Internet como Instrumento de Pesquisa
Por Vicente Cassepp Borges[1] - vicentecb@pop.com.br
http://www.vicentepsico.hpg.com.br
Acesso às bases de dados de periódicos científicos
Pretendo, com isso, facilitar a vida dos inúmeros estudantes que querem fazer uma pesquisa na internet para auxiliar em seus trabalhos acadêmicos e não sabem como. Tudo foi preparado pensando no estudante de Psicologia, mas contém dicas úteis para estudantes de graduação e pós-graduação em qualquer área do conhecimento. Alguns desses sites não abrem em qualquer computador, a não ser que sua instituição de ensino esteja cadastrada. Boa pesquisa.
Quero o filé da coisa
O primeiro site a ser indicado é o SciELO (Scientific Electronic Library Online) (http://www.scielo.br). Lá, você encontra os artigos na íntegra de mais de 100 periódicos científicos brasileiros de todas as áreas, do jeito em que eles foram publicados. Todo editor científico brasileiro sonha em ver sua revista indexada no SciELO, uma vez que isso faz com que muita gente a leia. Portanto, só temos bons periódicos lá. A área da Psicologia conta 5 títulos indexados: Estudos de Psicologia (Natal), Psicologia & Sociedade, Psicologia USP, Psicologia: Reflexão e Crítica, Psicologia: Teoria e pesquisa e ainda Psicologia em Estudo, que já foi aprovada e que em breve será disponibilizada no site… Mas, dependendo do tema da sua pesquisa, também existem periódicos de Neuro-Psiquiatria e Ciências Sociais.
Não encontrei no Scielo
Tente a Bireme (http://www.bireme.br). Lá você tem acesso á Biblioteca Virtual em Saúde (denominada BVS), além do próprio SciELO. Abaixo do lugar que diz "literatura científica", existe o link "pesquisa em bases de dados". Clicando nele, você verá várias bases se dados com uma breve explicação a respeito delas ao lado. Basta clicar naquela que está mais adequada com a sua pesquisa. Porém, você encontrará apenas resumos. Ainda abaixo de "literatura científica", existe o "portal de revistas científicas". Nesta base de dados, você tem acesso a informações sobre quais delas possuem textos completos, o local de publicação e links para as revistas. Depois de encontrado o artigo na base de dados, este é um lugar no qual você pode ir para tentar achar o seu artigo na íntegra.
Tá complicado. Tem muita informação que não é de Psicologia
A parte disso tudo que diz respeito à Psicologia é a BVS-PSI (http://www.bvs-psi.org.br). Uma das grandes sacadas é o link para Periódicos Técnicos Científicos, onde você pode acessar informações de mais de 150 periódicos científicos nacionais. Clicando em "Periódicos de Divulgação", você terá acesso a revistas comerciais da nossa área (Viver, Insight, etc.). Do conhecimento que foi produzido no Brasil, pouca coisa vai escapar. Isso sem esquecer do acesso a outra importante base de dados de periódicos científicos latino-americanos – a LILACS. Cabe lembrar que, se o artigo consta no SciELO, haverá um link para o texto na íntegra. Ainda existe o Index-Psi Livros que, como o nome diz, é uma base de dados de livros técnico-científicos brasileiros. Através desta base, você pode fazer compras diretamente com as editoras. Na BVS-Psi, você ainda encontra informações sobre os eventos da nossa área (congressos, encontros, etc), filmes, links de interesse e muito mais.
Ainda têm muito pouco
Se você quer pesquisar o que há de melhor no mundo a respeito de seu tema, a melhor pedida são os periódicos da CAPES (http://www.periodicos.capes.gov.br). A base de dados referente à Psicologia é PsycINFO, e encontra-se à esquerda na tela. Porém, se abrirá uma janela na qual você poderá fazer sua pesquisa nesta base e no Biological Abstracts (Psicologia e Biologia têm muito em comum) em conjunto. Você tem que digitar palavras-chave em inglês, e os resumos aparecerão neste idioma. Mas é bastante motivador ver mais resumos do que você pode ler sobre determinado assunto. Esta base de dados permite que você inicie sua busca com palavras bastante delimitadas.
