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Volume 12, NÚmero 1, JULHO - DEZEMBRO, 2010

Resumos/Abstracts
[Versão Bilíngüe / Bilingual Version]


Tentativa e Erro: O que isto pode nos Ensinar sobre o Conhecimento Científico?

Trial and Error: What can it teach us about Scientific Knowledge?

Túlio Roberto Xavier de Aguiar
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Brasil
Taguiar.bh@terra.com.br

Resumo: Neste artigo, eu examino o slogan tentativa e erro como explicação para o conhecimento científico, especialmente na forma do método hipotético-dedutivo. O slogan tentativa e erro é demasiado vago e implausível como explicação do conhecimento científico. Conexamente, eu questiono a desatenção em relação à relevância do contexto de descoberta para a epistemologia.

Palavras-chave: Método hipotético-dedutivo. Contexto de descoberta. Kuhn. Lipton.

Abstract: In this paper I examine trial and error as an explanatory slogan for scientific knowledge, focusing especially on the hypothetical-deductive method. The trial and error slogan is too vague and implausible as an explanation of scientific knowledge. In this connection, I call into question the inattention to the relevance of the context of discovery for epistemology.

Key words: Hypothetical-deductive method. Context of discovery. Kuhn. Lipton.


Generalizing in a Pluralistic Society:
From Kant's Duty Ethics to Peirce's Communitarian Ethics of Ideals

Generalizando em uma Sociedade Pluralista:
Da Ética do Dever Kantiana à Ética Comunitária dos Ideais de Peirce

Ciano Aydin
Department of Philosophy
University of Twente / Delft University of Technology – The Netherlands
cianoaydin@me.com

Abstract: In this paper the author reflects on the problem of generalizing in a pluralistic society. According to him, what is much needed in our post-modern era is an ethical perspective that, on the one hand, does not disregard the different particular, empirical settings in which moral criteria emerge and are being developed, and, on the other hand, endorses the possibility of pursuing common goals and ideals. This perspective is developed through a reconstruction of a dialog between Kant and Peirce.

Key words: Generalizing. Pluralism. Kant. Peirce. Communitarian Ideals.

Resumo: Neste artigo, o autor reflete sobre o problema da generalização em uma sociedade pluralista. De acordo com ele, o que precisamos em nossa era pós-moderna é de uma perspectiva ética que, de um lado, não desconsidere a diferença particular, cenários empíricos em que os critérios morais emergem estão em desenvolvimento, e, por outro lado, promova a possibilidade de buscar objetivos e ideais comuns. Esta perspectiva é desenvolvida através da reconstrução de um diálogo entre Kant e Peirce.

Palavras-chave: Generalização. Pluralismo. Kant. Peirce. Ideais Comunitários.

 

Inferência, Expressivismo e a Conformação Pragmático-normativa do Social em Robert Brandom

Inference, Expressivism and the Pragmatic-normative Confirmation of the Social in Robert Brandom

Danilo Vaz-Curado Ribeiro de Menezes Costa
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
danilocostaadv@hotmail.com

Resumo: O presente artigo objetiva desenvolver as teses básicas de constituição de uma teoria social a partir da obra de Robert Brandom, expondo tal percurso pelo esclarecimento de termos como: inferência semântica, expressivismo e pragmática normativa. Será tematizado como uma nova compreensão do conceito de inferência material, no contexto de uma semântica de bases pragmáticas, pode ser razoável para propor uma justificação das práticas sociais. Ao final, espera-se propor as bases de uma teoria lógica da realidade social e demonstrar a importância do pragmatismo e do seu potencial de diagnose que, com base numa semântica inferencial, torna-se capaz de descrever, articular e explicitar compromissos e responsabilidade dos atores sociais.

Palavras-chave: Brandom. Pragmática. Normas. Social.

Abstract: This paper aims to develop the basic theses of the constitution of a social theory based on the Robert Brandom's work, clarifying terms such as semantic inference, expressivism and normative pragmatics. The paper seeks to show why a new understanding of the concept of material inference within the context of a pragmatic-based semantics is helpful to propose a justification of social practices. In the end, it intends to propose the foundation of a logical theory of social reality, as well as to show the importance of pragmatism and its diagnosic potential, which based on an inferential semantics becomes capable of describing, articulating and explaining the commitments and responsibilities of social players.

