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Disciplina: Regimes de Sentido em Imagem e Som: A Construção dos Gêneros no Cinema de Hitchcock
Área de Concentração: Signo e Significação nas mídias
Linha de Pesquisa III: Análise das mídias
Professor: Leda Tenório da Motta (cód.6333)
Horário: sextas-feiras das 09:45 às 12:45
Semestre: 1º/2012
Nível: Mestrado e Doutorado
Crédito: 3
Carga horária: 225
Ementa e objetivos
A disciplina examina os modos de construção de sentido e estratégias de leitura de produtos e processos visuais, sonoros e audiovisuais, em seus aspectos diacrônicos (históricos) e sincrônicos (contemporâneos).
Compreende, em primeiro lugar, um movimento de recuo em direção a uma arqueologia dos meios, no sentido de verificar como se constituíram historicamente os recursos retóricos da imagem fixa, da imagem em movimento e da sincronização sonora. Desenvolve modelos metodológicos para a análise de procedimentos de espacialidade, seqüencialidade e temporalidade em meios baseados em imagem e som, incluindo: teorias da edição, do enquadramento, da sonoplastia, da narratividade audiovisual
e da combinação do som com a imagem. Abrange também procedimentos baseados em tempo real e presente, difusão massiva em escala planetária, ubiquidade, vigilância, participação, interatividade e imersão. Inclui ainda considerações sobre a mediação tecnológica, automatização de procedimentos e a atual convergência dos meios.
Mais particularmente, o curso abordará a questão da construção dos gêneros no cinema de Alfred Hitchcock. Tomando como corpus principal os grandes filmes da fase americana do diretor _ Hear Window (Janela indiscreta/1954), Vertigo (Um corpo que cai/1958), Psycho (Psicose/1960) e The Birds (Os pássaros/ 1963) _ enfrentará a questão atualíssima da crise genérica sexual à luz das loiras fálicas e dos heróis delicados que trocam de papel nas histórias de amor aí encenadas. O objetivo é mostrar que se trata de uma arte antecipadora, que aproveita a cultura freudiana do realizador, adquirida na Londres que se havia tornado a sede da psicanálise no exílio, para levar a “peste” aos estúdios de Hollywood, em plena era dos produtores. Mas outros pontos de inflexão serão: 1) a revisão das primeiras recepções feministas, que acusam uma misoginia de Hitchcock, hipótese hoje derrubada, como o foi, um dia, pela geração dos Cahiers du Cinéma, a hipótese de que Hitch não passaria de um vulgar money maker; 2) a referência da construção sexual aos figurinos de Edith Head.
Bibliografia básica:
Truffaut, François (1993). Hitchcock Truffaut. Édition définitive. Paris: Gallimard.
Modlesky, Tania (1988). The women who knew too much. Hitchcock and feminist theory. London: Methuen and Co.
Paglia, Camille ( 1999) Os Pássaros. Rio de Janeiro: Zahar.
Dufreigne, Jean-Pierre (2004). Le style Hitchcock. Paris: Assouline.
Bibliografia complementar:
Freud, Sigmund (1974). Psicologia do amor in Obras Completas de Sigmund Freud. Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas, vl. XI. Rio de Janeiro: Imago.Xavier, Ismail (2003). O olhar e a cena. São Paulo: Cosac & Naify
Araújo, Inácio (1982) Hitchcock. São Paulo: Brasiliense. Coleção Encanto Radical.
Infante, Guillermo Cabrera (1978). “El bacilo de Hitchcock” in Arcadia todas las noches. Barcelona: Seix Barral.
Spoto, Donald (2008) Spellbound by beauty. Hitchcock and his leading ladies. New York: Harmony Books.
Motta, Leda Tenório (2006). “Profecias galopantes de Hitchcock” in Revista Galáxia número 11.
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