Quero artigos internacionais completos
Ainda nos periódicos da CAPES (http://www.periodicos.capes.gov.br), você enxergará que, no meio da tela, existem periódicos com o texto completo. A Psicologia está representada pela APA - American Psychological Association. Clicando ali, você verá os títulos de periódicos de Psicologia disponíveis. Mas, atenção: a busca não é por artigo, mas por periódico. Você pode ter acesso a periódicos de todas as áreas, clicando na “lista completa”. É interessante fazer isso quando existe alguma revista específica sobre o tema que você procura. Ou então quando você descobriu que um artigo está em determinado periódico e quer tentar baixá-lo pela internet. De acordo com o relatório do estudo de uso do portal de periódicos da CAPES, disponível no próprio site, foram investidos quase 15 milhões de dólares em 2003 só em periódicos com o texto completo. O governo brasileiro paga, em média, US$ 2,45 por um artigo que custaria a você US$ 12,00 em uma encomenda via COMUT.
Ainda não estou encontrando o meu artigo
Provavelmente você não está sabendo procurar direito. A qualidade das palavras-chave que você digita é proporcional ao resultado de sua busca. Você pode clicar em Terminologia em Psicologia, no caso da BVS-PSI, em Thesaurus (Tesauro, em inglês), no caso dos periódicos da CAPES ou ainda em DeCS (http://decs.bvs.br/) no caso da LILACS. Ali, você encontrará todas as palavras-chave convencionadas por especialistas, que mostram como é agrupado cada tema. A expressão "distúrbios mentais", da Terminologia Psi, não encontra nenhum artigo na LILACS em uma busca por descritor de assunto, por exemplo, por que é usado "transtornos mentais".
como saber se um artigo é "bom"?
Existe um site que permite fazer isso. O nome dele é Web of Science. A "Página da Ciência" é uma base generalista, ou seja, possui resumos de todas as áreas. Você pode entrar lá através dos periódicos da CAPES (http://www.periodicos.capes.gov.br), ou então pelo link http://isi3.isiknowledge.com. Clicando, bem acima, em ISI Web of Science (você pode escolher qualquer outro link, mas este é o escolhido para o exemplo), você entra em Easy search (enquanto você está se familiarizando…) e escolhe se quer fazer a busca por assunto (topic), autor (person), ou local (place). É um site bastante rico, no qual aparecerão muitos artigos na sua busca. Mas o interessante dele é que, em cada resumo, aparece quantas referências ele citou, com links para elas, e quantas vezes o artigo foi citado, também com links para os artigos que citaram aquele que você localizou. Por aí, dá para termos uma noção da qualidade do artigo. Espera-se que um bom artigo tenha citado vários artigos, ao mesmo tempo em que vários artigos devem ter citado um bom artigo. Claro que não se pode esperar que muitos pesquisadores tenham baseado seus experimentos em um artigo muito recente…
e a produção nacional?
O provão não existe apenas para estudantes. Os periódicos científicos também estão sendo avaliados. O resultado desta última avaliação está disponível em http://www.anpepp.org.br. Também se encontram lá os critérios usados para que fossem atribuídas estas notas. Apesar das várias discussões quanto a eles, a qualidade das revistas de Psicologia no Brasil está melhorando. Uma revista aleatória de âmbito nacional com nota A, por exemplo, possui um rigoroso processo de tramitação para seus artigos e não estampará em suas páginas qualquer coisa. Na hora de escolher em que lugar publicar, a maioria dos autores usa este parâmetro.
Eu não falo inglês. Estou excluído do mundo do conhecimento?