Key words: Brandom. Pragmatics. Norms. Social.

 

Peirce's Objective Idealism: A Reply to T.L. Short's 'What was Peirce's Objective Idealism?'

O Idealismo Objetivo de Peirce: Uma Réplica a 'O que foi o Idealismo Objetivo de Peirce?', de T.L. Short

David A. Dilworth
Philosophy Department
State University of New York at Stony Brook – USA
Dd9414@aol.com

Abstract: Peirce gradually evolved a set of foundational categories he himself characterized as a completely developed system. The article pinpoints essential, intertranslatable features of this system which in mid-career Peirce referred to as his Schelling-fashioned objective idealism. In reply to a recent article by T. L. Short, it contends that Schelling's influence was not confined to the years of the Monist metaphysical essays, but continued on in the amplifications and ramifications of Peirce's later articulations. Peirce's continuously unfolding system is shown to run counter to Short's article which features William James' psychologism as antidote to Peirce's foundational categories. The polemical nature of Short's article distracts from Peirce's own considered reflections on James's position.

Key words: Peirce's career-text. Completely developed system. Objective idealism. Affinity of mind and nature. Energizing reasonableness. Scholastic realism. Universal semeiosis. Pragmaticism. James' psychologism and radical empiricism. Seeds of death in the pragmatisms of James and Schiller.

Resumo: Peirce gradualmente desenvolve um conjunto de categorias fundacionais que ele próprio caracteriza como um sistema completamente desenvolvido. O artigo destaca aspectos essenciais, intertraduzíveis de seu sistema que, nos meados da carreira, Peirce se refere como seu idealismo objetivo do tipo shellinguiano. Em resposta ao recente artigo de T.L. Short, afirma-se que a influência de Schelling não foi confinada aos anos dos ensaios metafísicos da Monist, mas permanece nas amplificações e ramificações das articulações posteriores de Peirce. O contínuo desenvolvimento do sistema peirceano é mostrado em contraposição ao artigo de Short, que apresenta o psicologismo de William James como antídoto às categoriais fundacionais de Peirce. A natureza polêmica do artigo de Short desvia a atenção das próprias reflexões ponderadas de Peirce sobre a posição jamesiana.

Palavras-chave: Carreira textual de Peirce. Sistema completamente desenvolvido. Idealismo Objetivo. Afinidade entre mente e natureza. Razoabilidade energizante. Realismo escolástico. Semiose universal. Pragmatismo. Psicologismo jamesiano e empirismo radical. Sementes da morte no pragmatismo de James e Schiller.


Peirce's Early Re-readings of his Illustrations: the Case of the 1885 Royce Review

Primeiras Releituras de Peirce de suas Ilustrações: o caso da Resenha de Royce de 1885

Mathias Girel
Maitre de conférences/Directeur des études
Département de Philosophie
École Normale Supérieure – Paris/ France
mathias.girel@ens.fr

Abstract: Interpretations of Peirce's development after 1898 often mix three kinds of arguments: one argument about belief, one argument about philosophy and practice, and one argument about the causal role of James's writings on Peirce's development. I shall focus here on the last two points: theory and practice and the alleged role of James. James's role in Peirce's development is somewhat overestimated and one can doubt Peirce's worries about the dogmatic use of the scientific method and of philosophy in morals are conditioned by James's writings only. Peirce's re-readings and refinements of his Illustrations started no later than the early 1880s, at a time when James was not as central a reference as it became after 1900 for the philosophic stage. To support that claim, I wish to focus here on one particular point: the distrust towards those who try to "mingle" philosophy and practice is by no means a new theme in the 1890s. One of the most telling examples of such a claim is the 1885 review of Royce's The Religious Aspect of Philosophy, some thirteen years before the quarrel over pragmatism started.

Key words: Peirce. James. Royce. Doubt. Belief. Practice. Conduct. Justification. Non-Cognitivism.

