I SIMPÓSIO NACIONAL DE PESQUISADORES EM
COMUNICAÇÃO E CIBERCULTURA

Versão para Impressão Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Programa de Estudos Pós-Graduados
em Comunicação e Semiótica


CENCIB
Centro Interdisciplinar de Pesquisas
em Comunicação e Cibercultura



RESUMOS

INFORMAÇÃO E INTERAÇÃO ATRAVÉS DA MICROMÍDIA DIGITAL: BLOGS, PODCASTING, VCASTING, WIKIS, JORNALISMO OPEN SOURCE, RSS

Alex Primo (UFRGS)

Resumo – A partir da definição do conceito de micromídia digital, pretende-se discutir o impacto social da produção de blogs, podcasts, vcasts, wikis e de sites de jornalismo open source. Tais reflexões se darão a partir de um contraste da micromídia com a comunicação de massa. Além disso, pretende-se debater como o recurso RSS (Real Simple Syndication) contribui para a circulação de informações e como pode promover/limitar as interações no ciberespaço. Esta conferência não se limitará às novas possibilidades de publicação, dando especial atenção às interações interpessoais mediadas por aqueles recursos.

Palavras-chave – Interação mediada por computador, micromídia, podcasting, blog, wiki, jornalismo open source.

CIBERCULTURA E CONTEMPORANEIDADE: EMISSÃO, CONEXÃO, RECONFIGURAÇÃO

André Lemos (UFBA)

Resumo – Busca-se compreender, sob o prisma de uma fenomenologia do social, as principais características da cibercultura na contemporaneidade, tendo como princípios básicos três características fundamentais do atual processo tecnológico, a saber: a liberação do pólo da emissão, o princípio em rede e a reconfiguração da paisagem comunicacional. Esse tripé tem como pano de fundo uma mudança social na vivência atual do espaço e do tempo. O objetivo dessa conferência é compreender a cibercultura contemporânea e sua interface com a cultura e a sociedade contemporâneas onde serão analisados alguns fenômenos atuais como: a era da conexão sem fio (celulares, SMS, bluetooth, RFID, Wi-Fi); as práticas comunicacionais como os blogs, os podcasts, os vlogs; as trocas peer to peer; as relações sociais no ciberespaço com chats, fóruns e softwares sociais (“Orkut”, “Multiply”); os softwares de fonte aberta e a cultura copyleft; a arte eletrônica interativa e colaborativa; as questões políticas emergentes com a cibercidadania, o ciberativismo e o “hacktivismo”; as transformações morais e éticas envolvidas na manipulação, na vigilância e no controle social.

Palavras-chave – Cibercultura, comunicação, sociedade.

A ENGENHARIA DA COMUNICAÇÃO NA CIBERARTE: SOFTWARE ARTE E OS MODOS DE COMUNICAR

Diana Domingues (UTP - UCS)

Resumo – O aparato tecnológico ocupa o centro vivo da cultura e regula as formas de comunicação em todas as épocas. Na Cibercultura, o domínio da Software Arte é oficialmente implantado no circuito cultural nos anos 2000. O artista-engenheiro atua no processo de produção adequando e transformando o aparato tecnológico para a cibercomunicação. Nesse contexto, a Ciberarte, arte orientada à ciência, insere-se numa engenharia da cultura (Cox&Krysa) e retoma premissas de Benjamin do author as producer. No design de interface, o artista estrutura a comunicação com sistemas interativos, baseados em leis científicas e em avanços técnicos, para as conexões no ciberespaço. Numa hermenêutica performativa, com o observador incluído no sistema, são ativados “modos de usar” (Huhtamo) e não mais somente “modos de ver” (Berger). Práticas colaborativas de artistas e cientistas desenvolvem interfaces que reconfiguram a condição humana em estados de seamless, ou sem emendas, ao ciberespaço, pela imersão multissensorial (feedback e biofeedback), pelo nomadismo e ubiqüidade na rede, pela mobilidade das tecnologias wireless e ainda pela segunda interatividade, por auto-organização e autonomia de sistemas que simulam inteligência e vida artificial. A engenharia da comunicação e o potencial de hardware e software especulativo (Rheingold) são discutidos em produções artísticas interativas que redesenham a comunicação por intervenções estéticas e sociais no circuito público.

Palavras-chave – Aguardando remessa

CIBERCULTURA: UM NOVO SABER OU UMA NOVA VIVÊNCIA?

Elizabeth Saad Correa (USP)

Resumo – Pretendemos abordar o impacto da cibercultura no cotidiano de nossa sociedade, partindo de uma breve revisão histórica do entranhamento da comunicação com tecnologias e chegando até o advento e utilização global das TIC’s. Entendemos, com isso, que o cotidiano das pessoas – em maiores ou menores graus de acesso, passa a incorporar uma série de aparatos tecnológicos que são “impostos” para uma vida em sociedade. À medida em que os indivíduos passam a se comunicar (também se divertir, trabalhar, estudar) de forma assídua através de aparatos tecnológicos digitais, conectados em rede, cada vez mais seu cotidiano vai se transferindo para um ESPAÇO coletivo e intangível para a realização de mediações, trocas e transações. Neste espaço vai se percebendo que as fontes emissoras ficam muito impessoais, quase não-identificáveis, que existe pouca diferença entre emissor e receptor e que o próprio corpo se transforma numa senha pessoal e intransferível. Tomaremos como pressupostos que: as formas de sociabilidade têm estreita e indissolúvel relação com os processos de comunicação do homem; e que quando tais processos ocorrem através de ambientes mediados por TIC’s estamos vivenciando uma manifestação “cibercultural”. Trataremos das diferenciações conceituais entre ciberespaço e cibercultura; do imaginário e das práticas comunicacionais da cibercultura; e do imaginário que se configura num cenário de uma futura era pós-digital.

