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Ana Claudia Mei Alves de Oliveira
Professor titular da PUCSP desde 1995
Ingresso PUCSP: COS, desde 1990
Ingresso na PUCSP em março de 1976
I. Perspectivas de pesquisa e objetos de estudo
1. Graduada em Publicidade e Propaganda (ESPM) e Letras (PUCSP:COMFIL), ao longo desses anos de atuação no PEPG em Comunicação e Semiótica, tenho pesquisado no âmbito da publicidade campanhas de produtos, marcas e empresas, com o propósito recorrente de sistematizar procedimentos semióticos para a construção da identidade de produtos e marcas. O eixo da abordagem semiótica é a determinação dos valores contidos nas narrativas predominantemente figurativas e passionais, investigando as temáticas recorrentes e os procedimentos enunciativos para estudo das manifestações das formas de gosto, de aprazer-se, dar prazer e dos modos e estilos de vida. Do inventário das qualidades inerentes dos arranjos da expressão, investiga-se as correlações com os dos efeitos de sentido. No âmbito das sensações propiciadas nos distintos tipos de interação com o produto, ou com os textos publicitários sobre o produto, objetiva-se o estudo do componente estésico com a visada de exploração das ordens sensoriais nos modos do produto e suas apresentações agir sobre o corpo do sujeito. O propósito é investir em uma “gramática da estesia” do fazer do produto que faz o sentir sensível do consumidor. De um lado, esse propósito centra-se nos aspectos objetais do contato físico, intersomático e sensitivo do consumidor com o produto e os discursos publicitários que o encenam, de outro lado, nos tipos de encontros entre produto e os consumidores inseridos no discurso, os enunciatários, identificando os aspectos subjetivos, que operam a transformação do produto, um objeto, em sujeito. No seu conjunto, essa orientação de pesquisa tem o propósito de levantar nos discursos a configuração do quadro de valores dos produtos, a partir da problematização de quais são os papéis do objeto no universo cultural da sociedade de mercado contemporânea.
1.1. Detalhamento das pesquisas em curso
1.1.1. Em função da natureza verbo-visual e audio-visual do texto publicitário à pesquisa global desenvolvo levantamento, identificação e sistematização dos tipos de articulação dos distintos sistemas no plano de expressão (denominado em semiótica por sincretismo da expressão) a fim de processar o todo de sentido do texto. Objetivando uma descrição da dimensão plástica das manifestações textuais, o propósito da investigação é determinar os procedimentos de articulação sincrética, os papéis do sincretismo na produção dos efeitos de sentido dos textos midiáticos, assim como determinar os tipos de correlações entre sincretismo e estratégias enunciativas para instalar quer os procedimentos de convencimento do enunciatário pelo enunciador, quer os procedimentos de ajustamento de um a outro na e pela interação. A hipótese que testamos é a do papel fundamental do estésico, produzido pela esteticidade do arranjo plástico da expressão, nos discursos publicitários e midiáticos. Buscamos descrever as sinestesias montadas pelos tipos de encadeamento das ordens sensoriais na produção da significação guiados pela hipótese de que os textos publicitários construídos para as várias mídias desempenham antes de qualquer função cognitiva, uma função de sensibilização coletiva, de fazer sentir o estar junto em ato no e pelo discurso.
1.1.2. Com preocupações similares, desde 1993, tenho investigado as relações entre a moda e a arte, assim como entre a moda e história tecnológica da indústria têxtil e, em especial, entre moda e modos de vida, explorando os tipos de correlações entre plástica do corpo e plástica da moda, a fim de observar nestas interações os papéis dos distintos tecidos com as suas qualidades plásticas, assim como das novas tecnologias empregadas na roupa. Além de estudar os tipos de sincretismos entre os sistemas - corporal e vestimentar - o interesse concentra-se no processo por meio do qual as distintas manifestações se interconectam e os tipos dessas interconexões, examinando como essas exercem um papel na constituição do sujeito a partir de seu corpo e de uma aparência que o fazem ser e ter modos de presença social. Correlacionar modos de presença e modos de formação identitária da moda na construção de sujeitos individuais e coletivos é o núcleo central dessa ramificação da pesquisa geral
1.1.3. No âmbito da vida cotidiana do sujeito contemporâneo em que todas as investigações convergem, investigo objetos vários tomados nas suas alocações contextuais. Desenvolvendo uma semiótica das situações centrada na sociossemiótica, tenho investigado, nas práticas sociais, fazeres e ocupações habituais que edificam interações familiares e hábitos como brincar com boneca, conduzir um carro, beber café, beber cerveja, ler jornal, revista, vestir-se com marcas, griffes, objetivando dar conta tanto do estudo da significação do universo objetal quanto do universo subjetal na interação interpessoal e identitária do sujeito e o objeto de consumo e/ou a prática social. As formas de consumo na contemporaneidade e os regimes de interação que produzem recobrem essa pesquisa iniciada em 1989, com o pós-doutoramento publicado Vitrinas, acidentes estéticos na contemporaneidade (São Paulo, EDUC, 1997), desenvolvido na França, na EHESS, sob a orientação de A.J. Greimas.
1.1.4. As manifestações estéticas das mídias, em especial a do jornal, e aquelas das artes interessam-me também a partir da exploração dos constituintes estésicos dos arranjos da expressão dos textos, das qualidades que a articulação dos vários constituintes encadeiam e os modos deles ser sentidos decorrentes dos tipos de interação que produzem. O propósito é determinar os modos de articulação das ordens sensoriais envolvidas na apreensão sensível, as formas de sentir e, em particular, examinar a constituição matérica específica, para estabelecer as interligações entre regimes de sentido e regimes de interação.
II. Perspectivas teóricas e autores
A perspectiva teórica e metodológica da minha pesquisa sobre a construção da identidade dos textos midiáticos em seus desbobramentos interconectados centra-se na semiótica discursiva desenvolvida na França por A.J. Greimas e seus colaboradores, em particular, a sociossemiótica de E. Landowski que estabelece as bases dos regimes de visibilidade, de interação e dos procedimentos de construção de identidade, assim como a semiótica plástica de J.-M. Floch basilar na análise da constituição da expressão das manifestações nos seus formantes matéricos, eidéticos, cromáticos e topológicos. Acresce-se a esses aspectos teóricos, o detalhamento dos mecanismos enunciativos realizados por J.L. Fiorin para o verbal, M. Hammad para o espaço e J.M. Floch para o visual. Os semioticistas formados por essa primeira geração que se voltam para os textos midiáticos, como A. Semprini, F. Marschiani, G. Marroni, I. Pezzini, entre outros, são referências bibliográficas da minha pesquisa.
Por essa caracterização, a semiótica que praticamos e colaboramos para o seu desenvolvimento, enquanto disciplina com rigor científico, é construída como uma teoria ancilar da Comunicação. Ainda, minha pesquisa tem forte embasamento das teorias e histórias da arte, assim como do desenvolvimento dos materiais e tecnologias, sendo autores de referência Saussure, Hjelmeslev, Benveniste, Mauss, Lévi-Strauss, Simmel, Merleau-Ponty, Leroi-Gourhan, Argan, Gombrich, de Meridieu, Warburg, Wolfflin, Woringer, Read, Riegl. |