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PUC-SÃO PAULO, 29, 30 e 31 de maio 2007
Comissão científica
Lucia Santaella (Pucsp)
Sergio Bairon (Pucsp)
Luis Carlos Petry (Pucsp)
Rui Torres (Universidade Fernando Pessoa, Porto)
Pedro Barbosa (Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, IPP-Porto)
Comissão organizadora
Lucia Santaella
Rui Torres
Candida Almeida
Ana Carolina Haddad
Kelly Kalynka Cruz
WORKSHOPS DE CIBERLITERATURA
PUC-SÃO PAULO, de 28-29 de maio 2007
Tutores
Rui Torres (Universidade Fernando Pessoa, Porto)
Sérgio Bairon (Pucsp)
Luis Carlos Petry (Pucsp)
Jason Nelson (Universidade Griffith, Australia)
I MOSTRA DE CIBERLITERATURA
PUC-SÃO PAULO, de 21 a 26 de maio
Curadoria
Rui Torres
Lucia Santaella
Candida Almeida
Entidades promotoras dos eventos
Cimid, Centro de Investigação em Mídias Digitais, Pucsp, diretora, Lucia Santaella
NuPH, Núcleo de Pesquisas em Hipermídia, Pucsp, diretor, Sergio Bairon
Centro de Estudos de Texto Informático e Ciberliteratura, Universidade Fernando Pessoa, Porto, diretor, Rui Torres.
Programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, Pucsp
Programa de Pós-graduação em Literatura e Crítica Literária, Pucsp.
O contexto contemporâneo da ciberliteratura
A ciberliteratura é parte do território mais amplo da ciberarte e da net arte, esta também chamada de web arte, isto é, arte das redes. Estes últimos termos se referem à arte que faz uso, como meio de criação, das redes de computadores, no sentido em que a rede existe por si mesma e/ou por seus conteúdos técnicos, culturais e sociais como base para o trabalho artístico. Há aqueles que distinguem entre net arte pura e net arte em geral. A primeira só existe on line, não tendo extensões e presença fora desse modo de existência. A segunda inclui os desenvolvimentos e investigações da net-cultura que têm a ver com o corpo biológico e com as extensões no mundo real.
Os debates atuais nos permitem distinguir a arte nas redes e a arte das redes. Nas redes, a arte utiliza a internet como meio de distribuição, como são, por exemplo, as galerias ou exposições virtuais. Neste caso, a internet é apenas uma ferramenta de apresentação eficaz, mas substituível. Já a arte das redes está irmanada com o meio das redes eletrônicas, joga com seus protocolos e suas virtualidades técnicas, tira partido dos virus e aproveita o potencial dos softwares e hardwares. Essa arte seria impensável sem seu meio específico, a internet.
Mais vasto do que net ou web arte, o termo ciberarte se refere a toda arte que tem sua base na cibercultura. A ciberliteratura em todas as suas variantes, na rede ou fora dela, em suportes CD-ROM, DVD ou outros, insere-se no campo mais amplo da ciberarte.
O que é ciberliteratura
Também denominada literatura algorítmica, generativa ou virtual, a ciberliteratura designa aqueles textos literários cuja construção baseia-se em procedimentos informáticos: combinatórios, multimidiáticos ou interativos. Fazendo uso das potencialidades do computador como máquina criativa que permite o desenvolvimento de estruturas textuais, em estado virtual, atualizando-as até ao infinito, a ciberliteratura utiliza o computador de forma criativa, como manipulador de signos verbais e não apenas como simples armazenador e transmissor de informação.
Deste modo, a ciberliteratura distingue-se da literatura digital(izada), constituindo esta uma hipertextualização de estratégias textuais pré-existentes, em que se verifica uma transição do papel para o pixel em termos meramente técnicos, e ficando aquela dependente de uma construção cibernética ou hipermediática que promove novos modos de escrita e de leitura. Neste sentido, interessa ao ciberautor promover as potencialidades gerativas de um algoritmo, que pode ter uma base combinatória, aleatória, estrutural, interativa ou mista, e permitindo assim o funcionamento do computador como "máquina aberta". Essa "máquina semiótica" de que nos falava Pedro Barbosa altera profundamente todo o circuito comunicacional da literatura.
A ciberliteratura, através da literatura gerada por computador ou da poesia animada interativa, promove portanto a experimentação e o jogo, recriando profundamente conceitos de texto e interpretação, e laborando na senda das vanguardas históricas e dentro do espaço inaugurado pelo experimentalismo universal e intemporal da escrita, da imagem e do som.
O meio digital apresenta-se assim como um campo vasto de possibilidades para a interligação dinâmica de elementos previamente dispersos, onde esse tecido de citações e espaço de dimensões múltiplas se materializa, engendrando-se ao nível do experimentalismo literário como uma ferramenta de ampliação de espaços e reconfigurações do pensamento, da ação e do sentimento.
Objetivos dos eventos
1. Trazer à baila e colocar em discussão o estado da arte da ciberliteratura em suas variadas facetas de manifestação, com ênfase nos trabalhos realizados no circuito luso-brasileiro.
2. Estudar a arqueologia da ciberliteratura, a evolução das formas criadoras que levaram ao surgimento da ciberliteratura.
3. Debater sobre o novo vocabulário teórico, conceitual e crítico apto a dar conta das características emergentes da escritura e do texto literários, tais como, mobilidade, multidimensionalidade, pluritemporalidade, interatividade, agenciamento.