Palavras-chave – Cibercultura, práticas comunicacionais, imaginário cibercultural.

HIGH TECHNÉ: DESIGN, COMUNICAÇÃO E UTOPIA NA CIBERCULTURA

Erick Felinto de Oliveira (UERJ)

Resumo – Este trabalho parte da discussão da cibercultura como uma formação cultural, para então mapear suas conexões com os campos da estética, da Comunicação e do consumo. A cibercultura pode, nesse contexto, ser entendida como uma estética e um imaginário da "alta tecnologia", que faz apelo a valores como "transparência", "espiritualidade" e "modernidade" para engendrar um imperativo social: a necessidade de constante consumo e atualização tecnológica por parte dos usuários.

Palavras-chave – Cibercultura, comunicação, estética, design, utopia, consumo.

COMUNICAÇÃO E CIBERCULTURA: POR UMA ARTICULAÇÃO NACIONAL DE UM NOVO CAMPO CIENTÍFICO INTERDISCIPLINAR [Discurso oficial de abertura do Simpósio]

Eugênio Trivinho (PUC/SP)

Resumo e palavras-chave – A serem sistematizados

PARA QUEM QUISER VER: INTIMIDADES PÚBLICAS E PREVISÕES DE IDENTIDADE NA CIBERCULTURA

Fernanda Bruno (UFRJ)

Resumo – Assistimos a uma progressiva expansão dos dispositivos de visibilidade na cibercultura. Analisaremos duas faces desta tendência no ciberespaço: a exposição da intimidade em weblogs, fotologs e webcams e o monitoramento de ações e comunicações dos indivíduos na Internet e sua simultânea conversão em informações que irão compor bancos de dados e perfis computacionais que buscam antecipar preferências, tendências, escolhas, traços psíquicos, comportamentais ou orgânicos de inúmeros indivíduos ou grupos. No primeiro caso, efetuaremos um contraste entre as imagens do íntimo produzidas na Modernidade (especialmente na fotografia e na pintura) e aquelas que hoje são disponibilizadas em weblogs, fotologs e webcams. Pretende-se aqui compreender as mudanças na experiência da intimidade e do olhar do outro, que deixam de corresponder aos domínios privado e público respectivamente, para residirem juntos numa mesma ‘cena’. No segundo caso, realizaremos um breve mapeamento de certos sistemas de vigilância hoje inscritos nos próprios sistemas de coleta, registro e processamento de informação no ciberespaço, tendo em vista apontar para uma política de antecipações e previsões de identidades presentes nos algoritmos de composição de bancos de dados e de perfis computacionais.

Palavras-chave – Visibilidade, intimidade, público/privado, vigilância, identidade, cibercultura.

BLOG, A MÍDIA DO ÍNTIMO E DO PRIVADO

Francisco Coelho dos Santos (UFMG)

Resumo – Criaturas da Internet, os blogs compõem um fenômeno que torna manifestos alguns dos traços mais marcantes dos tempos que correm. Tempos em que, na falta de quadros de referência estáveis e fiáveis, associada a uma desconfiança crescente em relação à idéia de representação, cada um prefere falar por si próprio, acreditando que o testemunho de cada individualidade vale tanto quanto o de qualquer outra. Tempos em que o íntimo abandona suas reservas e insiste em se fazer público, assim como a subjetividade quer se expor, objetivando-se para quem se proponha a observá-la. Passando dos 40 milhões em todo o mundo, os blogs potencializam uma das principais características da rede: eles se constituem em vetores de fenômenos coletivos de agregação praticamente imediata, que assumem freqüentemente a feição de uma ação social de amplitude planetária, com importantes implicações. Impiedosas, quando corrigem os que criam estar autorizados a explicar a marcha do tempo; perigosas, quando difundem informações inverídicas; mas sempre úteis, quando precisam ou retificam. Daí todo o interesse num inventário, mesmo breve, do que os blogs indicam ou denunciam, justamente o que o trabalho pretende realizar.

Palavras-chaveBlogs, mídia, íntimo, privado, público.

PERSPECTIVAS METODOLÓGICAS DA PESQUISA EM CIBERCULTURA

Francisco Rüdiger (PUC/RS)

Resumo No final dos anos 1990, a cibercultura firmou-se como campo de pesquisa dos estudiosos da cultura e da comunicação. O presente trabalho se propõe a examinar as condições epistêmicas em que ocorre essa instalação e como elas interferem no espaço ou dimensão da crítica. Embora se possam indicar tendências, defende-se que é vão pensar que elas imporão métodos e se pautarão por uma idéia de ciência. A cibercultura é mediada por um pensamento em que essas categorias se dissolvem e no âmbito do qual a própria atividade crítica, responsável pela sustentação daqueles elementos, passa por séria crise e se vê forçada a repensar sua condição, se deseja continuar sendo tal, crítica (no caso, da cibercultura).
Palavras-chave – Cibercultura: métodos de pesquisa, cibercultura: epistemologia.

