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Professor PUC-SP: uma missão?

Como professora antiga da PUC, prestes a comemorar, em 2015, 50 anos como funcionária, e já tendo assumido diferentes cargos na Universidade – de professora, coordenadora, chefe de departamento a reitora –, aceitei, feliz, o encargo de cumprimentar os colegas por mais um Dia do Professor.

Cada um de nós, que está na instituição há muito tempo, e mesmo o mais jovem já enfrentou, ou, de alguma forma, testemunhou todo tipo de animação e desânimo, de grande euforia ou de completo desalento, frente a decisões institucionais, inovadoras ou antiquadas, provavelmente em todas as áreas. Vivenciamos em ascensão acadêmica, apesar da caótica situação política dos duros anos 70/80 e do movimento inflacionário do início dos anos 90. Da aparente calmaria dos primeiros anos deste século, vislumbramos mudanças no quadro de professores, possibilidade de demissões, contratos de trabalho modificados, nós, professores – novos e antigos! – fizemos e fazemos a história: comemoramos, reclamamos, nos inflamamos, mas, acima de tudo, damos o sangue por um ensino de qualidade, cumprindo um contrato social de extrema relevância, para formar os estudantes que aqui estiveram e estão neste momento.

Somos, sim, uma grande universidade, e o trabalho que realizamos está aí, representado no desenvolvimento de pesquisas, nas publicações científicas, na nossa vida acadêmica. Desde muito cedo na vida da instituição, os cursos de pós-graduação tornaram-se um marco na produção científica do País. Posso dizer isso com autoridade, uma vez que participo desse movimento desde 1965 e venho testemunhando os avanços da Universidade em todas as áreas em que atua, razão pela qual encontra-se entre as melhores instituições acadêmicas do país.

Ser professor na PUC, portanto, não é somente ser um profissional professor. É muito mais que isso. É ter a certeza de estar envolvido com causas políticas, sociais, e que somos parte delas. Nós, professores, fazemos a PUC. Somos, com nossos alunos, a alma da PUC. Justamente por essa razão, os movimentos institucionais que nos afetam negativamente e que, por vezes, degradam nossa missão de formar jovens para o futuro, nos fazem sofrer, ficar cabisbaixos, esmorecer...

Neste momento, em que a Universidade pretende rever a vida de seus professores, reformular contratos, tomar medidas cautelares para conter gastos, estaríamos em estado letárgico? Não! Absolutamente, não! Professor é e será sempre um entusiasta, pois, acima de tudo, abraça a causa de ensinar: conhecer / saber para tornar-se, continuar a ser, socialmente capaz de provocar mudanças. Que nosso entusiasmo pelo ensino e pesquisa e pela pujança do gigante em que a PUC se tornou, no entanto, não faça de nós profissionais abnegados aceitando, com passividade, medidas que diminuam nosso valor como cidadãos produtores de conhecimento e formadores de novos líderes.

Professor PUC: parabéns por sua missão! Parabéns por seu engajamento, por ser coração e razão a cada dia de vida institucional! Por expressar sentimentos. Sim, de pessimismo, frente a possibilidade de modelos institucionais que possam dirimir sua maior e mais digna missão, a de formar com excelência!

 

Leila Barbara
Departamento de Linguística
Programa de Pós-Graduação em LAEL