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PUC-SP: uma senhora universidade

A PUC-SP é uma senhora  que já vai aos 70 anos. Se fosse pessoa física só teria votado para presidente pela primeira vez com mais de 40 anos e, como adulta, só teria tido alguma liberdade para expressar suas posições políticas e ideológicas lá pelos seus 35 anos. Essa é uma medida da juventude da democracia no Brasil. Mas quando era jovem, e estava proibida de votar ou de dizer o que pensava, nossa, então jovem, PUC-SP não se calou. Desafiou a proibição, lutou bravamente por um país melhor e plural e esteve ativamente presente na busca por nossa democracia. Pagou um preço.  Mas no final das contas a senhora PUCP-SP saiu vitoriosa. E foi muitas vezes recompensada: pelas mudanças no país e pelo reconhecimento que recebeu do próprio país. Tornou-se uma senhora respeitável em um país também respeitável. Nesta segunda-feira pós-eleição presidencial, passadas as ansiedades e as emoções  de todos os brasileiros que se envolveram como nunca em defesa de seus candidatos, resta ainda mais uma recompensa para a PUC-SP: a universidade mostrou que é espaço de discussão das diferenças e, mais, que a discussão é possível e desejável em uma instituição que tem a missão de participar da formação de nossas cidadãs e nossos cidadãos. Professoras e professores e, muito especialmente, nossas alunas e nossos alunos vestiram as camisas e os bottons de seus candidatos, envolveram-se em discussões calorosas e em disputas por espaço para discursar suas ideias, defender seus candidatos e convencer os outros. Com calor e, muitas vezes, com vigor (que a muitos amedronta indevidamente) buscaram espaços para serem ouvidos.  A PUC-SP abriu-se mais uma vez como espaço de discussão e de embate político e o fez em um clima que mostra que somos sim um lugar de formação de cidadãs e cidadãos. Mas, além disso, a universidade recebeu mais uma vez o reconhecimento de seu importante papel como participante da construção de um país plural e democrático: seu teatro recebeu a candidata do PT à presidente da república que, afinal, era naquele momento já a presidenta do país. Nossa universidade e nosso teatro foram escolhidos como palco de um ato político emotivo e importantíssimo.  No lado de dentro  do TUCA ouviu-se muitos contarem sobre a importância de nossa universidade em suas vidas e na vida do país todo. Do lado de fora, via-se um espetáculo alegre e compromissado dos nossos jovens com suas ideias. Passadas as emoções  e esquecidas as diferenças partidárias e conjunturais estará registrado: a senhora PUC-SP mais uma vez contribuiu para a democracia brasileira e a senhora PUC-SP mais uma vez recebeu o reconhecimento desse seu papel. Também, a senhora PUC-SP recebeu em seu teatro a presidenta do Brasil. Se fosse apenas uma velha senhora poderíamos pensar que  estaria “um pouco passada em anos”, que  estaria superada pelos novos tempos. Mas não se trata de uma “velha senhora”, mas sim de uma instituição que mais uma vez mostrou pujança naquilo que é importante – nas ideias e nos seus modos de ser. E trata-se de uma universidade que, afinal de contas, mais uma vez participou da festa que é uma eleição, contribuindo para que nunca mais jovens – e velhos senhores e provectas senhoras - deixem de poder dizer o que pensam. E para que nunca mais se calem as vozes individuais ou se desrespeite o que as urnas recomendam.

 

Profa. Dra. Maria Amalia Andery
Pró-Reitora de Pós-Graduação da PUC-SP