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CAMINHOS
DA TRANSDISCIPLINARIDADE - fugindo a injunções
lineares - (*)
Maria
Lucia Rodrigues*
" Quando a ciência se restringe a um
pequeno grupo, o espírito filosófico do povo
decai,
e ele caminha assim para a indigência espiritual."
Albert Einstein
Cercam-me,
constantemente, desdobradas inquietações em
torno de algumas questões: por que são cada
vez mais frequentes os interesses dos profissionais das
áreas das ciências humanas e naturais pela
perspectiva transdisciplinar? o que nos atrai na temática
transdisciplinaridade? que sentido ou sentidos evoca esta
palavra? as reflexões e os conhecimentos resultantes
de propostas transdisciplinares seriam apenas um modismo
ou uma tendência momentânea do intelectual?
· Sentidos da Transdisciplinaridade
Transdisciplinaridade
sugere muitos significados, desde aqueles capazes de incitar
atraentes movimentos reflexivos, investigativos, até
reações de forte
resistência e desconfiança, principalmente
se considerarmos a perspectiva polissêmica que a palavra
é capaz de inspirar. Ao mesmo tempo em que estimula
oposições, a transdisciplinaridade tem o poder
de aglutinar, de provocar certa sedução. Ao
mesmo tempo em que é estrategicamente utilizada como
passaporte de um saber maior, é também alvo
de críticas e confusões interpretativas, principalmente
quando relacionada a concepções sincréticas
ou niilistas.
O
sentido com o qual vamos aqui trabalhar é aquele
que potencializa a idéia de caminhar, de ultrapassar
as fronteiras das disciplinas e de ousar transitar por elas.
Vamos acolher a transdisciplinaridade, como propõe
Basarab Nicolescu , no movimento que se estabelece "entre",
"através" e para "além"
das disciplinas cuja dinâmica consolida-se na "coerência",
na "legitimidade" e na "articulação"
de saberes que desdobram-se de seu difícil exercício.
A
transdisciplinaridade surge como possibilidade para o alargamento
da compreensão do real, como renascimento do espírito
e de uma nova consciência , de uma nova cultura para
enfrentar os perigos e horrores desta época . Instiga
a tomar consciência da gravidade do momento e a colocar
em conexão os conhecimentos e as capacidades de pensar
para transformar a si mesmo e o mundo em que vivemos , levando
a termo uma nova praxis. Ser histórico e compreender-se
historicamente não significa somente o entendimento
de uma lógica cuja razão crítica está
na base de explicações conjunturais e econômicas,
mas sim e também, reconhecer-se trans-histórico
e responsável por um pensamento de si, do contexto
e do complexo . "A prática de um olhar transdisciplinar,
muito alerta à contextualização dos
conceitos, não visa a conversão de sua eficácia
heurística de um domínio para outro, mas a
multiplicar os ângulos de aproximação
que complexificam o objeto" . Está em questão
para além da "...modalidade do fazer humano"
, a necessidade de reaprender a religar conhecimentos, problematizar
o contexto, articulando todo o saber à vida; a necessidade
de realizar uma reforma do pensamento ( que no dizer de
Morin é uma questão antropológica e
histórica) capaz de promover a cultura de uma consciência
humanitária que se funde na capacidade de integração
entre a vida, a conduta e o conhecimento.
Na
realidade, a transdisciplinaridade nasce da premente exigência
de consagrar o diálogo entre diferentes campos de
saber sem impor o domínio de uns sobre os outros,
acercando-se de uma atitude e de uma postura que orientem
a interação e a "reliance" entre
os profissionais e seus conhecimentos. Em recente palestra
sobre o tema "Cognição e Transdisciplinaridade"
, Humberto Maturana diz que "para transpassar fronteiras
precisamos de liberdade. Isso significa que temos de nos
comportar de maneira que possamos emergir sem que tenhamos
medo de desaparecer no que fazemos. Assim, podemos voltar
ou ficar lá, ou podemos ir além e juntar coisas
que de outra maneira não seriam juntadas, porque
campos diferentes não se relacionam mas somos nós,
seres humanos, que os relacionamos" .
Se
a divisão do conhecimento e do trabalho resultam,
tradicional e historicamente, de diferentes modos de organização
social e institucional, é importante considerar que,
mesmo reconhecendo o caráter sutil da natureza transdisciplinar
e a frágil importância atribuída ao
seu exercício, será necessária a formação
de uma outra cultura profissional, intelectual e educacional
que contemple uma qualificação diversificada,
que permita gradativamente abolir as distâncias culturais
e tenha como eixo a reaproximação dos homens
de si mesmos, uns dos outros e da natureza.
