setembro 29, 2004

O QUE DIFERENCIA O SER HUMANO DA MÁQUINA?

Postado por IJ Serpentine em 11:17 AM | Comentários (1)

agosto 09, 2004

DECLARAÇÃO MUNDIAL DOS ROBÔS

robo.jpg
A proliferação dos robôs nas indústrias ou como concorrentes dos bichos de estimação levou o comitê organizador da Feira Internacional de Robôs (International Robot Fair 2004), realizada no final de fevereiro na cidade japonesa de Fukuoka, a formular uma curiosa Declaração Mundial do Robô (Agência PRNewswire). Confiantes nas contribuições futuras desses engenhos à espécie humana, os organizadores dividiram o documento em dois capítulos que indicam as expectativas em relação aos robôs e à criação de novos mercados por meio das tecnologias robóticas. No primeiro, a declaração diz que os robôs da próxima geração vão coexistir e serão parceiros dos humanos, além de auxiliá-los em atividades físicas e no apoio psicológico. No âmbito do mercado, a declaração indica que a resolução de questões técnicas deve ser feita por meio de Zonas Especiais para o Desenvolvimento e Teste de Robôs. Os humanos deverão também estimular a adoção de robôs em organizações públicas.
(Fonte: Revista FAPESP, abril/2004)

Postado por IJ Serpentine em 12:25 PM | Comentários (5449)

fevereiro 09, 2004

A era do autômato

A era clássica do autômato:
uma descrição impressionista
do século XVI ao século XIX:
Jean-Claude Beaune

///Resumo do seminário apresentado por André Lenz e Rogério Borovik junto à disciplina Os autômatos: mente, robótica e agentes inteligentes, ministrada por Rogério da Costa no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP em outubro de 2003.\\

O autômato é uma máquina que contém o seu próprio princípio de movimento. Definição cartesiana aproveitada por Rabelais em Gargantua, quando a intruduziu na lingua francesa. A lingua inglesa manteve a forma grega “automaton” até seu poder evocativo ser suplantado pelo termo “robot”*, cunhado em 1924 pelo escritor tcheco Karel Capek.

*Robota – trabalhado forçado / escravo

O mito mecânico:
O autômato é lembrado como atemporal. Desde quando o homem cria artefatos que ele sonha com máquinas autônomas, que poderiam imitar a sua própria ação. Antes de se tornar uma máquina de alta performance, um autômato era uma idéia tecno-mitológica, ou a destilação (depuração) mítica de processos técnicos e máquinas e, como extensão, de ferramentas ou instrumentos. Enquanto cada autômato é uma máquina separadamente, todas elas têm a capacidade de preservar a essência mais profunda de todo o domínio técnico.

Dissimetria e paradoxo:
Distinção entre máquina e autômato:
Nem todas as máquinas são automáticas, enquanto os autômatos invariavelmente são máquinas, reais ou imaginárias.
O autômato representa a utopia da máquina ideal: sua perfeição é medida pelo seu grau de independência e pela sua qualidade antropomórfica ou viva.
As máquinas, por sua vez, operam por normas próprias ou por normas determinadas pelo contexto científico, dependendo de uma fonte de energia externa. Consideração sobre o sentido real de uma tecnologia da cultura e da linguagem em uma civilização presa ao poder do autômato.
Perda crescente do sentido de uma antiga poi_sis* substituída pela revolução industrial.
Paradoxo: a ausência geral de uma linguagem adequada e de uma valorização educacional que segue proporcionalmente a proliferação das máquinas e o aumento de seu poder e domínio sobre o homem.

poi_sis*: lit: to make or create… as in a work of art
Poietic: creative, formative, productive, active - from OED / Britannica

O modelo autômato:
função evocativa do autômato:
preserva o relacionamento simbólico entre tecnologia e homem como algo fundamental para a vida, o cosmos e a cultura;
exerce o papel de ser uma imagem (emblemática) de superfície (“screen-image”) que permite ao homem escapar da reflexão sobre sua contingência, individualidade e liberdade;
Assim, a automatização se tornou uma idéia social e econômica, onde a dimensão técnica se constitui como meio e o homem como um instrumento menor.
Máquinas desenhadas para imitar, simular ou mesmo substituir seres humanos.
Desejo de imitar e estender as faculdades intelectuais e de cálculo que a mente desenvolveu.
Definição de autômatos capazes de alta performance intelectual em detrimento de modelos que expressem sensações comuns como fome, tristeza ou medo.

