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Infortúnio e solidariedade

Por Ignez Ribeiro

Ao chegar-me às mãos o relato, de próprio punho, de Victor Tamarindo sobre uma sua desagradável e sofrida experiência de vida, senti-me profundamente envolvida. A mesma trouxe-me lembranças de fatos que se reataram e entrelaçaram na linha de tempo da minha própria história! Meu pai Alberto, nascido em 1900, desde cedo descobriu a música na Igreja que frequentava e aos oito anos já sonhava com um violino. Aos doze anos começou a estudá-lo. Realizou seu sonho e foi um excelente violinista. Tocou em orquestra* e foi também regente de coral. Acompanhei-o várias vezes ao piano em alguns eventos, tocou em orquestra* e teve seu violino roubado - aos 87 anos de idade! Recuperou-o, mas, infelizmente, danificado! Deixou-lhe uma profunda mágoa! Outra história, de outros tempos!

Voltemos às perdas e conquistas do séc. XXI! Mudou alguma coisa? Certamente! Muitas mazelas e muito mais conquistas fantásticas, mas não necessariamente boas ou más... o que conta é o que fazemos com elas!

Jovem, 25 anos, Victor tem um histórico impressionante de suas realizações pessoais. Ativo participante na liturgia musical da Igreja que frequenta, encantou-se com a “elegância”, palavra sua, e possibilidades acústicas do violino e, já aos 16 anos, com muita experiência no universo da música não se imaginava fazendo outra coisa que não fosse tocá-lo. Hoje é Spala (líder das cordas) da Orquestra Universitária Mackenzie e na Orquestra Barroca de Estudo da Escola de Música do Estado de São Paulo, onde, também, complementa seus estudos com a especialização em Performance, cujo currículo abrange estudo de execuções musicais, dentro de perspectivas e registros históricos, que apontam para determinadas e específicas interpretações das mesmas na época de suas criações.

Ao voltar de um festival realizado na Escola de Música do Estado, há pouco mais de um ano, na companhia de mais dois colegas, aconteceu de se verem envolvidos em um tumulto com muitas pessoas que corriam e gritavam em sua direção e, de repente, agredidos com violência viram-se no chão! Reagiram e lutaram para se proteger e, sem que pudessem evitar, seus violinos foram roubados!

“Foi chocante a situação em si!" Victor perguntou-se:" O que faria sem ele?”

Mas é aí que a “história” muda: a tecnologia da internet, a interação positiva dos rápidos e abrangentes meios de comunicação que propiciam às pessoas bem-intencionadas e proativas se unirem em campanha para arrecadarem benefícios que supram as necessidades de cada momento, em quaisquer circunstâncias, foi acionada pela iniciativa de um dos amigos agredidos, que teve o apoio de seu irmão e, rapidamente, a notícia repercutiu, inclusive na mídia televisiva, e se fez presente e muito atuante!

Neste caso, em especial, em menos de 24 horas, Victor conseguiu o valor para comprar um novo violino! Recebeu também dois instrumentos, um francês do início do século XX que estava sendo restaurando e outro vindo da Suíça. E ambos encaminhados a ele! Ficou muito agradecido!

E mais, ainda em consequência da repercussão do ocorrido, ele foi agraciado por um amigo com o empréstimo do seu excelente violino, cuja sonoridade encantou-o.

“Nunca havia passado um tempo tocando em um violino como aquele!” - Victor Tamarindo.

Enquanto aguardava os que lhe foram prometidos, doou o montante recebido do dinheiro arrecadado nas doações aos dois amigos companheiros de infortúnio, também, excelentes músicos, que assim, conseguiram readquirir os seus. Outros movimentos sociais também foram beneficiados na época, graças às facilidades de comunicação e interação que foram divulgadas

Vivemos momentos de possibilidades incríveis que dão margem a infinitas e inimagináveis consequências! Boas ou más! Louváveis ou perniciosas ao extremo! O livre arbítrio, uma lei universal intransferível, põe em nossas mãos a responsabilidade de alavancar, ou não, o que temos de melhor e, sendo assim, poder sentirmo-nos ligados a uma força superior que nos espiritualiza, irmana e quebra barreiras discriminatórias sociais, religiosas, raciais e culturais!

Cabe a cada um de nós o bom e consciente uso, com muita responsabilidade, das novas e das ainda desconhecidas, possíveis e incríveis tecnologias, que certamente, estão a caminho e que com elas a “solidariedade” esteja sempre presente nos nossos corações!

O séc. XXI só está começando...!

E como diz o Victor: “Foi um momento de trevas onde o ser humano gerou uma luz que me beneficiou, mas alcançou, também, muitos outros ... !”.

Assim seja!

*Orquestra Universitária de Concerto” – USP (1945–1967) / Maestro Leon Kaniefsky.

http://www.pucsp.br/maturidades/entrevista/entrevista_30.html


 
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