma forma de pensamento unifocal ou unilateral.

A discordância é parte do processo de construção de conhecimento e da formação. Discordar não só é permitido, mas desejável. Da discordância racional e argumentada  se constroem perspectivas de mundo, formas de atuação e inserção social.  A Universidade é, por excelência, o lugar da abordagem racional da discordância, diversidade e diferença.

Em tempos de globalização e de informação imediata somos tentados ao  pensamento unilateral, ao reconhecimento apenas daquilo e daqueles que se assemelham a nós mesmos, pois a semelhança traz conforto.

A universidade deve ser exceção a essa regra: em nossa universidade, as diferentes tribos, os diversos pensamentos e as discordantes opiniões sempre encontraram espaço, puderam se manifestar e foram respeitados. Na universidade se constroem alternativas ao acordo fácil, rápido, e por isso mesmo, muitas vezes inconsequente e  apenas emocional. A esfera pública acadêmica se faz a cada dia mais importante. Esta é nossa força.

Mas é preciso enfatizar: os argumentos, posições, ideias ou práticas sociais não têm o mesmo peso ou aceitabilidade. Há  um parâmetro a ser mantido como critério em nossos julgamentos e práticas: o bem comum. Podemos concordar em discordar, devemos aceitar como de igual valor o diferente, queremos assumir como igualmente importante o que é diverso de nós mesmos. Mas nada disso representa um relativismo ou que tudo vale. 

A PUCSP esteve e está comprometida com valores  tais como justiça, humanidade, igualdade de condições e oportunidades, respeito aos outros, suas crenças e valores. Disso não abrimos mão.

Nesse início de semestre convidamos todos a viver nossas diferenças, diversidades e discordâncias e simultaneamente a compartilhar os valores e as crenças que universalmente constroem o bem comum.

 

 

Profa. Dra. Maria Amalia Pie Abib Andery
Pró-reitora de Pós-Graduação da PUC-SP