A Fundação São Paulo
Mantidas
Endereço:
Fundação São Paulo
Edifício Franco Montoro
Rua João Ramalho, 182
Perdizes - CEP: 05008-000
São Paulo - SP
(11) 3670-3333
fundacaosaopaulo@pucsp.br
Design: PUC-SP - DTI - Núcleo de Mídias Digitais

A República dos Palácios

Por mais que possa parecer sutil, vivemos numa República de Palácios! Nossos governantes, eleitos pelo voto popular e com mandatos limitados, habitam palácios como reis e rainhas!

Aliás, a sociedade e a mídia os tratam como é tratada a realeza, nos países em que ela sobrevive. Uma vez eleito, o governante é alvo de estilistas, cabeleireiros, médicos, fabricantes de automóveis, e tantos outros, todos tentando colar os seus nomes ao poder!

Fala-se muito de “intrigas palacianas” ao se revelar articulações feitas pelo executivo.

As famílias elevadas aos cargos de comando passam a ser assediadas por repórteres que os acompanham às compras, ao clube, às viagens de férias, às casas noturnas, às igrejas...

Quando alguém da família “real” republicana engravida é capa de revistas e vítima de colunas de mexericos.

E nos perguntamos, por que tudo isso?

A resposta pode ser encontrada, talvez, na vinda da família real portuguesa para o Brasil, há séculos atrás.

Dom João “criou” uma Corte no Rio de Janeiro e começou a distribuir títulos de nobreza a antes expatriados que povoaram nossas terras.
De tal forma essa presença calou no imaginário do povo brasileiro que, lembram-se?, há poucos anos atrás participamos de um plebiscito pela volta da Monarquia, encabeçado por um Deputado, eleito pelo povo, na jovem Democracia brasileira.

O Palácio do Planalto é o mais cobiçado! Com ele vem  o da Alvorada... Em terras paulistas, o Palácio dos Bandeirantes... Em terras cariocas, o das Laranjeiras!

Cada Estado tem seu Palácio, ou Palácios...

As famílias que dominam a política nacional fazem descendentes que se mantém no comando da nação. São filhos, netos, esposos, esposas... Toda a dinastia se encastela nas dobras dos poderes da República!

Como disse, tudo isto parece sutilezas, mas na prática é o que está presente no imaginário do nosso povo simples... Distantes, os governantes são inatingíveis. Deles provem as ajudas, o socorro das carências básicas que ainda vive o nosso povo!

Esquecem-se de que “todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido”, como reza a Constituição da República. Governantes eleitos são agentes públicos! Governantes eleitos tem mandatos temporais. Cumpridos, voltam para a situação em que viviam, serão “povo”, o verdadeiro sujeito do poder na República democrática!

Na maior democracia do mundo o governante mora numa Casa branca... Aqui, bem próximo de nós, o governante mora numa Casa rosada.

Esperamos o dia em que o nosso passe a morar na Casa da Alvorada e a despachar no escritório do Planalto!

A realidade se faz de sutilezas...

José Rodolpho Perazzolo
Secretário Exceutivo