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Norval Baitello Junior
Percurso
Com o interesse direcionado para aquilo que recentemente se agrupa sob a rubrica das Ciências da Cultura, meu percurso acadêmico-científico, em seu início, passou pelas áreas de a) Cultura Alemã do Século XX (desde as formas clássicas até as manifestações mediáticas, das HQ às sonoridades radiofônicas, das experimentações com a palavra aos novos recursos performáticos para a captura da recepção), b) das Vanguardas Históricas Européias e Brasileiras (sobretudo em seu aspecto de ruptura com os suportes clássicos, adotando como meios o jornal, o cartaz e as ações públicas) e c) o Jornalismo em seus múltiplos formatos, escrito, auditivo, imagético.
Como Coordenador do Curso de Jornalismo da PUCSP, pude reimplantar o paradigma da formação crítica dos futuros profissionais, introduzindo o indispensável diálogo entre a formação técnica, a formação humanística e a reflexão sobre os processos comunicacionais.
Doutorado na Universidade Livre de Berlim, nas áreas de Ciências da Comunicação e de Ciência Contrastiva da Literatura, o foco de minhas investigações foram os anos 20 e a explosão dos usos mediáticos nas vanguardas, em Berlim e em São Paulo. Desenvolviam-se nesta época, primeira metade dos anos 80 na Universidade Livre de Berlim, duas grandes tendências ou escolas que me marcaram, uma em torno de Harry Pross e Ivan Bystrina, com a proposta de uma Teoria da Mídia em diálogo com uma Semiótica ou Teoria da Cultura, a outra em torno de Dietmar Kamper, com o foco em uma Sociologia do Corpo e uma Ecologia da Imagem.
O diálogo com tais mestres, que se estendeu à época de retomada de minhas atividades docentes e às mais de duas décadas seguintes, viria a influenciar decisivamente o olhar sobre os meios de comunicação.
Quando, ao final dos anos 90, como Diretor da Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUCSP, propus a criação de dois novos cursos pioneiros, Comunicação e Artes do Corpo, bem como Comunicação em Multimeios, materializava-se um projeto de Ciências da Comunicação que engloba as mediações primárias (o corpo e suas linguagens), as secundárias (os registros e sinais deixados sobre outros suportes, a imagem, a escrita) e as terciárias (os aparelhos de comunicação que operam em redes, a telefonia, radiofonia, a tv, a web, etc.).
As atividades do Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Semiótica da Cultura e da Mídia (CISC), desde 1992, permitiram tanto o cultivo do diálogo com os já mencionados pensadores Dietmar Kamper, Harry Pross e Ivan Bystrina, mas a realização de inúmeros eventos científicos com outros pensadores da Comunicação e da Cultura, como Vicente Romano, Ryuta Imafuku, Gunter Gebauer, Christoph Wulf e muitos outros.
Os cursos ministrados como professor convidado pleno nas Universidades de Sevilha e Viena, mais o estágio de pesquisa de pós-doutorado sob a supervisão de Hans Belting, no Centro Internacional de Pesquisas em Ciência da Cultura, em Viena, demonstraram como a expansão dos enfoques investigativos das Ciências da Comunicação pode desenvolver novas habilidades para as velhas habilitações e abrir novas perspectivas e novas habilitações profissionais.
Enfoques
Alguns novos enfoques vêm se desenvolvendo nas últimas décadas sob o guarda-chuva das Ciências da Comunicação, advindos do diálogo transdisciplinar com áreas adjacentes. A alguns desses novos enfoques tenho dedicado minha pesquisa nas últimas décadas:
Pincípios universais de codificação da comunicação e da cultura humana
Comunicação e imaginação,
Mídia primária, secundária e terciária
Sonho, jogo, estados alterados e variantes psíquicas como raízes da cultura;
Violência e Visibilidade
Ontogênese e Filogênese da Comunicação Humana
Ecologia da Comunicação
Teoria da imagem, das funções cultuais às funções mediáticas
Sujeitos e objetos hipnógenos nos processos de comunicação
Comunicação vertical e comunicação horizontal
Comunicação: vinculação ou informação?
Iconofagia: as imagens devoram os corpos?
A comunicação pelos cinco sentidos (mais a propriocepção)
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