Semiotica da Cultura

 

DESIGN COMO SISTEMA MODELIZANTE

por Fátima Ap. dos Santos

(Disponível na rede desde 12/98)

 

O que há de semiótica em design e qual a sua relação com Semiótica da Cultura?

A resposta a essa questão esbarra em alguns problemas por isso, há que se perguntar antes o que é design. Design hoje é um termo empregado em muitos locais e a utilização deste termo nem sempre condiz com o verdadeiro sentido do design. Então o que pode ser considerado design? Hoje o significado do termo design implica o conceito de conforto, de adequação, de beleza. A função básica do profissional de design seria adequar a produção da indústria ou do homem ao próprio homem modelar toda a produção ao homem de forma que esse se sentisse confortável ao utilizar esses recursos. Uma vez resolvidos os problemas ergonômicos, podemos dizer que hoje mais do que tornar uma produção em qualquer meio confortável ao homem o papel fundamental do designer é causar a impressão de que determinado produto é realmente confortável, confiável, utilizável. Sendo assim basicamente design seria a tentativa de significar algo, seja no campo da construção de mensagens visuais ou na construção de objetos.

A multiplicidades de fatores que hoje fazem parte do objeto de estudo do design nos leva a optar por alguns deles para responder o problema proposto acima. Quando observamos uma embalagem de um produto sua forma, suas cores, seus elementos gráficos tentam exteriorizar o valor do seu conteúdo, sendo assim descobrimos na embalagem a necessidade de significar um conteúdo, o conjunto de textos (sejam eles verbais, pictóricos ou sensoriais).

A necessidade do homem de criar códigos que o explicassem acabou por gerar o design. A necessidade de comunicação o entre os homens e os diversos sistemas ou materiais que o rodeiam deram origem a multilplicidade de códigos que hoje formam o conceito de design. É a partir dessa multiplicidade que o design se constitui como sistema modelizante. Quando falamos de fashion design (design de moda), tocamos neste ponto limite entre o homem e o mundo. A constância da palavra significar nos exemplos dados acima acabam justificando o vínculo entre design e semiótica.

Pensar em design como sistema modelizante nos leva a procura do código do design. Quais são as letras desse alfabeto? Onde é que se esconde aquela estrutura do design que ninguém vê mas que dá formato a todas as suas mensagens? Para construir uma mensagem em design é necessário colher letras das mais váriadas estruturas, procurar no gesto, no traço, na fala, na escrita, na escrita da escrita. Às vezes é necessário decompor uma linguagem pegar uma ínfima parte dela e misturá-la com outras tantas para se fazer design, para se escrever design. É como se se precisasse conhecer todas as linguagens para escrever design, e as pessoas que irão ler essa construção sígnica não têm que necessariamente conhecer todos os códigos, pois um é somente ele mas em conjunto pode atribuir a construção o poder de significar ainda mais.

Fashion Design

Tradução do corpo, do estado de espirito, da posição social, do pertencer ou não, a moda pode ser considerada o mais importante elemento simbólico da condição humana, cujo código principal seria a constante mundança. Em virtude dessa constante mudança ocorre a revisitação de elementos históricos e intercâmbio com outros sistemas sígnicos que lhe fornecem elementos. No começo do século por exemplo a moda se espelha em movimentos como cubo-futurismo e o construtivismo. Porém, quando falamos em fashion design podemos observar a ênfaze na constância da mudança. É como se pegássemos o código básico da moda e o levássemos ao extremo. Fashion design nada mais é do que um sistema modelizante de segundo grau dentro da moda, que empresta de vários outros sistemas elementos e os reinventa.

 

1. Clube dos Trabalhadores - Design de A. Rodchenko, exibido na Exposição de Arte Decorativas de Paris, 1925. in Camilla Gray. The Russian Experiment in Art 1863-1922. London:Thames & Hudson, 1996:262.
2. Cadeira tubular em aço e assento em borracha - V. Tatlin, c 1927. in Camilla Gray. The Russian Experiment in Art 1863-1922. London:Thames & Hudson, 1996:26.
3. Xícara de chá desenhada para State Pottery, Leningrado, c 1920, K. Malevich. in Camilla Gray. The Russian Experiment in Art 1863-1922. London:Thames & Hudson, 1996:249.
4. Bule de chá desenhado para State Pottery, Leningrado, c 1920, K. Malevich. in Camilla Gray. The Russian Experiment in Art 1863-1922. London:Thames & Hudson, 1996:249.


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