Sim e não. É inegável a importância da língua inglesa para qualquer pessoa que busque destacar-se na sua área. Por outro lado, existem ferramentas que podem auxiliá-lo a traduzir seus resumos e artigos. O Google (http://www.google.com.br) e o Altavista (http://www.altavista.com), que além de serem excelentes sites de busca para dados não científicos, possuem os links "Ferramentas de idiomas' (Google) e "Ferramentas: Traduzir" (Altavista). Selecionando o seu resumo, recortando e colando dentro das janelas de tradução destas páginas, escolhendo traduzir de Inglês para Português, você terá uma tradução "meia boca" do texto. Mas já fica mais fácil de entender. Você pode traduzir de Português para Inglês as palavras que você deseja digitar para iniciar qualquer busca. Claro que, se você quiser um serviço bem feito, terá que procurar uma pessoa que faça isso.
Eu não gosto de computadores. Quero ver, tocar e cheirar o periódico em que o artigo se encontra
Junto com os resumos dos artigos que você localizou, sempre aparecerá o nome da revista em que ele se encontra, com o volume, o número e o ano. Estas informações são importantes para a localização do artigo na íntegra. A página do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT (http://www.ibict.br) é a que diz onde está o periódico que você procura. Clique no Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN) e, em seguida, acesso às bases. Você digita o nome do periódico (ou qualquer outro tipo de informação sobre ele) e a página te diz quais as bibliotecas do país o possuem. Ainda te diz quais os exemplares dele você vai encontrar na prateleira. O site do IBICT ainda tem outros grandes atrativos: Uma base de dados com as teses e dissertações brasileiras (BDTD) e outra base de dados com os eventos (congressos, etc…).
A revista que eu quero está em uma cidade muito longe da minha
Provavelmente, em alguma biblioteca próxima, existe um serviço chamado COMUT. É um sistema pelo qual você poderá encomendar um xerox do artigo, onde quer que ele esteja. Porém, você deve pagar por este serviço. Vale a torcida para que a revista que você procura seja assinada por alguma biblioteca brasileira. É muito mais barato. Se estiver no exterior, além do preço ser uma facada, é cobrado em dólares. É importante conhecer o COMUT. Além do auxílio nas suas encomendas, espera-se que o responsável pelo serviço seja um especialista em buscas e possa ajudá-lo a localizar a informação desejada.
Só a revista não me basta. Eu quero falar com o autor do artigo
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desenvolveu o Curriculum Lattes. Através do site http://www.cnpq.br, você pode acessar o currículo do autor do artigo. Assim você pode saber quem escreveu aquilo que você está lendo. Saber tudo que esta pessoa produziu, independente do lugar onde esteja indexado. O mais importante é pegar o e-mail para contato, quando o artigo ou resumo não possuir. Assim, você poderá pedir ao autor alguma escala que não está na publicação que você teve acesso, por exemplo. Ou dizer que admira o trabalho dele... A BVS-PSI e o SciELO possuem links diretos para o Lattes do autor dos artigos encontrados na busca. Mas esta plataforma pode ser usada até para você futricar um pouco mais na vida dos professores da sua universidade que não publicaram nada. Não se esqueça de cadastrar também o seu currículo. Assim, o mundo poderá te conhecer.
Gostei muito do texto, mas ainda restam dúvidas
É fácil descobrir mais coisas, basta ir navegando pelos sites indicados. Tive que fazer várias navegações para disponibilizar tudo mastigado na internet. Afinal, não sou quem mais sabe do assunto no mundo, mas estou disponibilizando o pouco que sei. Basta solicitar pelo e-mail vicentecb@pop.com.br ou pessoalmente. Caso você tenha curiosidade, minha página pessoal é http://www.vicentepsico.hpg.com.br. O importante é ter em mente que saber utilizar bases de dados é ter o privilégio de usufruir de todo o conhecimento que a humanidade produz.