ACASO 30 E COZINHEIRO DAS ALMAS: 2 PROJETOS RECENTES

Gilberto Prado (USP)

ResumoAcaso 30 é uma instalação interativa em lembrança aos mortos na chacina da baixada fluminense, ocorrida em 2005. Com as pessoas no espaço, são geradas zonas de tensão que fazem com que as ações dos corpos nus projetados reajam diretamente à aproximação e afastamento dos espectadores. Cozinheiro das Almas é um game que está sendo realizado pelo Grupo de Pesquisa em Poéticas Digitais (ECA-USP), a partir do livro O perfeito cozinheiro das almas deste mundo, diário da garçonnière mantida por Oswald de Andrade. O participante vai se perder em um dia da São Paulo de 1918 e visitar interativamente vários ambientes nos quais vai aos poucos descobrindo a trama. É um roteiro de ambiente virtual duplamente labiríntico: espacial e temporal.

Palavras-chave – Instalação interativa, novas mídias, game, arte interativa.

ICONOMIA: VALORES MATERIAIS E IMATERIAIS NA ECONOMIA POLÍTICA DAS REDES DIGITAIS

Gilson Schwartz

Resumo – Em seu berço histórico, a Economia Política respondia aos desafios ideológicos e práticos da Filosofia Política, traduzindo as aporias clássicas da contratualidade e da soberania em modelos econômicos, sociais e jurídicos fundados na dinâmica dos mercados. A teoria do valor nos pensadores da emergente disciplina científica (que seria posteriormente rebatizada como Economia Pura e finalmente como Ciência Econômica) era também uma filosofia moral cujos contornos até hoje fundamentam atitudes, visões e análises econômicas e políticas que, no seu extremo, configuram um “neo” ou “ultra”-liberalismo. A emergência dos mercados na transição burguesa que fundou a modernidade encontra similar apenas na revolução tecnológica contemporânea, a exigir reformulações paradigmáticas igualmente extensas. As bases para a emergência desse novo paradigma “iconômico” serão exploradas a partir das idéias de três pensadores contemporâneos: Joseph Stiglitz, propondo um novo paradigma a partir da “economia da informação”, Yochai Benkler, retomando Adam Smith para examinar a “Riqueza das Redes”, e Baruch Lev, cujo foco é uma nova teoria do valor capaz de apreender quantitativa e qualitativamente a dimensão intangível na economia do conhecimento. Propõe-se, como resultado dessas reavaliações das bases do valor material e imaterial no capitalismo contemporâneo, a constituição de um novo campo, o da Iconomia como uma economia política da produção de ícones.

Palavras-chave – Economia Política da Comunicação e da Tecnologia, Filosofia Moral, Economia do Conhecimento, Iconomia.

MÚSICA NA CIBERCULTURA: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE RECEPÇÃO E CONSUMO

Gisela Castro (ESPM)

Resumo – É notável a fortíssima presença da música no quotidiano dos grupos sociais atuais. Merece especial atenção a proliferação de players portáteis e fones de ouvido nas ruas das cidades. O encapsular-se em um ambiente acústico personalizado nos mais diversos ambientes e situações parece estar se tornando uma prática corriqueira. Desde o sucesso do Napster há alguns anos, a intensa interatividade entre fãs de música que compartilham suas coleções online enseja uma profunda reorganização nas práticas de recepção e consumo musical. No bojo do que se convencionou chamar de cibercultura, a proliferação da Internet de banda larga tem favorecido a consolidação dessas novas práticas. A indústria fonográfica reage a esse novo cenário, no qual a questão dos direitos autorais tem merecido especial destaque. Penso ser necessário problematizar a noção da pirataria digital através de uma abordagem multifacetada desta questão. Alguns usos e abusos de dispositivos informacionais de gerenciamento e controle de cópias não autorizadas, bem como modelos alternativos de licenças propostas pelo Creative Commons para a música distribuída na Internet serão aqui abordados. Dessa forma, pretende-se colaborar para a discussão da situação da chamada pirataria musical, com ênfase especial no contexto brasileiro.

Palavras-chave - Música, internet, cibercultura, pirataria, consumo.

RUÍDOS DA MOBILIDADE

Giselle Beinguelman (PUC/SP)

Resumo - Celulares são dispositivos intrinsecamente relacionados ao estilo multitarefa do homem contemporâneo. São feitos para que seja possível desempenhar atividades simultâneas e não-correlatas, como dirigir e falar ou escrever SMSs e assistir aula. Por isso, não podem circunscrever um campo de atenção especial às obras, como os museus e as salas de cinema.
Espaços de consumo ruidosos, os celulares são também meios extremamente rígidos. Qualquer conteúdo produzido para celular implica a aceitação de regras pré-definidas pelas operadoras (como o peso máximo em Kbytes) e dos próprios aparelhos, tolhendo, de certa forma, a liberdade de outras formas de arte em que o artista define as leis de funcionamento de sua obra.
Apesar disso, a "mobile arte", como vem sendo chamada, é rebelde por natureza. Feita para ser transmitida, por bluetooth, MMS ou download, enquanto fazemos outras coisas, confronta a assepsia típica das exposições de arte digital e desdenha do silêncio e da concentração dos circuitos tradicionais da arte. Cria, assim, uma temporalidade própria, a do intervalo, para correr uma situação de risco permanente: a de ser arte para não ser vista.

