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Dizer e fazer: a palavra e a construção do mundo

Nas centenas de milhares de anos em que homens e mulheres habitam a terra, o planeta foi transformado em velocidade e em direções que dependeram do trabalho e da intervenção de  nossa espécie. O mundo que conhecemos é testemunha cotidiana e irrecusável da capacidade e força para a mudança  dos seres humanos.

A palavra  - como pensamento e ação,  como pensamento novo ou como conhecimento acumulado – é a mais poderosa ferramenta do engenho humano. Porque tem o poder de mudar ou de estancar a mudança, de salvar vidas e destruir vidas, de acolher e  afastar, de juntar e dispersar.

Com a possibilidade de ultrapassar as barreiras de tempo e espaço e o poder da simultaneidade que permite sua reprodução imediata e em grande escala, a palavra de alguns permite a construção de realidades falsas para muitos. No mundo e em nosso país, a palavra tem servido muito frequentemente à construção de realidades distorcidas pelos interesses dos poderosos, de discursos que servem à intolerância e à violência.

Na Universidade, a palavra é praticamente nossa única ferramenta: seja escrita, falada, digitada, digitalizada, no microfone ou no pé de ouvido, em português, inglês, chinês ou linguagem binária.

Mas a palavra na Universidade é especial: tem o compromisso com a razão, com a transformação para o bem, com a formação de indivíduos cidadãos, com a construção de conhecimento, com a ciência e a solução de problemas.

A Universidade é – pela palavra – o lugar em que podem se encontrar diferentes palavras, em que os múltiplos discursos construídos pelo engenho humano têm real possibilidade de participar da formação de pessoas e da formulação de realidades novas.

No Brasil de hoje, e em muitos outros lugares do mundo, as palavras da vez são intolerância, violência, força bruta e preconceito. Nosso compromisso precisa ser o oposto. Assumimos a possibilidade de construção de realidades diversas e criativas, sempre ao lado e a par com a constituição de um mundo justo, igualitário e diverso.

Na PUCSP, como nas demais Universidades mundo afora que merecem tal título, também assumimos essas possibilidades e compromissos. Mas podemos fazer mais do que assumir discursos e palavras que são consistentes com princípios teóricos e abstratos. Podemos participar da mudança material do mundo e podemos ser parte da concreta construção das palavras que mudam a própria percepção do mundo. Em vez dos interesses dos poderosos, as soluções para os problemas  dos graves problemas de inteiras populações; no lugar da intolerância, a  diversidade; em vez da violência, uma cultura de paz. Em vez da desrazão e da irracionalidade, o conhecimento construído metódica e cuidadosamente e submetido ao escrutínio e à crítica dos iguais e dos diferentes.

Esse é nosso compromisso e nossa verdade.


Profa. Dra. Maria Amália Andery
Reitora Nomeada da PUC-SP