Atualizado em 01/2004
[1] Acadêmico de Psicologia 7º Semestre -Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Revista Interamericana de Psicologia. Fone Residencial: (51) 33443252 -Fone Celular: (51) 92353882 - Fone Comercial (CEP-Rua/UFRGS): (51) 33165150. Disponibilizado em: http://www.bvs-psi.org.br
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Portais do MEC são fontes de pesquisa acadêmica
Pesquisas acadêmicas, consultas de obras literárias e downloads de livros podem ser feitos, gratuitamente, em duas páginas eletrônicas do Ministério da Educação. O Portal de Periódicos e o Portal de Domínio Público oferecem a estudantes e professores informações antes restritas às bibliotecas.
O Portal de Periódicos, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC), é um dos maiores do mundo e o único oferecido pelo governo para pesquisas em pós-graduação. Está disponível para mais de um milhão de estudantes em 152 universidades e institutos de pesquisa com programas de pós-graduação recomendados pelo MEC. "Os periódicos são colocados no site em tempo real", explicou José Fernandes Lima, diretor de programas da Capes.
Criado em 2000, o portal de periódicos registra 80 mil acessos diários. Conta com mais de nove mil títulos de fontes nacionais e internacionais de nível acadêmico. Além disso, dá acesso ao banco de patentes registradas no país. Em 2004, a página totalizou 13,3 milhões de artigos baixados. Segundo Fernandes Lima, o portal permite ao MEC fazer uma estimativa precisa da produção científica brasileira.
Para o professor de lingüística Luiz Antonio Marcuschi, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o serviço é uma das ferramentas mais importantes para pesquisas no Brasil. "Com o acesso livre aos periódicos, é possível ter contato imediato com boa parte das revistas internacionais sem a necessidade de pagar assinaturas", argumentou.
O diretor de programas da Capes revelou que o MEC pretende estender o sistema a outros ministérios e empresas estatais. "Estamos negociando, a fim de facilitar trabalhos como o registro de medicamentos", disse.
Domínio público - O Portal de Domínio Público, inaugurado em novembro de 2004, registra cerca de três milhões de acessos por mês. A página conta com mais de cinco mil obras literárias, músicas, fotografias, vídeos e quadros de autores nacionais e internacionais. O usuário tem a opção de fazer cópia dos textos e imprimi-los.
Órgãos públicos e bibliotecas podem fornecer conteúdo, sobretudo de obras de domínio público cujos autores morreram há mais de 70 anos. Escritores contemporâneos também podem autorizar a publicação de suas obras. O cadastramento é feito no portal Domínio Público. (Flávia Nery, Assessoria de Comunicação do MEC)
Fonte: http://www.capes.gov.br/capes/portal/conteudo/10/N_01072005S.htm |
A invenção do método científico
Por Silmar Gonzaga Molica, Isabelle Meunier [1]
Muito se tem escrito e discutido sobre a que pode ser considerada a maior invenção humana, ao longo da curta caminhada da civilização. Embora sejam candidatas todas as invenções que estimularam ou divulgaram outras invenções, como a imprensa (vencedora das indicações no livro As Maiores Invenções dos Últimos 2000 anos, organizado por John Brokman, Editora Objetiva), o título da maior invenção deve caber aquela que permitiu todas as outras, aquela que, mesmo simples, orientou e estimulou a inventividade, a indagação, a interpretação da natureza, gerando as grandes descobertas da humanidade. Antes da imprensa havia letras. Antes da eletrônica, as descobertas da eletricidade e da mecânica, e assim por diante. Tudo que se conhece não foi feito isoladamente, mas com base no conhecimento adquirido de inúmeras contribuições prévias, até mesmo anônimas e esquecidas pela história.