Resumo: Interpretações do desenvolvimento de Peirce após 1898 frequentemente misturam três tipos de argumentos: um argumento sobre a crença, um argumento sobre filosofia e prática e um argumento sobre o papel causal dos escritos de James sobre o desenvolvimento de Peirce. Focalizarei aqui os últimos dois pontos: teoria e prática e o suposto papel de James. O papel de James no desenvolvimento de Peirce é um tanto superestimado e pode-se duvidar se as preocupações de Peirce sobre o uso dogmático do método científico e da filosofia em moralidade são condicionados somente pelos escritos de James. As releituras e refinamentos de Peirce de suas Ilustrações não começaram antes do início dos anos 1880, na época em que James não era uma referência central no cenário filosófico, como se tornaria após 1900. Para sustentar essa afirmação, desejo focalizar aqui um ponto particular: a desconfiança para com aqueles que tentam"mesclar" teoria e prática não foi de forma alguma um tema novo nos anos 1890. Um dos exemplos mais significativos a respeito disso é a resenha feita por Peirce em 1885 de The Religious Aspect of Philosophy de Royce, cerca de treze anos antes da querela do pragmatismo começar.

Palavras-chave: Peirce. James. Royce. Dúvida. Crença. Prática. Conduta. Justificação. Não-Cognitivismo.


The Pragmatic Maxim and the Proof of Pragmatism (3):
Habits and Interpretants

A Máxima Pragmática e a Prova do Pragmatismo (3):
Hábitos e Interpretantes


Christopher Hookway
Department of Philosophy
University of Sheffield – UK
c.j.hookwaysheffield.ac.uk

Abstract: The paper explores a strategy for defending the pragmatist maxim which Peirce discussed in a manuscript from 1907 (MS 318). It tries to show that propositions are linked to habits of action by showing that such habits serve as ultimate logical interpretants of concepts or propositions. After analysing the arguments employed, the paper identifies gaps in their defence of the pragmatist maxim. It then speculates about how the discussion of interpretants could be connected to a defence of the pragmatist maxim.

Key words: Peirce. Pragmatism. Habits. Logical Interpretants. Ultimate interpretants. Proof.

Resumo: O artigo explora uma estratégia para defender a máxima pragmatista que Peirce discute em um manuscrito de 1907 (MS 318). O manuscrito tenta mostrar que proposições são ligadas a hábitos de ação, mostrando que tais hábitos servem como interpretantes lógicos finais de conceitos ou proposições. Depois de analisar os argumentos empregados, o artigo identifica falhas na sua defesa da máxima pragmatista. Especula-se, então, sobre como a discussão de interpretantes pode ser ligada a uma defesa da máxima pragmatista.

Palavras-chave: Peirce. Pragmatismo. Hábitos. Interpretantes Lógicos. Interpretantes finais. Prova.

The Final Incapacity: Peirce on Intuition and the Continuity of Mind and Matter (Part 1)

A Incapacidade Final: Peirce sobre Intuição e Continuidade da Mente e Matéria (Parte 1)

Robert Lane
Department of English and Philosophy
University of West Georgia — USA
rlane@westga.edu

Abstract: This is the first of two papers that examine Charles Peirce's denial that human beings have a faculty of intuition. The semiotic and epistemological aspects of that denial are well-known. My focus is on its neglected metaphysical aspect, which I argue amounts to the doctrine that there is no determinate boundary between the internal world of the cognizing subject and the external world that the subject cognizes. In the second paper, I will argue that the "objective idealism" of Peirce's 1890s cosmological series is a more general iteration of the metaphysical aspect of his earlier denial of intuition.

Key words: Charles Peirce. Intuition. Cognition. Generality. Indeterminacy. Continuity. Objective idealism.

Resumo: Este é o primeiro de dois artigos que examinam a recusa de Charles Peirce de que o ser humano possui uma faculdade de intuição. Os aspectos semióticos e epistemológicos desta negação são bem conhecidos. Meu foco é sobre o aspecto metafísico negligenciado, sobre o qual afirmo que se chega à doutrina de que não há fronteira determinada entre o mundo interno do sujeito cognoscente e o mundo externo que o sujeito conhece. No segundo artigo, afirmarei que o "idealismo objetivo" da série cosmológica de 1890 de Peirce é um plano mais geral do aspecto metafísico de sua primeira negação da intuição.

Palavras-chave: Charles Peirce. Intuição. Cognição. Generalidade. Indeterminação. Continuidade. Idealismo Objetivo.