Palavras-chave - Mobilidade, mobile, arte wireless, imaginário, tecnologia.

MEDIAÇÃO, MOBILIDADE E GOVERNABILIDADE NA CIBERCULTURA

Henrique Antoun (UFRJ)

Resumo – O artigo visa compreender o impacto dos movimentos políticos empreendidos pelas comunidades virtuais e redes de parceria, através das redes móveis de comunicação, para o futuro da democracia. Para tanto, procurou-se circunscrever as questões da democracia na cibercultura ao âmbito da governabilidade. O objetivo é estimar o futuro do governo democrático, considerando as transformações introduzidas pelos dispositivos móveis de comunicação no funcionamento das redes interativas de comunicação distribuída. Esta perspectiva sobressai se for posto em relevo a atuação dos grupos de interesse, através das redes de luta, produção e resistência – que hoje incorporam intensamente as tecnologias informacionais (TICs) nos processos de comunicação mediada por computador (CMC). Estes grupos (corporações, ONGs, movimentos etc.) teriam se emancipado da tutela do Estado, tornando-se ingovernáveis pelas formas tradicionais da representatividade democrática mediada pelas instituições. Para compreender esse processo, vamos avaliar as transformações qualitativas introduzidas pela virtualidade nas noções de coisa e de lugar, que ganham, com isso, mobilidade, afetando o modo de conceber a propriedade e a comunidade. Vamos, também, avaliar a mudança qualitativa trazida pela mobilidade para a noção de agente e de ação, que recebem, desse modo, dons virtuais, afetando o modo de conceber o sujeito e a causalidade. Problematizar estes lugares, coisas, agentes e ações no contexto da virtualidade e da mobilidade é a estratégia que vai nos permitir construir uma arqueologia e uma genealogia da rede interativa de comunicação distribuída.

Palavras chave – Cibercultura, mediação, mobilidade, governabilidade, parceria, ativismo.

TECNOLOGIAS DO IMAGINÁRIO E NARRATIVAS DO VIVIDO

Juremir Machado da Silva (PUC/RS)

Resumo – Narrar o presente é sempre um desafio. Como mudar de "lente" para compreender o outro sem se limitar à operação lógica da explicação? Entender esse processo implica definir imaginário e saber como operam as tecnologias que o sedimentam. Disso poderá resultar uma metodologia, entre reportagem, etnografia e fenomenologia capaz de ajudar a mostrar o vivido, superando o primado da demonstração, e de fazer emergir o que se esconde sob a aparência do trivial.

Palavras-chave – Tecnologia, imaginário, cultura, narrativa, vivido.

POÉTICAS NÔMADES: ARTE, CORPO E MOBILIDADE EM ESPAÇOS CÍBRIDOS

Lucia Leão (PUC/SP - SENAC)

Resumo - Espaços de informação, redes de telecomunicações, computação pervasiva e ubíqua, sistemas de realidade aumentada e tecnologias móveis sem-fio permeiam o cotidiano. A paisagem se torna cada vez mais cíbrida, uma mescla de espaços físicos e digitais. Sistemas de vigilância geram gigantescos bancos de dados nos quais conceitos como identidade, presença e corpo se revelam complexos e paradoxais. Nesse contexto, surgem propostas artísticas que subvertem as lógicas do sistema dominante e propõem usos disruptivos para as novas tecnologias. Nessa palestra, iremos abordar projetos experimentais que questionam e problematizam usos disciplinares e de controle. Serão discutidos trabalhos que enfatizam as relações entre arte e política e, em vários momentos, retomam o slogan situacionista que afirma: "a revolução deve começar no cotidiano". Além disso, as poéticas nômades retomam "as subversões das artes do fazer" apontadas nas proposições de Michel de Certeau. As comunidades virtuais, fóruns, listas de discussões, a blogosfera, a linkania, o movimento do software livre e a lógica hacker são espaços férteis para a gestação criativa de resistência e ações sociais. Como um eco vibrante da inteligência das redes e dos afetos das tribos, as ações via celulares e/ou e-mail mobilizam e alcançam, simultaneamente, espaços urbanos e midiáticos. As poéticas nômades, ao retomarem as premissas da psicogeografia, restauram o potencial estético presente nos gestos do cotidiano e se desvelam como propostas rizomáticas. O nomadismo da cibercultura é, paradoxalmente, uma vivência do ritual, um re-encontro com os coletivos, uma afirmação dos corpos e um retorno aos espaços públicos. Distanciadas tanto do sistema tradicional da arte (museus, galerias), como das feiras tecnológicas, as poéticas nômades se afirmam como caminhos errantes na cibercultura.

Palavras-chave - Arte, corpo, ciberarte, cibercultura, mobilidade, locative media.