Para apontar a maior de todas as invenções, devemos analisar como o conhecimento científico se originou e quando ele mais de desenvolveu. Nas épocas remotas, a ciência, comprovável e reproduzível, teve crescimento notadamente errático, contando com atuação de sábios multidiciplinares, gênios da espécie, clérigos solitários e curiosos, nobres insatisfeitos com as dimensões do mundo que lhes eram dadas a conhecer. O conhecimento foi inúmeras vezes conquistado e destruído por força das guerras; raramente foi acumulado ou disseminado. Em épocas menos remotas, o conhecimento científico passou a ser desenvolvido mais sistematicamente e a ser compartilhado, o que permitiu a multiplicação das academias, universidades, especialidades acadêmicas e, mais recentemente, modernos laboratórios científicos industriais.
Podemos identificar qual das invenções participou de todo esse processo: o fruto do engenho humano que proporcionou isso foi o método científico, o hábito de estudo e investigação sistemática, sob paz ou guerra, em função do mesmo objetivo de construção do conhecimento. Isto significa que uma massa crítica cada vez maior de pessoas, em conjunto ou isoladamente, pode identificar problemas, definir objetivos, enunciar hipóteses, realizar ensaios, comparar resultados e chegar a conclusões, gerando acúmulo de saber, desde que os resultados sejam reunidos em bibliotecas ou em fontes de consultas disponíveis a outras pessoas, de forma ordenada e estimulada pela demanda de conhecimento. Esta foi a invenção que melhor explorou o maior talento humano: a capacidade de uso da razão.
O mais certo, portanto, é que a maior invenção não pode ser atribuída a um único autor, já que o método científico foi desenvolvido a partir de muitas contribuições. A verdade é que hoje a tecnologia não precisa ser conquistada em guerras nem está apenas acessível a um pequeno número de iniciados. Ciência e tecnologia podem ser desenvolvidas por pessoas comuns, afeitas ao método científico. Ou ainda compradas a um bom preço, podendo o comprador tornar-se refém do produto que não conhece inteiramente.
Por outro lado, é preciso ressaltar o papel das instituições que aplicam e disseminam o método científico. Há muito tempo as universidades têm tido um papel fundamental no desenvolvimento e na transmissão dos fundamentos essenciais para a realização de pesquisas científicas. Hoje, com o conhecimento científico cada vez mais consumindo e gerando capital, várias outras instituições e empresas assumiram, como competidoras, também o papel de produtoras de ciência e tecnologia.
Esta situação nos dá oportunidade para uma reflexão sobre o papel da universidade.
Com seus métodos e recursos historicamente limitados (mesmo realizando parcerias e captando recursos de diferentes fontes), parece exagerado cultivar-se expectativas de que dela se obterá a satisfação de todos os anseios do desenvolvimento tecnológico. Mais do que tentar realizar o que pode muito bem ser feito por outros, cabe à universidade fazer o que pode e deve fazer muito bem: formar pesquisadores e profissionais capacitados para buscar e implementar inovações. Mais do que produzir e competir no mercado tecnológico, cabe a universidade ensinar a todos os meios de saber; ensinar a pescar e não vender peixe barato no mercado.
Assim, mesmos as pesquisas mais simples ou aquelas que não emanam das ilhas de excelência, têm um papel fundamental no ambiente universitário. Têm a função de permitir a formação de novos pesquisadores e transmitir, para todas as gerações, a beleza e a grandeza da (re)invenção do conhecimento.
1 Professores do Departamento de Ciência Florestal- Universidade Federal Rural de Pernambuco
Fonte: Boletim Eletrônico da UFRPE, 06/06/2005. Notícias 30 - Ano 06 - http://sbpcpe.org/noticias/ |
O e-mail como ferramenta para fazer entrevistas
Mario Lima Cavalcanti - mario@jornalistasdaweb.com.br
Em várias das entrevistas que fiz para a coluna, usei o e-mail para obter depoimentos ou pelo menos fazer um primeiro contato com os entrevistados. Isso se deu por vários motivos, entre eles a distância (o entrevistado era de outro país, o que, numa época quando o Skype ainda não era popular, faria minha conta de telefone aumentar um bocado) ou falta de tempo do próprio entrevistado.
