
Tudo o que conhecemos da semiótica russa diz respeito tanto às investigações teóricas quanto às experiências artístico-culturais já contam com quase um século de história. Curiosamente, os primeiros trabalhos surgem na Rússia mesma época em que a própria semiótica ainda lutava para se firmar como teoria geral dos signos. Dentre os trabalhos precursores, encontram-se algumas formulações antropológicas do século XIX, o sincretismo primitivo; experimentos da primeira metade do século, como o formalismo russo, a arte do cubo-futurismo e as pesquisas lingüísticas do círculo de Moscou; a teoria do dialogismo do círculo intelectual de Mikhail Bakhtin; e tudo o que produziu Roman Jakobson. A tendência para a prática interdisciplinar e o compromisso com a investigação nas mais variadas esferas da vida cultural definem a semiótica russa como semiótica da cultura. Tornada disciplina teórica para os estudos sobre a diversidade dos fenômenos culturais, a semiótica russa fez escola no sentido mais amplo do termo. Hoje, quando se fala em semiótica russa, fala-se em semiótica da cultura e em escola de Tártu-Moscou. Em vez de buscar os fundamentos da cultura, a semiótica russa optou por compreeder os mecanismos geradores dos signos na cultura. Para isso, manteve-se atenta aos procedimentos com os quais o circuito da arte-ciência-técnica convulsiona as tradições alterando constantemente a ordem dos fenômenos culturais.