O FIM DO ESTILO NA CULTURA PÓS-HUMANA

Lucia Santaella (PUC/SP)

Resumo – Não é fácil definir estilo. A definição vaga e breve de Proudhom de que "o estilo é o homem" tem sido exaustivamente citada e comentada. No seu livro Art and Illusion, Gombrich dedica todo um capítulo ao que ele chama de “O enigma do estilo”. Sem minimizar as dificuldades apresentadas por essa questão enigmática, o objetivo deste trabalho é definir a noção tradicional de estilo por meio das categorias fenomenológicas de C. S. Peirce. e, então, problematizar essa noção no contexto da pós-modernidade e da cultura pós-humana. À luz das categorias peirceanas, há três pontos de vista para se tratar o estilo: 1) o ponto de vista do talento individual, 2) o ponto de vista histórico e 3) o ponto de vista da automatização e do estereótipo. Esses três pontos de vista foram colocados em questão tanto pela saturação dos estilos na era pós-moderna, quanto pela crise das marcas de autoria na cultura pós-humana.

Palavras-chave – Estilo, talento, estereótipo, pós-modernidade, pós-humano.

O ESPAÇO LÍQUIDO

Lucrécia D’Alessio Ferrara (PUC/SP)

Resumo – Inserido no âmbito de um projeto de pesquisa mais amplo que tem como objeto o estudo a unidade espaço/visualidade/comunicação, este trabalho está voltado para o estudo das dimensões semióticas do espaço como elemento agenciador da cibercultura e interferente na dinâmica dos seus fluxos globais e locais. Neste sentido, o trabalho estará dividido em dois grandes eixos: 1) estudo das materialidades do tempo na construção de uma intuição e de um conceito de espaço que nos levará ao resgate das sementes do tempo histórico no espaço geográfico, 2) estudo das construções do tempo desenhadas pelos fluxos de um espaço digital e a emergência de uma cultura e de um imaginário social que estão na base de outras e novas relações comunicativas. Percorrer esta unidade tempo-espaço delineia-se como estratégia de reflexão para traçar as raízes e as projeções da cibercultura e para a caracterização do conceito de topocronia, homólogo ao conceito de cronotopia já estudado por Baktin .

Palavras-chave – Tempo, espaço, cultura , cibercultura, cronotopos.

EDUCAR NA CIBERCULTURA: A DOCÊNCIA ONLINE E A FORMAÇÃO DA CIBERCIDADANIA

Marco Silva (UERJ - UNESA)

Resumo – A educação online interativa é demanda da cibercultura, aqui entendida como novo ambiente comunicacional que surge com a interconexão mundial de computadores em forte expansão no início do século 21. Entretanto, os professores estão despreparados para educar o cibercidadão no novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização, de informação e de conhecimento. Acostumado ao primado da transmissão na educação e na mídia de massa, o professor está desatento ao contexto comunicacional da cibercultura. Terá que desenvolver sua imaginação criadora para atender as novas demandas sociotécnicas de aprendizagem interativa. Em lugar de transmitir lições padrão centradas na oratória do mestre, precisará lidar com “ambientes virtuais de aprendizagem” e no movimento das suas interfaces disponibilizar um mais comunicacional de modo expressamente complexo presente na mensagem que se abre ao aprendiz como possibilidades de responder ao sistema de expressão e de dialogar com ele. Para tanto, o professor precisará se dar conta do movimento próprio das tecnologias digitais em sintonia com a cibercultura e com o perfil comunicacional dos alunos que aprenderam com o controle remoto e com a lógica unívoca da mídia de massa e agora aprendem com o mouse e com as “janelas” móveis que permitem mais do que meramente assistir. A sala de aula convive tradicionalmente com um impedimento de base ao seu propósito primordial de educar para a cidadania. Ela não contemplou efetivamente a participação do aluno na construção do conhecimento e da própria comunicação. A educação online, entre o afã mercadológico e o peso da tradição da "pedagogia da transmissão", poderá manter no ciberespaço o velho impedimento à educação cidadã.

Palavras-chave – Ciência, cibercultura, interatividade, cibercidadania, educação online.

DESAFIOS E PROPOSTAS PARA O ENSINO E FORMAÇÃO CONTINUADA DAS COMPETÊNCIAS DIGITAIS EM CARREIRAS DE COMUNICAÇÃO: UMA SÍNTESE DE UM ESTUDO INTERNACIONAL

Marcos Palacios (UFBA)

Resumo – O paper apresenta uma síntese das discussões e principais resultados dos esforços empreendidos pela Rede ICOD (Red Iberoamericana de Comunicación Digital), formada por pesquisadores da Espanha (Universidad de Vic), Portugal (Universidade da Beira Interior), França (Université Lille III), Argentina (Universidad de Rosário e Universidad de la Patagonia Austral), Cuba (Universidad de la Habana) e Brasil (Universidade Federal da Bahia e Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul) e por uma empresa italiana de comunicaçao digital (Ars Media, de Turim). O projeto, financiado pelo Programa Alfa, de cooperaççao acadêmica entre América Latina e a Comunidade Européia, foi conduzido entre 2004 e 2006. Seus objetivos principais foram definir as competências no campo digital – a nível técnico, teórico e analítico- que um graduado em Comunicação deve possuir, bem como delinear possíveis modelos de formação adequados a esse perfil profissional. Além disso, a Rede ICOD objetivou incorporar em seu documento final propostas para a formação continuada dos comunicadores sociais. Buscou-se, através da troca de experiências entre pesquisadores de realidades diversas, identificar os históricos das carreiras de Comunicação em tempos e lugares distintos, bem como delinear modos de ação pedagógica que facilitassem a transição de estruturas de ensino inspiradas nos meios de comunicação massivos em direção a novas práticas pedagógicas que incorporem as novas tecnologias de comunicação – como meio e como fim – no processo ensino-aprendizagem.