Cronologia:
Autômato mítico: relação com a totalidade do cosmos.
Autômato mecânico: tentativa de dissecar e copiar o corpo humano e de outras criaturas vivas; participa da concentração de máquinas, oficinas e fábricas, de acordo com regras inflexíveis.
Autômato computacional ou cibernético: (homeostato de Ashby) últimos 40 anos. Neomecanismos dotados de inteligência semi-autônoma ou de capacidade de adaptar-se, equivalendo-se a um novo tipo de criaturas vivas.
Ao se completar o círculo desta tipologia, a máquina vivente encontra o espelhamento de sua imagem, a matéria viva, o átomo de uma mecanicidade concentrada no interior(izada) do objeto – o golem*, ou, mais profundamente, o “ser movente primordial, eterno, intocado,”
*golem: ser humano artificial dotado de vida do folclore hebraico; algo parecido a um golem, como um autômato ou um estúpido

Limite tecnológico: O autômato aparece como uma sub-máquina que, de acordo com nossas fantasias e o modo que nossa razão lógica funciona, conecta-se a super-máquina, como se mito e utopia tecnológica conspirassem por uma osmose da “imagem progressiva” e a “imagem de tela/superfície”. Esta névoa de sonhos e visões é que provém a base para o desenvolvimento tecnológico; com mito, sob a pressão das normas sociais e a implacável ansiedade econômica se transforma em destino e ciência, ideologia ou discurso circunstancial (Heidegger); o deslocamento conceitual que transforma mito em utopia e fortalece uma doutrina positivista motivada por uma “razão ativa”, científica, filosófica, cultural, histórica.
No séc. XIX os paises industrializados dão a evidência do advento dessa nova era: a operação (operacionalização) da ética da máquina, que agora é a ética dos humanos, transformou as ilhas desertas da tecnicidade no próprio universo social.

Linguagem automática: Como na teoria geral da relatividade, forma e conteúdo não podem ser abordados separadamente: o autômato não é apenas máquina. É também a linguagem que possibilita explica-lo por uma totalidade que o homem racional pensou que não teria que se confrontar. O limite da tecnologia se torna a linguagem da tecno-estrutura. O autômato social e intelectual constitui o mundo terciário que habitamos: mundo onde as fronteiras e limites entre corpo e mente, natureza e cultura e vida e morte se tornaram tão densos (confusos/ permanentes/ duráveis), com o qual nos confrontamos. São os aspectos que os autômatos mais arcaicos mantém no núcleo de seu mito, mas que o desenvolvimento anárquico e racional da tecnologia transformou em visões não familiares, fastasmáticas em sua própria presença.

O autômato clássico: O autômato clássico, como existiu do Renascimento ao séc. XIX – quando a norma industrial se impôs sobre as pessoas, não só retém em si os mitos da origem, no qual preserva uma vida latente, mas antecipa claramente as utopias do futuro.
Características gerais:
1. Ser mecânico: atua por calculo e movimento, é movimento em si (o primeiro problema da fisica). Concentrado em máquinas exemplares. Como componentes temos as máquinas básicas de Galileo ou Mersenne: balança, torno, roda, roldana, cunha, parafuso, etc., adaptadas às estruturas de movimento alternados ou rotativos e antecipa a manivela e haste de conexão(biela). Seu esqueleto mecanico (estrutura) é uma enciclopedia viva de diferentes dispositivos mecanicos e partes de máquinas dsiponíveis na época.
2. indivíduo mecanico: a combinação de instrumentos que ele apresenta é ainda visível e seu carater (personalidade) ainda tem uma identidade própria. Essa individualidade mecanica ou tecnólogica se relaciona ao conceito amplo de individuo como desenvolvido pelo cogito cartesiano para o “homem responsável” do Iluminismo.
3. O automato mantém proximidade com as criaturas vivas em todas as suas diferentes manifestações, mais especialmente em relação à medicina e fisiologia do período. Ele disseca o vivo e os imita suficientemente bem para gerar uma gratificante ilusão sobre a sua própria natureza; propõe protocolos que se referem ao corpo, aos animais e ao homem como máquinas, onde as funções físicas do homem se tornam um pretexto para a sua investigação e para prover próteses cirúrgicas – um antecedente do transplante de orgãos.
4. Mesmo sendo um indivídio científico, o automato é também um objeto estético, mais precisamente um objeto lúdico. Ao mesmo tempo ele demostra e esconde o artíficio que faz dele um brinquedo supremo, também compartilhando a formalização matemática do jogo. Quando a dissecação se completa, a aparência externa reina suprema e o automato pode jogar com as ambiguidades internas e externas do corpo. Polido e maquiado, ele aspira a imagem de um Don Juan ou Mozart, sendo a música um de seus polos favoritos de atração. Seja como entretenimento para as elites ou ilusão para as massas, ele joga negando sua própria farsa para prazer e orgulho dos espectadores: enquanto olham, eles admiram a si mesmos por serem “ filosóficos” o bastante para suprimir voluntariamente sua descrença naquilo que sabem ser a real natureza do objeto. Pretendem também esquecer esta supressão no sentido de dividir os grandes mistérios do mundo com ele. Há alguns pretextos suntuosos pelo artíficio especialmente no séc. XVIII.

Links para pesquisar:
http://www.hrc.wmin.ac.uk/theory-babbagesdancer4.html
http://www.occdsb.on.ca/%7Eproj4632/robotlinks.htm#Robotic%20Resources%20on%
20the%20Web
http://ocw.mit.edu/index.html
http://www.automates-anciens.com/
http://www.esanet.it/chez_basilio/manzetti.htm
http://www.sln.org/pieces/knox/automaton/index.html
http://www.stanford.edu/group/SHR/4-2/text/mazlish.html

Postado por IJ Serpentine em 12:02 PM | Comentários (0)