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Islamofobia

O termo "islamofobia" termo sido amplamente utilizado pela mídia e pode ser entendido como medo, ódio ou preconceito contra o Islã e os muçulmanos. Mas para melhor compreensão de sua utilização e significado político é preciso recorrer á historia.

Desde o inicio da década de 90 tornou-se praticamente inevitável inquirir sobre a natureza do islã para todo e qualquer acontecimento que comporta o uso da violência por parte de indivíduos, ou grupos, que se autoproclamam islâmicos. Quando os dois jovens franceses saudaram Allah, após os assassinatos que cometeram na redação do Charlie Hebdo, a suspeita em relação à motivação se confirmava: islamismo! E com isso desencadeou-se uma série de julgamos e avaliações arbitrárias conjugadas ao islã: inimigos do ocidente, inimigos da liberdade, bárbaros, irracionais etc. Interessante notar que, a partir de então, todo e qualquer tipo identificação social deixou de existir, os autores perderam até mesmo sua nacionalidade. Não eram mais identificados como franceses, mas “islâmicos, imigrantes de 2ª geração”.

Mas nem sempre foi assim. Na década de 80, o presidente dos EUA, Ronald Reagan, saudava os lideres islâmicos afegãos em sua luta contra o “ateísmo e o materialismo dos soviéticos”. O que aconteceu a partir de então tem muito mais a ver com a política internacional do que propriamente com a fé da imensa maioria dos muçulmanos. Desde os anos 1980, os EUA já invadiram, ocuparam militarmente ou bombardearam por volta de treze países islâmicos, além de possuírem mais de 20 bases militares em 6 países da região.

Inicialmente confinada em alguns círculos políticos restritos, a tese da ameaça islâmica se propagou atingindo amplas camadas das populações na Europa e EUA. A partir de então todo e qualquer fato social pode ser visto como ameaçador. Desde questões relacionadas à competição por empregos, uso do “véu” ou mesmo o caso da carne “halal” (a maneira ritual de morte de animais por muçulmanos).

Há cerca de seis milhões de islâmicos na França. Durante todos esses anos não houve um único ato violência cometido contra qualquer jornalista. Os três jovens autores dos atentados representam os milhões de islâmicos franceses?

A islamofobia, assim como as diferentes formas de racismo, é uma fantasia que não resiste aos fatos, mas, por outro lado, vemos apenas aquilo que estamos preparados para ver. Assim quanto mais exercemos o livre debate mais estaremos contribuindo para derrotar esse fantasma.

 

Reginaldo Nasser
Professor Doutor do curso de
Relações Internacionais da PUC-SP