Palavras-chave – Competências digitais, ensino de Comunicação, redes de pesquisa.

O ESTATUTO DA IMAGEM NO SÉCULO XIX: POR UMA GENEALOGIA DA CIBERCULTURA CONTEMPORÂNEA

Maria Cristina Franco Ferraz (UFF)

Resumo – Para se dimensionar com maior rigor e precisão as efetivas alterações do estatuto da imagem, vinculadas às novas tecnologias digitais, bem como as mudanças no âmbito da subjetividade em curso na atual cibercultura, faz-se necessário retornar ao século XIX e, em especial, à virada do século XIX ao XX, momento em que é produzido um conceito de imagem que responde à experiência moderna de desrealização do mundo. Retomando as recentes teses de Jonathan Crary acerca do processo de modernização da percepção, podemos observar a emergência de um novo modelo epistemológico e regime óptico ao longo do século XIX, no qual a imagem deixa de estar ancorada em uma física dos raios luminosos e em uma lógica da representação para passar a ser efeito de um corpo vivo, cambiante, a ser esquadrinhado pelas novas ciências empíricas e humanas e controlado pelas práticas disciplinares. Do olho-lente prevalecente nos séculos XVII e XVIII passa-se então à opacidade de um olho fisiologicamente constituído, apto a produzir imagens na ausência de qualquer estímulo exterior (pós-imagens, imagens entópticas). O processo de modernização da percepção está implicado no desenvolvimento de uma nova cultura de imagens, no surgimento de novos regimes de espectatorialidade, em suma, na consolidação do processo de industrialização dos regimes de contemplação. Tal processo foi catapultado a uma de suas expressões mais instigantes e radicais tanto na sociologia de Gabriel Tarde, quanto no conceito bergsoniano de imagem, na última década do século XIX. A partir da discussão desse processo, em suas implicações no que concerne à imagem, à percepção e à subjetividade, serão levantadas hipóteses acerca das transformações do estatuto da imagem na contemporaneidade, em função de processos de digitalização e informatização, bem como em suas possíveis implicações sobre os modos com que tendem a se configurar novas inflexões na subjetividade.

Palavras-chave – Imagem, modernização da percepção, subjetividade moderna, genealogia da cibercultura, subjetividade contemporânea.

OS PILARES INFRA-ESTRUTURAIS DA COMUNICAÇÃO

Othon Jambeiro (UFBA)

Resumo – Nos anos finais do século 20, a fusão de concomitantes e bruscos movimentos na configuração da economia, da ideologia e da política, no plano internacional (sendo a queda do Muro de Berlim o mais simbólico deles), com avanços rápidos e de grande alcance estrutural, no desenvolvimento científico e tecnológico (a Internet sendo o mais significativo e provavelmente o de repercussão mais duradoura), teve impacto profundo na compreensão dos fenômenos direta ou indiretamente vinculados à comunicação. Acirrou-se, na área, a constituição de grupos econômicos com atuação integrada, vertical e horizontalmente, por processos produtivos fragmentados, porém economicamente racionalizados; o estabelecimento de estratégias industriais, comerciais e financeiras, a partir do conceito do mundo como mercado global; a conseqüente compreensão dos seres humanos dentro de um quadro referencial que privilegia seu papel econômico como consumidores, integrantes de uma engrenagem global de oferta e demanda de produtos materiais e simbólicos de informação e comunicação; a expansão e consolidação da democracia liberal representativa como norma de conduta padrão compulsória, sob vigilância de entidades supranacionais (e mesmo, eventualmente, nacionais), com alto poder de coerção militar, moral, financeira e comercial; e o incessante movimento de criação tecnológica, fantasticamente ampliado com a inserção de milhões de pessoas em seus processos, notadamente no que diz respeito ao desenvolvimento de softwares, aplicados a hardwares da mais variada natureza; tudo isto representa um colossal conjunto interativo e agregador de interesses comunicacionais e informacionais de indivíduos isoladamente, grupos de referência distintos, comunidades, autoproclamadas neotribos de real ou imaginário caráter antropológico, nações e países. Este trabalho tem como objetivo argumentar sobre a constatação de que, no plano da Comunicação, a base na qual se movimentam esses atores – e o principal condicionante de sua atuação – é uma infra-estrutura de três pilares: um tecnológico, constituído pelo sistema de telecomunicações, a indústria eletro-eletrônica e a Informática, do qual derivam unidades e serviços de comunicação; um político, constituído pelas políticas de informação e comunicação, de desenvolvimento científico e tecnológico, de Cultura e de Educação, que balizam a ação do Estado e interagem com as estratégias de crescimento das empresas do setor; e um terceiro, legal, constituído pelos regulamentos nacionais, internacionais e supranacionais, vinculados àquelas políticas, que estabelecem limites econômicos, morais, ideológicos e culturais à ação dos atores envolvidos. Hoje completamente interligados e interdependentes, esses pilares são, ao mesmo tempo, base e partes constitutivas do que se denomina, genericamente, Sociedade da Informação, dentro da qual germina a chamada cibercultura.

Palavras-chave – Cibercultura, sociedade da informação, infra-estrutura da comunicação, políticas de comunicação e informação, regulação das comunicações.