Os mais conservadores podem defender o uso do telefone ou até mesmo o olho no olho. E é verdade que cada um desses métodos tem suas vantagens. Porém, a idéia aqui é – passando longe de defender o e-mail como um meio cômodo para aqueles que não gostam de sair da frente do computador – pensarmos em qual situação seria realmente a melhor opção, não deixando, entretanto, de analisar também suas deficiências.
Para Renata Aquino, jornalista free-lancer do Yahoo! Brasil, o e-mail é muito válido em alguns casos, mas é preciso ter cuidado com falsa identidade: "Por um lado, quando é necessário fazer muitas entrevistas em pouco tempo, como uma espécie de 'povo fala', o e-mail é muito útil. Quando o entrevistado nega-se a dar entrevistas, o e-mail também é bastante útil para receber pelo menos esclarecimentos sobre pontos principais que o entrevistado teria que responder, mas, por outro lado, também é preciso ter cuidado com falsa identidade. Existem assessores de imprensa que não entendem que não podem simplesmente responder pelo entrevistado. Uma entrevista por e-mail não vale a não ser que o jornalista tenha absoluta certeza de que foi respondida pela pessoa certa", diz.
Abaixo, relacionei brevemente em tópicos alguns prós e contras do uso do e-mail como ferramenta para coletar informações e depoimentos.
Os prós e os porquês:
- Salvo urgência do repórter, o entrevistado responde quando tem tempo;
- Tendo tempo para responder com calma, o entrevistado pode garantir um depoimento com qualidade e passar melhor suas idéias. Em sumo, dizer o que quer dizer;
- É uma alternativa para quando o jornalista não consegue encontrar o entrevistado pelo telefone;
- É um meio rápido para se entrevistar quem trabalha com Internet ou escreve para o ambiente online;
- Hoje em dia, o e-mail é acessível a partir de muitos dispositivos digitais com acesso à Internet (laptop, smartphone, PDA etc.);
- As opções de locais para se acessar e-mail (cybercafés, lanhouses, terminais públicos etc.) não param de crescer;
- Para quem trabalha com o auxílio do computador, depoimentos via e-mail significam redução de tempo com o trabalho que se teria de transcrição;
- Pode ser uma boa opção para se fazer entrevistas em outro idioma. Por ter tudo por escrito, o entrevistador não perde informação como poderia perder pessoalmente ou por telefone, se não tivesse domínio da conversação;
Os contras:
- Como sugerido pela Renata Aquino, existe a questão da falsa identidade. O jornalista deve ter certeza de que a entrevista foi respondida pela pessoa certa;
- Mesmo que o entrevistado prefira responder perguntas via e-mail, isso demanda tempo. É muito provável que o entrevistador não tenha as respostas de imediato;
- Não é prático quando se precisa fazer uma contra-pergunta (nesse caso, temos como opção os comunicadores instantâneos (AIM, ICQ, MSN Messenger etc.), mas, para muitos, programas desse tipo são vistos como de uso pessoal;
- Não se percebe a expressão facial do entrevistado, o que, dependendo do foco da entrevista, seria importante para o repórter entrevistador;
Enfim, cabe ao entrevistador refletir sobre a melhor maneira de se fazer uma entrevista. A adaptação às novas formas de comunicação, e, melhor que isso, saber aproveitá-las e reconhecer nelas a melhor alternativa, também faz parte da vida do comunicador social. Como dito no início do artigo, cada método, assim como cada meio, tem suas vantagens e desvantagens. Até a próxima!
Fonte: http://www.comunique-se.com.br
Disponível em 28/04/2005
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Cadastro de livrarias ganha versão on-line
A Câmara Brasileira do Livro (www.cbl.org.br), a Associação Nacional de Livrarias (http://www.anl.org.br/), o Sindicato Nacional de Editores de Livro (http://www.snel.org.br/) e o Cerlalc - Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (http://www.cerlalc.org/) lançaram na última sexta-feira (10/06) a versão on-line do Cadastro das Livrarias do Brasil.
