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Homenageados | Dona Ivone Lara

HOMENAGEM PÓSTUMA A DONA IVONE LARA

16 de maio de 2018

Estávamos no dia 16 de abril de 2018, às 18:00, no Pátio da Cruz, comemorando o Dia Mundial da Voz, com uma Roda de Samba, quando, a cantora e mestranda do PEPG em Fonoaudiologia da PUC-SP, Fabiana Cozza fez referência ao 97º. aniversário da Dona Ivone Lara! Na sequencia, todos os presentes cantaram juntos as músicas inesquecíveis compostas por ela.

Nesse mesmo dia, ao voltarmos para as nossas casas, soubemos de seu falecimento... que sintonia!!! Dona Ivone morre num dia em que falamos da importância da voz como elemento imprescindível para celebrar, representar, resistir, enfim continuar na luta por dias melhores para nosso país.

Nascida em família de artistas, formou-se em enfermagem e serviço social, tendo feito especialização em terapia ocupacional, e nesta função trabalhou em hospitais psiquiátricos, onde conheceu a Dra. Nise da Silveira.

Ao se casar em 1947, com o presidente da escola de samba Prazer da Serrinha, deu início a compor uma série de sambas que ficaram famosos por suas letras, numa época em que mulheres negras não tinham espaço no mundo artístico.

Finalizamos esta homenagem com um trecho do capítulo escrito por Fabiana Cozza, extraído do livro "Bambas do Samba", 2017, publicado pela Editora UFBA:

"Jamais poderia escrever sobre Dona Ivone Lara. A escrita, quiçá, me exigiria finalizar um parágrafo, encerrar o período, concluir ideias. A “dama dourada” é uma pintura que se desenhou diante dos meus olhos quando a vi pela primeira vez. É música. Por isso, falar desta eterna “jovem senhora” revira as minhas memórias, vasculha o meu peito, traz o nosso primeiro abraço, o meu primeiro beijo em suas mãos, a primeira espera no camarim antes de subirmos ao palco juntas, a primeira visita em sua casa por conta de seu aniversário comemorado na rua, em torno de uma roda de samba. Tive a oportunidade de participar e conversar com Dona Ivone algumas vezes. É um respeito imenso estar diante de alguém que bravamente conquistou sua coroa, que nunca desistiu, que sempre compôs mesmo não podendo dizer que a assinatura da música era de uma mulher. Tem muita magia assistir a um teatro inteiro ovacionando um ídolo eleito pelo povo, a catarse das gentes por se enxergar naquele que, por alguns instantes, transforma-se num coro. ‘Agô’ é uma palavra iorubá que significa pedido de licença, de permissão. Assim será sempre com a música de Dona Ivone Lara.
Agô!"* Fabiana Cozza

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