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Christine Greiner
É doutora pelo Programa de Comunicação e Semiótica da PUC, onde coordena o Centro de Estudos Orientais. O projeto de pesquisa, concebido em parceria com a professora Dra Helena Katz, está inserido na linha de pesquisa Epistemologia da Comunicação e trata do desenvolvimento da "teoria do corpomídia e seus desdobramentos políticos".
O objeto de estudo são as epistemologias do corpo que vêem sendo investigadas a partir de cruzamentos entre autores que trabalham com grades teóricas distintas, mas temáticas correlatas.
A bibliografia inclui obras da Filosofia da Mente e das Ciências Cognitivas que vêem explorando: (1) a questão da aliança entre natureza e cultura, a cognição corporificada e as metáforas do pensamento (Ilya Prigogine e Isabelle Stengers, Steven Pinker, George Lakoff e Mark Johnson);(2) as mudanças de estado corporais a partir da construção de imagens, sentimentos e emoções (António Damásio); e as investigações acerca dos princípios do movimento e da consciência como ignições para os processos de comunicação com o ambiente (Maxine Sheets-Johnstone, Rodolfo Llinás e Alain Berthoz).
A chave da pesquisa é relacionar estes tópicos com ensaios críticos que vêem discutindo modos e estratégias de poder no âmbito da cultura (Giorgio Agamben, Aijar Ahmaz, Peter Pal Pelbart, Zlavoj Zizek e Michel Foucault), elucidando a relação de um corpo com o outro e as novas concepções de comunidade com caráter dinâmico e não homogêneo. O entendimento do corpo decorrente destas pontes epistemológicas evidencia que o corpo não é instrumento ou objeto de algo ou alguém, mas processador de laços comunicativos. Encontram-se afinidades com outras pesquisas realizadas, sobretudo, a partir da década de 80 em diferentes países. (e.g: Kuriyama 1999, Berque 2005, Bernard 2003)
Como resultado deste projeto, além dos artigos escritos em parceria com a professora Katz, deve ser destacado o livro "O Corpo, pistas para estudos indisciplinares", publicado em janeiro de 2005, para apresentar os prolegômenos do estado da discussão.
No Centro de Estudos Orientais, os estudos do corpomídia também são o ponto de partida para entender a comunicação entre culturas, a partir dos processos de mediação chamados por Homi Bhabha de "entre-lugares", característicos dos nomadismos no mundo pós-colonial. Nestes casos, tem-se analisado o "corpo situado" a partir do estudo de experiências performáticas, marcadas pelas relações entre Japão e Ocidente e exploradas por orientandos envolvidos na pesquisa a partir de diferentes objetos de estudo (cinema japonês, animé, teatro, dança e cidades).
A escolha do Japão não exclui outras culturas asiáticas e do Oriente Médio, mas decorre da trajetória acadêmica da professora que, nos últimos dez anos, teve a oportunidade de desenvolver pesquisas, a partir de duas bolsas de estudo da Fundação Japão, para a Universidade Kinki de Osaka e para a Universidade de Tóquio, onde realizou um pós-doutorado de três meses; e a realização de um estágio como professora-visitante no Centro Nichibunken de Kyoto (dezembro 2005 - março 2006).
A partir destes contatos, foram desenvolvidos intercâmbios que possibilitaram a vinda de oito professores do Japão para o Brasil e a participação em encontros com temáticas afins, realizados sobretudo na França (CND e Universidade Paris 8) e nos Estados Unidos (Florida International University e School of New World).
Três estratégias principais permeiam as reflexões que vêem sendo desenvolvidas atualmente no Centro de Estudos Orientais: (1) análise crítica de campos epistemológicos questionados a partir das migrações conceituais entre Oriente e Ocidente, sobretudo no que diz respeito aos processos de representação, como aparecem por exemplo na imprensa durante as coberturas de guerras e atentados terroristas (2) estudo de experimentos artísticos que rediscutiram corpo e identidade a partir de contaminações, sobretudo com o Japão, cuja aptidão antropofágica diante da aparente dominação cultural de outros países, evidencia conexões latentes com o Brasil (3) identificação de operadores cognitivos (referentes sobretudo a hábitos e crenças), usados estrategicamente para manter a estabilidade de comportamentos e dicotomias conceituais, sobretudo no que diz respeito aos cortes simbólicos aprofundados após a segunda Guerra Mundial, em relação ao Oriente Médio. |