O inédito cadastro, que reúne informações detalhadas sobre livrarias de centenas de cidades brasileiras, é um dinâmico e gratuito canal de pesquisa, que pode ser usado para fins comerciais ou para consultas de consumidores.
O site disponibiliza informações importantes que agregam grande potencial no desenvolvimento de negócios da cadeia produtiva do livro, estreitando o relacionamento entre editoras, livrarias, distribuidores e o consumidor final, contribuindo para o planejamento de ações de distribuição, vendas e promoção.
As buscas podem ser feitas utilizando-se diversos parâmetros, tais como nome comercial, razão social, tipo de livraria, cidade em que está localizada e se a livraria trabalha com importação e/ou exportação de produtos.
É possível pesquisar os números de pontos de venda da livraria, as áreas de especialização, o tempo de atuação no mercado, metragens, localização e contatos, entre outros dados relevantes. No caso das grandes redes, o cadastro exibe endereço, telefone e e-mail de cada loja.
Informações: http://www.cerlalc.org/dl_brasil/index.php
Fonte: Carla Floriana Martins – UBEE - Gerência Educacional e Pastoral
cfloriana@ubee-marista.com.br (+55 31 3263-2789)
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FAPESP inaugura biblioteca virtual
A Fapesp inaugurou no último dia 10, em sua sede em São Paulo, a Biblioteca Virtual do Centro de Documentação e Informação da Fapesp (BV-CDi), reunindo suas diversas fontes de informação, ciência e tecnologia e inovação (C,T&I) seguindo normas e padrões internacionais de tratamento da informação e de comunicação de dados. Pela biblioteca virtual, o usuário poderá ter acesso a projetos de pesquisa, diretório de eventos e teses, notícias gerais de C,T&I e reportagens publicadas pela imprensa sobre a fundação. O objetivo é manter e divulgar a memória institucional da Fapesp, além de aumentar a qualidade e quantidade dos conteúdos nacionais de C,T&I.na internet. O projeto da BV-CDI está sendo desenvolvido em parceria com o Centro Latino-americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme/Opas/OMS), além do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi/USP) e o Laboratório de Jornalismo Científico (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas.
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Sugestões de um antropólogo para a boa escrita científica
O texto expositivo na escrita científica privilegia a ordem direta, a objetividade,
a clareza e a concisão
Por Carlos José Saldanha Machado[1]
A vida em sociedade supõe intercâmbio e comunicação, que se realizam fundamentalmente pela língua, cujo papel é cada vez mais importante nas relações humanas e, sobretudo, na vida científica. As relações de trabalho no mundo das ciências demandam atenção especial com a forma escrita da língua e seu registro adequado, para que estabeleça o entendimento comum. E comunicação é isso: participação, transmissão, troca de idéias, conhecimentos e experiências.
Contudo, com o atual ritmo de vida acelerado, tem-se pouco tempo para ler e escrever todos os textos que gostaríamos, fazendo-se necessário um estilo enxuto e econômico da expressão textual. O texto se rarefaz e cada palavra adquire importância maior: a economia de palavras exige cuidado particular na construção dos textos, em especial, da redação de caráter científico.
Um texto de boa qualidade, especialmente aqueles que contribuem para tornar a realidade do mundo mais inteligível, podendo criar obrigações e compromissos, depende de três pré-requisitos básicos: correção e objetividade, clareza e concisão, coerência e coesão.
A correção se traduz pelo respeito ao padrão culto da língua, ou seja, às normas gramaticais, que têm por finalidade codificar o uso idiomático, dele induzindo, por seleção, classificação e sistematização, as formas representativas do ideal de expressão correta.
A objetividade textual se traduz mediante linguagem direta, sem rodeios ou empolação.
