Espaço de ensino - Pesquisa sobre o pensamento de Paulo Freire
 

Paulo Freire...

O direito ao contraditório não obriga a ser contraditório!

Em julho de 2008 a revista Nova Escola, publicada pelo Grupo Abril e ligada à Fundação Victor Civita, divulgou pelo país afora uma Edição Especial na qual compilou os volumes 1 e 2 dos Grandes Pensadores; essa edição, agora com o título Grandes Pensadores: 41 educadores que fizeram história, da Grécia Antiga aos dias de hoje faz uma chamada de capa com 16 dos nomes mais destacados e (surpresa?) o décimo segundo é Paulo Freire (em meio a Sócrates, Platão, Aristóteles, Marx, Piaget etc)

Melhor ainda? Em página tripla (110-112) traz análise respeitosa, sublinhando ter Paulo Freire "reconhecimento internacional". Porém, o mais curioso é a frase dele que aparece com grande destaque: "Não é possível pensar em linguagem sem ideologia e sem poder".

Verdade, não?

Quer ler a bela matéria da Nova Escola? Aí vai ela anexa, em PDF.

Ah, esses povofóbicos de plantão; são um perigo quando não estudam direito...

Mario Sergio Cortella
PUC-SP



**********

RESPOSTA À REVISTA VEJA


Sobre Paulo Freire Quero registrar a minha indignação frente à reportagem da Revista VEJA de 20/08/2008, especialmente no que diz respeito aos comentários sobre o Professor Paulo Freire. As repórteres demonstram muito mais que desinformação; contraditoriamente, defendem a neutralidade da educação porém, evidenciam, nessa matéria, posições políticas em relação ao ensino, comprovando que a neutralidade da educação é um mito, como afirmou o professor Paulo Freire, há mais de três décadas. É importante registrar que Paulo Freire é reconhecido, mundialmente , como um dos maiores educadores do século XX, por ser autor de uma pedagogia crítica a favor dos oprimidos. Toda a sua vida e obra são marcadas pela defesa da ética universal do ser humano. Escreve Freire, em Pedagogia da Autonomia (1996) : (...) Falo da ética que condena o cinismo do discurso [...] , que condena a exploração da força de trbalho do ser humano, que condena acusar por ouvir dizer, afirmar que alguém falou A sabendo que foi dito B, falsear a verdade, iludir o incauto, golpear o fraco e indefeso, soterrar o sonho e a utopia, prometer sabendo que não cumprirá a promessa, testemunhar mentiroamente, falar mal dos outros pelo gosto de fala mal (...) A ética de que falo é a que se sabe afrontada na manisfestação discriminatória de raça, de gênero , de classe(...). A atualidade do seu pensamento vem sendo atestada pela multiplicidade de experiências que se desenvolvem tomando o seu pensamento como referência, em diferentes áreas do conhecimento. A crescente publicação das obras de Paulo Freire, em dezenas de idiomas, a ampliação de fóruns, cátedras e centros de pesquisa criados para pesquisar e debater o legado freireano, são indicações da grande vitalidade do seu pensamento. As obras de Paulo Freire, incluindo mais de 20 livros foram e ainda são publicadas em dezenas de países. O seu livro mais importante, Pedagogia do Oprimido, foi traduzido em mais de vinte idiomas, com tiragem já na marca dos quinhentos mil exemplares. Essa projeção confere ao conjunto de suas produções o caráter de uma obra universal. A essas evidências acrescente-se o grande número de sistemas públicos de ensino no Brasil que têm , especialmente nos últimos vinte anos, tomado a proposta freireana como referência para o seu trabalho. Frente a esses fatos, não se pode aceitar que os professores que valorizaram a contribuição de Paulo Freire, mencionados nessa reportagem da Veja, “idolatram um arcano e estão no passado”. No mínimo, essas afirmações equivocadas, sem fundamento e irreverentes, não merecem qualquer crédito.

Ana Maria Saul é doutorado em Educação
professora titular da PUC/SP e Coordenadora da Cátedra Paulo Freire.da PUC de São Paulo.


**********

"A melhor contribuição que a Revista Veja tem trazido à Sociedade e Cultura brasileiras é a de escancarar, ainda que indecorosamente, as convicções mais reacionárias e preconceituosas que uma parte das elites deste País tem gozo em cultivar".

