O texto das mensagens digitais.

O texto digital é, antes de mais nada, um documento de circulação social. Uma vez lançado na rede, torna-se uma publicação, pronta para ser lida, discutida, alterada. Também é algo que se oferece como troca, interação. Mistura de oralidade e escritura; de exposição argumentativa e de conversa; o documento dessa natureza, por mais pessoal que seja, é um registro escrito de acesso ilimitado, mesmo em termos de lista de discussão. Nesse sentido, o texto se orienta, de um lado, pela liberdade da prosa, de outro, pela formalidade da escrita. Uma conversa escrita com a mediação do meio digital. Esses são os limites que não podem ser desconsiderados pelos assinantes da lista quando da elaboração-edição de seus textos.

Os documentos digitais são, contudo, um tipo particular de publicação: trata-se de uma edição de textos que formam um conjunto intertextual: cada mensagem é apenas elo de uma cadeia maior; não é um organismo independente. Um documento está sempre relacionado com um outro; pressupõe um outro. Define-se, portanto, como um ''campo'' de negociação. Nele estão situadas algumas proposições que serão discutidas num fluxo que não se sabe direito onde vai chegar. Os documentos assim concebidos são unidades móveis, criadoras do elo discursivo entre os membros de uma comunidade.

O texto de uma discussão on-line é um documento digital cujas características textuais devem estar ao alcance de todos que desejam publicar suas mensagens.

  1. O texto deve ser objetivo, confeccionado com as formas discursivas em circulação no grupo. Deve ser claro, evitar rodeios. Via de regra é escrito em primeira pessoa e nomeia diretamente seu interlocutor, seja ele um assinante ou o autor de algum texto. As citações, no caso, serão sempre interpretativas, pois nela reside o centro da discussão.
  2. É preciso ir direto ao assunto e deixar as contextualizações para um segundo momento. Sabemos que os assinantes de CULTCODES são alunos e profissionais com suas ocupações. Não somos surfistas que se movem de acordo com as ondas, somos navegantes no sentido grego do termo: navegamos segundo os rumos que possam nos conduzir ao conhecimento. Temos propósitos e finalidades acadêmicas, logo, é preciso muito esforço para que o máximo de objetividade se traduza em máximo de produtividade.
  3. O eixo básico do texto deve ser: informação + conhecimento. Os exercícios polêmicos devem, igualmente, ser contribuições para a ampliação das focalizações e posicionamentos.
  4. O texto deve se constituir em mini-ensaios com larga conjugação de reflexão e crítica; com riqueza de hipóteses e argumentos; com grande capacidade dialógica e de análise do discurso do outro.
  5. Graças ao discurso analítico as idéias se constituem num fluxo e os textos, num documento digital

 

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