A clareza facilita a percepção rápida das idéias expostas no texto. Para isso, recomenda-se a prática do período curto, a parcimônia na adjetivação, a ausência de ambigüidade e do circunlóquio, a ordem direta.
Evita-se, igualmente, redundâncias e digressões que desviem a atenção do leitor sobre o que é essencial.
A concisão consiste em dizer muito com poucas palavras, eliminando-se as palavras supérfluas, a adjetivação desmedida, evitando-se períodos extensos e emaranhados. A concisão traz clareza à frase e, igualmente, correção: quem muito escreve corre o risco de tropeçar no erro de língua, na falta de lógica e na adequação textual.
O vocabulário não deve incluir palavras difíceis, pois exuberância nem sempre é sinônimo de clareza. Ao redigir, é importante empregar apenas as palavras necessárias, as mais simples e correntes. O excesso de linguagem técnica, ao invés de afirmar competência, pode gerar incompreensão para o leitor.
O texto expositivo na escrita científica privilegia a ordem direta, a objetividade, a clareza e a concisão evitando, assim, parágrafos longos com excessivos entrelaçamentos de incidentes e orações subordinadas que podem causar dificuldades à análise e ao entendimento do interlocutor.
É claro que algumas idéias exigem parágrafos maiores, com a presença de subordinação, mas deve haver um equilíbrio entre as idéias que se quer expressar e o desenvolvimento do período. O uso da subordinação precisa apresentar relações e nexos conjuntivos evidentes, evitando-se as construções labirínticas.
Além dessas observações, cabe lembrar outros aspectos que prejudicam a legibilidade e imprimem ao texto um registro coloquial, comum nas situações informais da língua falada, mas inadequado na redação científica:
- uso excessivo de pronomes pessoais, possessivos, dos artigos indefinidos um, uma, e da conjunção que;
- mistura de pronomes de tratamento;
- colocação dos pronomes adverbais átonos mal feita;
- regência verbal indevida;
- concordância nominal e verbal equivocada;
- uso de fragmentos de frase;
- inversões desnecessárias;
- inexistência de pontuação ou seu uso incorreto.
Coerência deve ser entendida como unidade do texto. Um texto coerente é um conjunto harmônico, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar, de modo que nada seja destoante, nada ilógico, nada contraditório, nada desconexo.
Daí a necessidade de ordem e inter-relação. No texto coerente, cada parte solidariza-se com as demais na seqüência dos fatos, de tal modo que o desenvolvimento de uma parte dependa do desenvolvimento anterior de outra. O ajuntamento de partes desconexas prejudica a intelegibilidade do texto.
Obtém-se coerência interligando as idéias de maneira clara e lógica. Dessa forma, sugere-se redigir segundo ordem:
- cronológica, respeitando a temporalidade;
- espacial, apresentando os elementos mais próximos e, depois, os mais distantes;
- lógica, isto é, com coerência de raciocínio e de idéias.
A coesão consiste no entrelaçamento significativo entre declarações e sentenças seqüenciais e não, meramente, de afirmações colocadas umas após as outras, pois os parágrafos significam mais do que uma simples sucessão de sentenças.
Um texto bem redigido deve constituir um todo significativo e não fragmentos isolados, justapostos. No seu interior precisam existir elementos que estabeleçam relação entre as partes, ou seja, elos significativos que confiram nexo ao texto.
Enfim, a escrita não exige que os períodos sejam longos e complexos, mas que sejam completos e que as partes estejam absolutamente conectadas. O redator deve ter claro o que pretende dizer e, uma vez escrito o enunciado, avaliar se o texto corresponde, exatamente, àquilo que queria dizer.
[1] Carlos José Saldanha Machado é antropólogo, pesquisador do Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz, membro do Comitê Local de Organização do 4o Congresso Mundial de Centros de Ciências – abril 2005 (saldanha@coc.fiocruz.br).
Fonte: JC e-mail 2661, de 06 de Dezembro de 2004. |
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