Alípio Casali
Professor Titular Pós-Graduação em Educação / Currículo da PUC-SP.

**********

SOBRE PAULO FREIRE

Fui Secretário de Educação da cidade de São Paulo, 10 anos após a saída de Paulo Freire, que ocupou a pasta de 1989 – 1991. Os frutos plantados por ele se estenderam – e se estendem até hoje - por todos os setores da secretaria: os gestores, os pais, as comunidades do entorno das escolas, as ONGs. As creches, o sistema EJA, os professores, as universidades públicas, os alunos são unânimes em reconhecer os novos princípios plantados por ele de democracia na gestão, de melhoria social da aprendizagem, de inclusão e permanência dos alunos na escola. Sendo assim, muito me estranha que se critique a sua figura como educador de mérito, de profunda eficácia para a aprendizagem com qualidade social, de reconhecimento mundial e de valorização entre os docentes e educadores de nosso imenso país. Todos têm nele um exemplo de compromisso com a educação de qualidade para todos.

Fernando José de Almeida
Filósofo e Pedagogo, é pos-doutor em Educação, foi Vice-Reitor da PUC-SP e Secretário Municipal de Educação, atualmente é vice-presidente da FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA/TV CULTURA.


**********

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir, que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, as validando e praticando e que, portanto, reconhece que a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

Ana Maria Araújo Freire (Nita)
Viúva do educador Paulo Freire Doutora em Educação pela PUC/SP .

**********

Fui informada por amigos que certa revista tentou desqualificar a obra do Prof. Paulo Freire para justificar sua posição autofágica de propor o debate e ao mesmo tempo defender o pensamento único na educação. Parece que é política da revista ignorar que estamos numa democracia e que, portanto, decisão coletiva e “diálogo” se constituem em preciosas alternativas pedagógicas para a formação da cidadania e - para surpresa deles – na formação do pensamento crítico, de alunos e professores, objetivo insubstituível da educação nas sociedades democráticas. Não por acaso, e apesar do empenho na despolitização cada dia maior dos professores, a proposta paulofreireana de formação de professores, enquanto um exercício de criticidade, onde a curiosidade ingênua se transforma em curiosidade epistemológica deve parecer à referida revista, utópica. Para quem, como Paulo Freire, entendia a prática docente como ensaio ético e estético, que traduz o compromisso social dos professores com os oprimidos, os marginalizados, os excluídos, os pobres, os brasileiros enfim, acusá-lo de “esquerdista” é um paradoxo. Afinal, ele era mais que isso, era um libertador! Viva Paulo Freire! Viva a educação popular brasileira! Viva a educação emancipadora!

Lisete Arelaro
Professora da Faculdade de Educação da USP.

**********

Ao ler a reportagem da revista Veja sobre equivocada e infeliz citação ao nosso ícone da educação Paulo Freire fui tomada pela perplexidade. Infeliz foi o brasileiro que atirou em Paulo Freire num ato de extremada loucura daquele que sem saber como utilizar uma potente arma atira-a sobre seu proprio pé.A essa pesssoa caberá cuidar de seus próprios ferimentos, que ás vezes de tão graves provocam a auto/amputação.Nosso amigo Paulo, que conosco diariamente dialogava talvez dissesse, como disse para mim em outra situação semelhante: trata-se de pessoa muito mal AMADA! daquelas que nunca se comovem nem frente a uma bela obra de arte- o destino é implacavel e cobrará dela em algum dia.Resta-me nesse instante nada além de PIEDADE

Ivani Fazenda
professora titular do Programa de Pós-Graduação Educação: Currículo da PUC/SP

**********
Como faço parte dos muitos professores que valorizam a contribuição de Paulo Freira paraa Educação brasileira, gostaria de lembrar que todos que se destacaram por sua presença e grandes feitos na história da humanidade, não raro, também foram incompreendidos por outros que desconheciam de quem e do falavam. A justiça ficou por conta da própria história.

Dra. Regina Lúcia Giffoni Luz de Brito
Professora do Programa de Pós-/Graduação em Educação:Currículo da PUC/SP

Ingles English
dot1_yell.gif Español