4. Analisar as condições estruturais e culturais que as redes telemáticas apresentam para a invenção literária.
5. Avaliar as consequências que as tecnologias digitais e hipermídia trazem enquanto canal e contexto em que se refazem a poesia, a prosa e o teatro.
Justificativas
Para ser produzida, a arte, como qualquer outra forma de produção, depende de técnicas que lhe são próprias. Tais técnicas fazem parte inseparável da produção social geral e, conseqüentemente, fazem também parte das forças produtivas da arte, do estágio de desenvolvimento dessa produção, envolvendo um conjunto de relações sociais entre o produtor artístico e seu público. Os modos de produção artística de que uma sociedade dispõe não são apenas determinantes das relações socias entre produtores e consumidores, como também interferem substancialmente na própria natureza da obra. A literatura e as formas de escritura que implica não escapam a esses princípios, conforme ficou muito bem argumentado no famoso texto de Walter Benjamin sobre o “Autor como produtor”.
Cada período da história da arte e da literatura no Ocidente ficou marcado pelos meios que lhe foram próprios. Assim também, os meios do nosso tempo, neste início do terceiro milênio, estão nas tecnologias digitais, nas memórias eletrônicas, nas hibridizações dos ecosistemas com os tecnosistemas e nas absorções inextricáveis das pesquisas científicas pela criação artística, tudo isso abrindo ao artista e literato horizontes inéditos para a exploração de novos territórios da sensorialidade e sensibilidade. Sem deixar de considerar a circunstância de que esses meios possam ser utilizados de maneira convencional ou de que se possa, por outro lado, criar obras inventivas e originais com os meios tradicionais, urge que as formas literárias emergentes sejam consideradas, estudadas, debatidas e avaliadas na diversidade de aspectos que apresentam.
Os eventos aqui propostos são os primeiros no gênero no Brasil e pretendem responder aos desafios com que a complexidade da escritura e do texto literários contemporâneos nos instigam.
Temas do Colóquio
1. Arqueologia, história e estórias da ciberliteratura (dia 29, manhã)
Cyberliterature archeology, history and stories
2. Intermidialidade e hipermídia na poesia, narrativa e teatro digitais (dia 29, tarde)
Intermediality and hypermedia in digital poetry, narrative, and theater
3. Remidiaçãso e transposição em literatura (dia 30, manhã)
Remediation and transposition in literature
4. A tradução literária de obras digitais interativas (dia 30, tarde)
Literary translation of interactive digital works
Especialistas convidados
Abertura
Arnaldo Antunes e Augusto de Campos (não confirmados)
Palestrantes
Sergio Bairon
Luis Carlos Petry
André Vallias
Jorge Luis Antonio
Giselle Beiguelman (não confirmado)
Lucio Agra (não confirmado)
Wilton Azevedo (não confirmado)
Marcus Bastos
Alckmar Luiz dos Santos (não confirmado)
Antonio Risério (não confirmado)
Friedrich Block (Alemanha)
Rui Torres (Portugal)
Jason Nelson (Australia),
Pedro Reis (Portugal)
André Sier (Portugal)
Chris Funkhouser (USA)
WORK-SHOPS
Escrita Criativa e Hipermídia (português), 28-29, manhã.
Ação de formação que se insere no âmbito do ensino experimental e do uso criativo
das novas tecnologias, tendo como objetivo a criação de um poema ou conto em
versão hipermídia. Pretende-se deste modo estimular e adquirir competências no
domínio da escrita e da criatividade, e do seu modo de relacionamento com as
novas tecnologias da informação.
Tutores
Rui Torres
Sérgio Bairon
Luis Carlos Petry
André Sier
Jason Nelson
MOSTRA INTERATIVA DE CIBERLITERATURA
Ciberliteratura luso-brasileira
Apresentação de trabalhos literários em meio digital de autores de língua portuguesa. Alguns dos autores representados são André Vallias, Wilton Azevedo, Rui Torres, Pedro Barbosa, Silvestre Pestana, Antero de Alda e André Sier.
Tradução e transposição
Apresentação de traduções, para português, de trabalhos literários em meio digital. Alguns dos autores traduzidos são Jason Nelson, Jim Andrews, Duc Thuan, Mark Amerika.
Recriações e variação
Apresentação de recriações e variações de poesia experimental (visual, concreta e sonora) para o meio digital. Alguns dos autores utilizados são Salette Tavares, Herberto Hélder, E. M. de Melo e Castro, António Aragão, Augusto de Campos, com recriações em hipermédia de Rui Torres, Pedro Barbosa, André Sier, Sérgio Bairon e Luis Carlos Petry.
LANÇAMENTO DE OBRAS E PUBLICAÇÕES (na abertura do evento, 29-tarde)
AlletSator
Apresentação e lançamento do DVD com a versão 3.0 da ópera quântica de Pedro Barbosa e Luis Carlos Petry
Revista Cibertextualidades
Apresentação e lançamento do Número 2 da Revista Cibertextualidades, do CETIC, UFP-Porto, que contém um dossier sobre AlletSator
Consciência Hipertextual – 10 anos depois, a tradução
Apresentação e lançamento da tradução de Hypertextual Consciousness, aproveitando a celebração dos 10 anos dessa obra de referência. Com a participação de Mark Amerika, autor; e Rui Torres, tradutor.
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