Apresentação

A gramática, isto é, as regras que subjazem ao funcionamento de uma língua - no caso, a língua portuguesa –, tem sido, em geral, enfocada frente a uma concepção de língua que a considera auto-suficiente, imanente, fechada em si mesma, sem ligação com o seu contexto de uso. Nesse tipo de estudo, concentrou-se muito mais no exame da estrutura da língua (o que é a língua) e não na função da língua (para que serve essa estrutura). É como estudar a estrutura de uma bicicleta, sem prestar atenção à função que ela deve realizar: nunca entenderíamos o motivo de sua estrutura frágil, seu baixo potencial de velocidade, sua pequena cobertura quilométrica, se não atentássemos para sua função, o transporte de pequenas cargas limitado a curtos espaços, o que não exige estrutura mais potente.

Assim, também, por exemplo, no exame gramatical da causalidade (que pode ser realizado estruturalmente através, não só de orações subordinadas causais, mas também através de preposições, substantivos e outros meios) veremos que a expressão da causalidade tem a função de minimizar situações que envolvem confronto do falante com a opinião do falante ou expressões muito radicais que possam ferir o interlocutor.

Quanto à questão do contexto, alguns fatos mostram que língua e contexto estão interrelacionados: somos capazes de deduzir o contexto de um texto, somos capazes de predizer a língua através de um contexto. Sem um contexto não somos capazes, em geral, de dizer que significado está sendo construído. Onde entraria, então, a gramática nesse modo de ver a língua? A gramática é o sistema linguístico, um repositório virtual, onde estão os vários recursos léxicos-gramaticais que uma língua oferece aos seus usuários, para que estes possam dizer as coisas de acordo com o contexto em que ocorre a interlocução oral ou escrita. Há sempre diferentes modos de dizer a mesma coisa, e cada modo se reveste de um significado específico, nem sempre explícito, devido a interesses circunstanciais. Importa também saber que uma determinada escolha léxico-gramatical vale, não pela escolha em si, mas pelas demais opções que deixaram de ser escolhidas.

Nesse sentido, quais seriam os recursos linguísticos utilizados para realizar a aproximação do escritor de seu leitor? Como expressar um confronto sem ameaçar a face do interlocutor? Como dar realce a um ou outro elemento do discurso através da escolha entre Tema e Rema? Como avaliar explícita ou implicitamente não só conteúdo de uma mensagem, mas também o interlocutor? Como adequar a linguagem às exigência de um gênero? São essas algumas das questões que estão no centro das pesquisas linguísticas, e que o curso se propõe a responder.


Objetivos

Examinar os recursos linguísticos que a língua portuguesa oferece, em termos de significados informacionais, interpessoais e textuais, e justificar a seleção daquele(s) que mais se adequa(m) a um determinado contexto de situação e de gênero.

Sobre o Curso
  • Categoria: Extensão
  • Público-alvo:

    Alunos de graduação e de pós-graduação; professores e interessados em geral sobre questões gramaticais.

  • Duração: 1 semestre
  • Local: Campus Consolação - Unidade COGEAE
  • INSCREVA-SE

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