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Lucrécia D'Alessio Ferrara
1. Temática de pesquisa:
Procura-se desenvolve a análise de manifestações empíricas do espaço bidimensional, tridimensional, social e ambiental considerando as propriedades dos seus suportes e seus alcances midiáticos e interativos.
2. A presença da comunicação enquanto área de pesquisa:
Estuda-se o espaço como cenário e ator de processos comunicativos nas suas dominantes relacionais, vinculativas e veiculativas e nas características da sua presença enquanto suporte, mídia e interação.Enquanto suporte, o espaço está presente em veículos gráficos, audiovisuais ou digitais; enquanto mídia, opera em interface com os signos visuais e/ou cinéticos que caracterizam várias manifestações comunicativas; enquanto mediação, interfere na emergência de fluxos sociais e culturais responsáveis pela mundialização da cultura nas dinâmicas globais e locais que caracterizam as últimas décadas do século XX até nossos dias.
3. Objetos pesquisados:
Entendendo-se que, enquanto objeto de pesquisa, o espaço é um híbrido que se altera conforme a natureza das características técnicas ou tecnológicas que lhe dão suporte mas sobretudo, conforme os processos interativos que faz emergir e produz realidades comunicativas mistas, estuda-se o espaço bidimensional nas suas manifestações de desenho e design; o espaço tridimensional nas suas características ambientais e sociais urbanas; o espaço cinético nas dimensões culturais e midiáticas que podem derivar da natureza dos suportes eletrônicos e digitais.
4. Principais bases teóricas:
As novas tecnologias da comunicação levaram à sobreposição espaço/tempo que alterou, não só o mapa do mundo, mas também, as estruturas comunicativas que se estabeleciam em conexões e justaposições e, agora, manifestam-se em estruturas fragmentadas e complexas.(Ianni/Ortiz). Ou seja, trata-se de bases comunicativas mundiais, propostas a uma percepção situada: sobrepõem-se o global e o local, o espaço e o tempo, o físico e o social. Paradoxalmente, o virtual se dá nos lugares e entre os lugares e se faz vivo no corpo das relações que se estabelecem socialmente. (Santos, Harvey, Hall, Giddens, Bauman)
A sobreposição espaço/tempo coloca novos desafios para todos que procuram definir paradigmas que permitam entender, analisar e interpretar como as estruturas comunicativas mundializadas constroem/destroem/reconstroem a cultura assumida pela tradição. Como hipótese, esses paradigmas estabelecem que aquelas estruturas exigem múltiplas estratégias e uma semiótica dialogante (Bakhtin/Lotman) que incorpore, na mesma tensão produtiva, sua matriz sintática e seu interpretante. (Peirce, Morin, Prigogine), sua ação e cognição coletivas (Virilio, Levy, Kerckhove).
Em termos investigativos, é indispensável, de um lado, superar qualquer análise apocalíptica (Adorno, Habermas) da tecnologia e, em nossos dias, da mundialização que nos levaria a negar, repelir ou subestimar a existência de novas estruturas comunicativas e, sobretudo, dos novos espaços que promovem e expandem as relações culturais. De outro lado, é indispensável resistir a uma integração sem crítica (Eco) e enfrentar a complexidade teórica, analítica e, sobretudo interpretativa da nova realidade espacial contemporânea. |