CIBERCULTURA: INTELIGÊNCIA COLETIVA OU SOCIEDADE DE CONTROLE?

Rogério da Costa (PUC/SP)

Resumo – Temas como “inteligência emergente” (Steven Johnson), “coletivos inteligentes” (Howard Rheingold), “cérebro global” (Francis Heylighen), “sociedade da mente” (Marvin Minsk), “inteligência conectiva” (Derrick de Kerckhove), “redes inteligentes” (Albert Barabasi), “inteligência coletiva” (Pierre Lévy) são cada vez mais recorrentes entre teóricos reconhecidos. Todos eles apontam para uma mesma situação: estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma freqüência que só faz crescer. A partir disso, torna-se claro o desejo de se compreender melhor a atividade desses coletivos, a forma como comportamentos e idéias se propagam, o modo como notícias afluem de um ponto a outro do planeta etc.

Mas esse esforço de entendimento da atividade coletiva alimenta, simultaneamente, a construção da sociedade de controle, na qual todos estamos imersos. Nesta apresentação estaremos conversando sobre essa dupla face do desenvolvimento científico e tecnológico: nossa oscilação permanente entre a inteligência coletiva e a sociedade de controle.

Palavras-chave: inteligência coletiva, sociedade de controle, capital social, confiança, insegurança.

VIGILÂNCIA E SUBJETIVIDADE NA CIBERCULTURA: MAPEANDO CONTROVÉRSIAS

Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro (UFRJ)

Resumo – A experiência urbana da violência e da insegurança tem suscitado inúmeras análises, merecendo destaque aquelas que têm procurado explorar a presença maciça, em nossa sociedade, dos dispositivos tecnológicos de vigilância. O que parece estar em jogo é a configuração de uma sociedade em que prevalece a visibilidade e a espetacularização da vida cotidiana, configurando um campo complexo e polêmico. Por um lado, é possível sustentar que as tecnologias de vigilância são hoje um dos modos de exercício do poder e do controle, que não se encontrariam mais confinados aos espaços institucionais, funcionando “a céu aberto”. Conjugando câmeras, softwares de “scaneamento” e reconhecimento, além de poderosos bancos de dados, estariam constituindo um modo de governo em que o modelo panóptico é levado ao seu paroxismo. Há, no entanto, os que vêem em tais dispositivos não um poder que controla, mas uma garantia de segurança e liberdade, argumentando que a incerteza, a insegurança e a restrição da liberdade dos indivíduos estariam ligadas à existência de espaços não vigiados. Parece-nos, assim, interessante explorar tais controvérsias, bem como seus desdobramentos, com foco nos modos de subjetivação que estariam sendo, hoje, produzidos. Utilizando-nos da terminologia da sociologia das ciências e das técnicas, propomos compreender as tecnologias de vigilância como uma “caixa cinza” ou “caixa translúcida”, ou seja, uma questão de pesquisa que ainda porta em si controvérsias, interrogações. Esta compreensão busca evidenciar a hibridação sociotécnica de tais dispositivos, entendendo que a própria subjetividade merece ser conceituada em sua configuração híbrida. No mapeamento das controvérsias que envolvem os processos de subjetivação nesta atualidade tecnológica, enfocamos em especial os aspectos de visibilidade, segurança, controle, liberdade, intimidade e privacidade.

Palavras-chave – Tecnologias de vigilância, subjetividade, visibilidade, privacidade, segurança, controle.

A RETICULARIDADE ESTÉTICO-CIENTÍFICA DO PENSAMENTO HIPERMIDIÁTICO NA CIBERCULTURA

Sérgio Bairon (PUC/SP)

Resumo – Desde o século XVIII, desenvolvemos uma metodologia científica como matéria obrigatória em todas as ciências. Esta tradição elegeu a expressividade verbal (escrita e impressa) como a única grande “representação” confiável de um pensamento reflexivo. A essência do movimento analítico da escrita científica pode ser entendida por meio do estudo do processo de fragmentação dos objetos de pesquisa, da análise como conseqüência da formalização metodológica e da construção e aplicação de conceitos teóricos, problemas e hipóteses produzidos durante a pesquisa. Neste primeiro momento, nossa constatação é simples: este movimento, apesar de ter sofrido todo tipo de interferência filosófica e teórica, produziu e divulgou o conhecimento científico sempre a partir da escrita, delegando à imagem e às manifestações sonoras um patamar secundário à construção do conhecimento. As divisões institucionais entre arte e ciência nos dias de hoje ainda guardam esta tradição. Neste contexto, devemos procurar entender este processo pelo menos em dois movimentos teórico-midiático-institucionais. Por um lado, temos a metodologia científica atual com seus princípios reguladores da produção do conhecimento. Para ser competente um texto científico deve apresentar os seguintes itens: um corpus teórico expresso por meio de uma fundamentação conceitual; uma precisa coerência temática que estruture a análise; um estilo lógico-objetivo em relação ao objeto pesquisado; uma fundamentação teórico-bibliográfica que possibilite a sistematização dos conceitos; e um raciocínio lógico-explicativo, sobretudo analítico, que demonstre o domínio das técnicas de escrita próprias do método científico. Por outro lado, temos a possibilidade de abertura para uma metodologia hipermídiática de pesquisa, ainda totalmente inexplorada pelas regras institucionais que regulam a produção do conhecimento científico. Tais questões adquirem no contexto da cibercultura dimensões que desafiam, tanto as estruturas institucionais vigentes, quanto a formalização da produção de conhecimento que ainda hoje repetimos.