 

"The Religious": Dewey's Post-Feuerbachian "Sublation" of Religion (and Some Critical Roycean Considerations)

"O Religioso": a "Suprassunção" Pós-Feuerbachiana de Dewey da Religião (e Algumas Considerações Críticas de Royce)

Ludwig Nagl
Department of Philosophy
University of Vienna – Austria
ludwig.nagl@univie.ac.at

Abstract: Dewey´s concept of "the religious" can contribute to the re-opening of a philosophical exploration of the public and private role of religion after the criticism of religion. His transformation of religion is open to criticism, however. Some questions concerning the post-Feuerbachian character of Dewey´s category "the religious" are explored in this text with reference to Hilary Putnam´s recent remarks on Dewey´s concept of "projection". Other questions arise in view of Richard Rorty´s Dewey inspired critique of "clericalism". The final part of this article reflects on the mature work of Josiah Royce, who – in spite of sharing with Dewey a socio-communal approach toward religion – tried to philosophically re-read religious motivations (within the framework of his late "peirceanized" pragmatism) in a manner substantially different from Dewey´s.

Key words: Pragmatism/Neo-pragmatism. Philosophy of Religion. Dewey. Feuerbach. Royce. Putnam. Rorty. Habermas.

Resumo: O conceito de Dewey de "o religioso" pode contribuir para a reabertura de uma exploração filosófica dos papéis público e privado da religião após a crítica da religião. A transformação deweyana da religião, contudo, está aberta à crítica. Algumas questões referentes à característica pós-feuerbachiana da categoria "o religioso" de Dewey são exploradas neste texto relativamente aos recentes apontamentos de Hilary Putnam sobre o conceito deweyano de "projeção". Outras questões surgem em vista da inspirada crítica do "clericalismo" de Dewey por Richard Rorty. A parte final deste artigo reflete sobre a obra madura de Josiah Royce que – apesar de compartilhar com Dewey uma abordagem sócio-comunal da religião – tentou reler filosoficamente as motivações religiosas (com a estrutura de seu último pragmatismo "peircianizado") de uma maneira substancialmente diferente de Dewey.

Palavras-chave: Pragmatismo/Neopragmatismo. Filosofia da Religião. Dewey. Feuerbach. Royce. Putnam. Royce. Rorty. Habermas.


Morton White's Moral Pragmatism

O Pragmatismo Moral de Morton White

Robert Sinclair
Department of Philosophy
Brooklyn College – New York/USA
rsinclair brooklyn.cuny.edu

Abstract: This essay examines the Quine-White debate concerning the empirical status of moral judgments. Quine's later acceptance of the theory-ladenness of observation shows that he has no reason to reject the possibility of moral observation sentences or to resist White's empirical, holistic rendering of moral theory. It is further argued that feelings of moral obligation cannot ground moral beliefs in the way suggested by White, but that some moral claims can be empirically tested and rejected through having the relevant links to sensory stimulation. In this way the methodological analogy White holds between ethics and science can be maintained as can his overall empirical conception of ethical pragmatism.

Key words: Quine. White. Ethics. Epistemology. Holism. Pragmatism.

Resumo: Este ensaio examina o debate entre Quine e White a respeito do estatuto empírico dos juízos morais. A aceitação tardia de Quine da observação permeada pela teoria mostra que ele não tem razão em rejeitar a possibilidade das sentenças de observação moral ou em resistir à interpretação empírica e holística da teoria moral de Morton. Argumenta-se ainda que sentimentos de obrigação moral não podem fundamentar crenças morais do modo sugerido por White, mas que algumas afirmações podem ser testadas empiricamente e rejeitadas por terem as conexões relevantes para estimulação sensorial. Deste modo, a analogia metodológica que White sustenta entre ética e ciência pode ser mantida, assim como sua concepção totalmente empírica de pragmatismo ético.

Palavras-chave: Quine. White. Ética. Epistemologia. Holismo. Pragmatismo.

 

Resenha

Book Review

TROUT, Lara. The Politics of Survival: Peirce, Affectivity, and Social Criticism. New York: Fordham University Press, 2010. 362 p. [As Políticas da Sobrevivência: Peirce, Afetividade e Criticismo Social.]

Daniel G. Campos
Department of Philosophy
Brooklyn College — City University of New York/ USA
DCampos@brooklyn.cuny.edu


 

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