
Quando entramos em contato com os desafios de produzir conhecimento sobre as relações entre tecnologia, comunicação, corpo e sociedade fica claro que muito pouco se fala a respeito do movimento como matriz de pensamento. Refiro-me ao movimento produzido pelo nosso corpo e suas partes na relação com o mundo e na manipulação de objetos e ferramentas.
mão 1. [Do lat. manu.] S. f. 1. Anat. Segmento terminal de cada membro superior, que se segue ao punho, dotado de grande mobilidade e apurada sensibilidade, e que se destina, sobretudo, à preensão e ao exercício do tato.
A idéia aqui é destacar a participação das nossas mãos no comando das máquinas e na manipulação de ferramentas. Quando aprendemos a ler e a escrever, o que envolve a habilidade com o lápis, operamos cognitivamente em multidireções. Ao dispor a letra "m" no papel, aprendemos a manipular o lápis, apreendemos o formato da letra e seu trajeto do espaço, o tempo e assim por diante.
Existe uma relação de co-dependência entre a mão (o corpo) e o desenvolvimento de habilidades cognitivas abstratas.
Se Lakoff e Johnson, autores de "Philosophy in the Flesh - The Embodied Mind and its Chalenge to Western Thought" (1999), estiverem certos, como tudo leva a crer, "a mente é inerentemente corporificada, o pensamento é predominantemente inconsciente (95%) e os conceitos abstratos são abundantemente metafóricos".
Se todo pensamento vem por metáforas e elas fazem parte do processo de construção de conhecimento, isso significa que o sistema sensóriomotor estrutura a experiência subjetiva. A análise cuidadosa das metáforas comumente utilizadas em nossas expressões verbais e escritas nos dizem muito sobre aquilo que transportam.
Dentre inúmeras outras metáforas, Lakoff e Johnson estudam dois exemplos, relacionados à manipulação de objeto:
1 - Propósitos são objetos desejados
Julgamento Subjetivo: alcançando um propósito
Domínio Sensóriomotor: manipulação de objeto
Examplo: “Eu vi uma oportunidade para o sucesso e a agarrei com força” (apropriei-me)
Experiência Primária: segurando um objeto desejado (correlação entre satisfação e segurar um objeto físico desejado)
(p.53)
2 - Entender é agarrar (segurar)
Julgamento Subjetivo: compreensão
Domínio Sensóriomotor: manipulação de objeto
Examplo: “Eu não tenho sido capaz de agarrar números trasfinitos”
Experiência Primária: obtendo informação sobre um objeto por agarrá-lo e manipulá-lo.
(p.54)
Caberia, então, perguntar: que mudanças estariam ocorrendo em nosso corpo a partir da manipulação de teclados e superfícies de comando via tato? Estamos pensando diferente, incorporando novas percepções de tempo e espaço? Essas novas habilidades cognitivas são favoráveis a nossa sobrevivência?
Postado por IJ Serpentine em maio 14, 2004 10:53 AM
ola, mayra
li seu texto e fiquei pensando....favoraveis a que tipo de sobrevivencia? sao tantos os contextos que nos envolvem e tantos os artefatos tecnologicos ...ops tenho que ir depois escrevo mais.
bjos
katia
maíra,
para a dança as mãos têm uma função rica de cognição, símbilizando a senbilidade do nosso intelecto, agindo como uma linguagem corporificada. Qdo nossos dedos digitam, sem dúvidam traduzem essa subjetividade. Creio que há uma mudança no nossa soma , pois ficamos cada vez mais metafóricos, novos códigos do inconsciente se produzem e tudo muito rápido.
porém, minha experiência corpo transita de uma época para outra, esta que hoje consumimos e somos consumidos. Quando estou na intensa atividade do digital tenho as vezes a impressão de não ter mais corpo, e penso nessa garotada que já desde a infancia vive fora do corpo, pois viver com o corpo é parcipar de toda sua mobilidade. A atividade da mão na nossa era vitual , do dedo digitalizador é algo extra minimal que nos propicia amplas experiências, entao pra que tanta agitação ? Mas esta pergunta só se responde quando vemos que a criança para crescer saudável, depois de dez minutos de computador, corre , salta , cai e gira sem sentir o tempo passar, aí ela esta 100% no seu corpo.
sei lá... bom é isso. beijos, lina