Palavras-chave – Hipermídia, reticularidade, cibercultura, metodologia e estética.

APROPRIAÇÕES E MEDIAÇÕES MUSICAIS NA CIBERCULTURA

Simone Pereira de Sá (UFF)

Resumo – O trabalho tem por objetivo, primeiramente, inserir as práticas musicais da cibercultura dentro de uma história cultural das tecnologias ligadas à reprodutibilidade sonora na modernidade. A premissa é a de que compreender esta história ajuda-nos a refletir com mais refinamento sobre o presente, ressaltando a não linearidade das apropriações tecnológicas e evitando o caminho determinista e profético de alguns trabalhos que alardeiam o fim das práticas musicais tradicionais. Ao mesmo tempo, ela nos ajuda a compreender efetivamente o que se remedia (Bolter e Grusin) na cibercultura – ou seja, como as novas tecnologias ligadas à música se imbricam com as anteriores e quais os pontos de ruptura. Em seguida, são encaminhadas algumas questões sobre o cenário presente, propondo-se abordagens do fenômeno musical na cibercultura que levem em conta as apropriações culturais e as mediações de nova ordem.

Palavras-chave – Indústria fonográfica, música massiva, tecnologias sonoras, cibercultura.

A CIBERCULTURA EM QUESTÃO: REDE, RIZOMA E FUNDAMENTOS DA SOCIALIDADE

Theóphilos Rifiotis (UFSC)

Resumo – Trata-se de pensar criticamente noções como “redes”, "novas formas de sociabilidade", "comunidades virtuais" e "cibercultura", procurando mostrar que há uma naturalização destas noções no âmbito dos estudos das interações realizadas na e pela Internet, e identificar, a partir desta reflexão, as suas implicações teórico-metodológicas. Entendemos que a revisão crítica conceitual e dos seus marcos referenciais é fundamental para a consolidação de um campo de pesquisa interdisciplinar que tenha como objeto as experiências sociais genericamente chamadas “cibercultura”. Assim, procuramos caracterizar neste trabalho os principais limites daquelas noções e suas vinculações com a tradição sociológica clássica, pontuando a contribuição antropológica mais recente que coloca em primeiro plano a própria experiência vivencial, a dimensão pragmática. De modo geral, os estudos da comunicação mediada por computador têm permitido colocar em perspectiva conceitos e fundamentos metodológicos de disciplinas como a antropologia, num movimento crítico que poderia ser considerado análogo àquele que levou no início do século XX ao processo de consolidação da chamada Antropologia Urbana. Entendemos, portanto, que a reflexão crítica aqui proposta deve contribuir para repensarmos os fundamentos do próprio campo que está sendo constituído em torno da “cibercultura”, tornando-se um vetor teórico da maior importância para a análise crítica das ciências sociais contemporâneas e para a ampliação do diálogo interdisciplinar em torno da socialidade atual.

Palavras-chave – Cultura, rede social, rizoma, sociedade da informação, comunicação.

CIBERCULTURA MATERIAL: SENSORIALIDADE E AFETIVIDADE NOS MEIOS DIGITAIS

Vinícius Andrade Pereira (UFF)

Resumo – Dialogando com uma linhagem de estudos oriundos das ciências sociais que se propõem a analisar as sociedades a partir do conceito de cultura material (MILLER, 1988), as reflexões aqui desenvolvidas irão propor uma recuperação deste conceito, reavaliando-o criticamente, a fim de avançar na proposta de uma metodologia de estudos materiais aplicável aos meios de comunicação digitais e, em largo espectro, à própria cibercultura. A proposta deste paper, portanto, estará focada sobre a possibilidade de construção de um modelo metodológico para o estudo material da cibercultura, entendendo-se com isso as análises dos efeitos materiais dos meios digitais e de seus produtos sobre as materialidades corpóreas e, por outro lado, os efeitos destas materialidades corpóreas sobre os meios digitais. As reflexões desenvolvidas se darão tendo como referências teóricas fundamentais uma plausível teoria material da comunicação, extraída a partir das principais proposições da Escola de Toronto de Comunicação e, ainda, os conceitos de embodiment (CSORDAS, 1991), sensorialidade e afetividade (PEREIRA, 2005).

Palavras-chave – Cibercultura material, sensorialidade, afetividade, embodiment, Escola de Toronto de Comunicação, materialidades da comunicação.

OS ESPAÇOS PERCEPTIVOS NOS QUAIS INTERAGIMOS

Yara Rondon Guasque Araujo (UDESC)

Resumo – As pesquisas da telepresença e da realidade virtual (VR), como interações mediadas pelo computador, são vinculadas às palavras-chave “real” e “virtual”. A reflexão sobre nosso agir no ambiente físico que nos circunda, no distante através das telecomunicações e no modelado artificialmente, nos força a distinguir a presença entre as experiências interiorizadas e exteriorizadas – o que nos conduz enganosamente a identificarmos a experiência interiorizada como endo-realidade e a exteriorizada como exo-realidade. Os espaços perceptivos nos quais interagimos nos convidam a refletir sobre as fronteiras entre ilusão e percepção.

Palavras-chave – telepresença, realidade virtual, ilusão, percepção.