
Semiótica da cultura é uma disciplina teórica dos estudos russos. Constituiu-se no Departamento de Semiótica da Universidade de Tártu, Estônia, nos anos 60, em meio aos encontros da ''Escola de verão sobre os sistemas modelizantes de segundo grau'', reunindo professores da universidade local e também de Moscou. Explorando fronteiras com vários campos do conhecimento, deriva seus princípios da Lingüística, da Teoria da Informação e da Comunicação, da Cibernética e, evidentemente, da Semiótica. O impulso básico da disciplina foi dado pela necessidade de entender a comunicação como sistema semiótico e a cultura como um conjunto unificado de sistemas, ou melhor, como um grande texto. Para isso, os semioticistas reelaboraram o conceito de língua, sem o qual seria impossível estender a noção de linguagem a uma diversidade de sistemas como mito, religião, literatura, teatro, artes, arquitetura, música, cinema, moda, ritos, comportamentos, enfim, os códigos e sistemas semióticos da cultura. Tão importante quanto o conceito de língua é a concepção semiótica de código. Com base nessas noções, o relacionamento dinâmico entre os sistemas da cultura foi definido como um processo de modelização, segundo a qual a cultura é entendida como texto e a comunicação, como processo semiótico. A evolução dos conceitos, durante as duas décadas de trabalhos sistemáticos, evidencia como, no interior da disciplina, se organizaram instrumentos teóricos potenciais de uma ecologia cognitiva. Na verdade, tal o horizonte que orientava a investigação do grande mestre de Tártu, o estoniano Iuri Lotman. A disciplina homônima, ministrada no Programa de Estudos Pós-Graduados da PUC-SP, procura conservar o caráter geral dos estudos russos, examinando, problematizando e reposicionando seus conceitos centrais, tornados aqui instrumentos críticos para a compreensão dos diversos sistemas da cultura, bem como dos problemas colocados para a cultura contemporânea. Com isso, valoriza-se o trabalho de seus principais teóricos, recuperando a vasta bibliografia já traduzida em línguas ocidentais. A disciplina abrange, portanto, dois campos de trabalho: um de investigação teórica (módulo I) e outro de análise aplicada (módulo II). Módulo I: Semiótica da Cultura: Conceitos elementares da semiótica russa A investigação teórica procura compreender e problematizar questões tais quais: os conceitos de cultura, de sistema e de modelização; a língua natural como sistema modelizante; a abordagem semiótica da cultura centralizada no conceito de código e de texto; os códigos culturais como sistemas modelizantes de segundo grau; as noções de texto e de não-texto na cultura; a interdisciplinaridade das tradições científicas nos estudos russos; a cultura planetária e sua semiosfera. Módulo II: Seminários de semiótica aplicada: Análise dos códigos, sistemas e gestões culturais Os seminários de análise aplicada têm por objetivo entender as diferentes gestões do conhecimento e os diferentes códigos e sistemas. Artes, desenho, símbolos; mito, folclore, religião, comportamentos; ritos, festas, dança, performances; teatro, cinema, rádio, televisão; moda, urbanismo, design; poesia, música, canção, literatura; jornal, publicidade, marketing, telecomunicações; corpo, genes, chips, redes. Eis alguns dos códigos e sistemas para os quais é possível se dirigir a análise aplicada. Com isso os sistemas e os códigos passam a ser observados como sistemas correlacionais, onde, modelização é processo semiótico por excelência. A disciplina apresenta-se, igualmente, como um fórum de debates voltado para o intercâmbio com teorias que se expandiram a partir das descobertas de Tártu. Para alimentar esse diálogo, estabelecemos um contato permanente com todos os estudos contemporâneos que criaram seus links na web.
