Apresentação

Nos últimos anos, as migrações e deslocamentos têm aumentado exponencialmente em todo o mundo. De acordo com a OIM, em 2009, havia um bilhão de pessoas deslocadas, entre as quais, 740 milhões dentro de seus países e 232 milhões como imigrantes transnacionais. O Brasil acompanhou a tendência global e passou a receber muito mais grupos de refugiados e imigrantes no decorrer dos anos 2000, aparecendo enquanto alternativa viável aos países desenvolvidos que, além de sofrerem com a recessão econômica de 2008-2009, recrudesceram suas políticas migratórias e fecharam fronteiras. O crescimento econômico brasileiro associado à legislação favorável à solicitação de refúgio e à facilidade de entrada nas fronteiras, são alguns dos fatores que explicam o redirecionamento de fluxos migrantes para o país. São Paulo, assim como outras cidades brasileiras, entrou na rota de fluxos migratórios de diferentes países da África, Ásia, Oriente Médio e Américas. Indício disso é o crescimento das solicitações de refúgio em mais de 2800% entre os anos de 2010 e 2015 no Brasil, passando de 966 pedidos para 28670; no acumulado desses anos, foram mais de 80 mil solicitações, sem contar a entrada de imigrantes. São pessoas provenientes do Haiti, Senegal, Síria, República Democrática do Congo, Angola, entre outros países.

O curso pretende refletir sobre o estatuto desse novo fluxo migratório a partir da hipótese de autores como Saskia Sassen e Bela Feldman-Bianco de surgimento de uma nova lógica de expulsão na atual fase da economia política global responsável por expulsar pessoas de seus espaços sociais e de vivência. São grupos deslocados pela expansão da mineração e de plantações de monocultura, pela desertificação e aumento do nível da água, pelo aumento do preço da terra em centros urbanos ou rurais, pela compra de milhões de hectares de propriedades por investidores e governos de países estrangeiros, pelo desemprego e empobrecimento, pelo encarceramento e políticas de austeridade, por desastres ambientais ou nucleares, por conflitos relacionados a expansão da mineração e do agronegócio, entre outros. 

Sobre o Curso
  • Categoria: Extensão
  • Público-alvo:

    Professores, historiadores, cientistas sociais, geógrafos, jornalistas, profissionais do terceiro setor e de instituições públicas, estudantes de graduação e pós-graduação, e interessados em compreender as novas dinâmicas migratórias, seus efeitos sociais, culturais e espaciais, e em refletir sobre a perspectiva brasileira dentro dessa realidade global. 

  • Duração: 16 horas
  • Local: Campus Consolação - Unidade COGEAE
  • INSCREVA-SEna lista de interesse
Professor em Destaque

Bela Feldman-Bianco

Bela Feldman-Bianco, PhD em Antropologia (Columbia University) com pós-doutorado em História (Yale University), é professora colaboradora do Programa de Pos-Graduação em Antropologia Social, da UNICAMP e bolsista de produtividade nível 1A do CNPq. Ocupou as cátedras de Estudos Portugueses (1987-1991) e Hélio e Amélia Pedrosa (2008) na University of Massachusetts-Dartmouth e, mais recentemente, a Cátedra UNESCO/Memorial da América Latina ( set.-nov. 2015). Tem conduzido pesquisa sobre migrações transnacionais em cidades de Brasil, Estados Unidos y Portugal, com ênfase em cultura e poder e a partir de questões relacionadas às identidades, colonialismo/ pós-colonialismo, interseccionalidades de gênero, classe, raça, nação e globalização em perspectiva comparativa. Foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia (2011-2012), membro titular do Comitê de Assessoramento em Ciências Sociais, CNPq (2008-2011), representante da Área de Antropologia e Arqueologia, CAPES (2005-2007). Foi, ainda, coordenadora do GT Migración, Cultura y Política da CLACSO (nov2010 ?jun2013), do Council of World Anthropologies (CWA) da American Anthropological Association (2012-2015) e diretora do CEMI (Centro de Estudos de Migrações Internacionais), IFCH/Unicamp, entre 1996- jun2013, entre outros. Atualmente coordena o Comitê Migrações e Deslocamentos da Associação Brasileira de Antropologia e é conselheira do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), onde representa a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). É membro de comitês editorais de revistas nacionais e do exterior (Texto informado pelo autor)

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