Ainda
que tenhamos dificuldade em admitir, tratar de uma educação
para o futuro, exige uma reforma do pensamento que recuse
a separação entre as ciências e as humanidades,
que una ao invés de dividir, que detenha o ritmo
da especialização, da dogmatização,
do enrrigessimento de saberes e faça vir à
tona um educador capaz de reorganizar e solidarizar conhecimentos,
sua relação planetária, sua responsabilidade
pelas idéias. "Isso indica que um modo de pensar,
capaz de unir e solidarizar conhecimentos separados, é
capaz de se desdobrar em uma ética da união
e da solidariedade entre humanos. Um pensamento capaz de
não se fechar no local e no particular, mas de conceber
os conjuntos, estaria apto a favorecer o senso de responsabilidade
e o da cidadania. A reforma do pensamento teria, pois, conseqüências
existenciais, éticas e cívicas .
A transdisciplinaridade é diferente da multidisciplinaridade
e da interdisicplinaridade. A multidisciplinaridade ou pluridisciplinaridade
trata do estudo de um mesmo objeto por várias disciplinas;
não há necessidade de integração
entre elas uma vez que cada qual concorre com seus conhecimentos
específicos no estudo de determinado assunto, podendo
no máximo, resultar em certa organicidade de apresentação
dos resultados ou de contribuições. É
visível os níveis de cooperação
das diferentes disciplinas e, também, a peculiaridade
produzida pela consequente orientação dos
conhecimentos envolvidos naquele estudo.
A
interdisciplinaridade, diferentemente da pluri ou multidisciplinaridade,
promove a troca de informações e de conhecimentos
entre disciplinas mas, fundamentalmente, transfere métodos
de uma disciplina para outras. Por exemplo: os métodos
da física nuclear podem auxiliar na cura do câncer,
na engenharia de alimentos ou de remédios, etc..
Corresponde a um espectro mais ampliado de ação,
alcançando um processo de interação
entre disciplinas capaz de promover a conjugação
de conhecimentos que elevem os níveis de saber.
A
interdisciplinaridade possibilita não só a
fecunda interlocução entre as áreas
do conhecimento como também constitui uma estratégia
importante para que elas não se estreitem nem se
cristalizem no interior de seus respectivos domínios;
favorece o alargamento e a flexibilização
dos conhecimentos disponibilizando-os em novos horizontes
do saber. É compreendida como método, técnica
didática, instrumento de ação , mas
principalmente, "(...) como postura profissional que
permite se pôr a transitar o 'espaço da diferença'
com sentido de busca, de desvelamento da pluralidade de
ângulos que um determinado objeto investigado é
capaz de proporcionar, que uma determinada realidade é
capaz de gerar, que diferentes formas de abordar o real
podem trazer. (...) A perspectiva interdisciplinar não
fere a especificidade das profissões e tampouco seus
campos de especialidade. Muito pelo contrário, requer
a originalidade e a diversidade dos conhecimentos que produzem
e sistematizam acerca de determinado objeto, de determinada
prática, permitindo a pluralidade de contribuições
para compreensões mais consistentes deste
mesmo objeto, desta mesma prática" . Sob este
ângulo, a interdisciplinaridade não pretende
a unidade de conhecimentos mas a parceria e a mediação
dos conhecimentos parcelares, na criação de
saberes. Podemos arriscar nela ver uma mediação
para a transdisciplinaridade.
É
possível que a dificuldade maior não se localize
nos diferentes sentidos que se possa atribuir ao transdisciplinar
mas no desafio de seu exercício: não se importar
em submergir ou não ficar à tona das ações
que empreendemos e conseguir conjugar diferentes conhecimentos
com criatividade, com poiésis, com novo nexo.
Trata-se
de um exercício que requer responsabilidade pelo
pensamento, pelas idéias, pelas ações,
viabilizando o conhecimento pela competência de uma
racionalidade aberta capaz de conviver com o que se lhe
opõe ou resiste como força e fundamento de
argumento: "(...) o desenvolvimento da ciência
não se efetua por acumulação dos conhecimentos,
mas por transformação dos princípios
que organizam o conhecimento" .
O
pesquisador e educador transdisciplinar é um "resgatador
de esperança" , porque propõe a ressurreição
do sujeito que resiste, apesar de tudo, a qualquer tipo
de dogma, de atitudes ideologizadas, para construir os projetos
do futuro. Trata-se de uma atitude e de uma visão
cujo sentido consiste em superar-se, ultrapassar os limites
do próprio sentido.
·
Transdisciplinaridade e Complexidade
Vivemos
um período de mudanças extraordinárias
quer nos meios de comunicação, quer nos saberes,
quer no ritmo cotidiano, e não as dominamos ou não
conseguimos acompanhá-las; paradoxalmente, e ao mesmo
tempo, somos os responsáveis por elas e gestores
de todas elas. Temos, pois, mudado a ordem das coisas, com
o poder do conhecimento e dos meios de que dispomos. A questão
consiste em saber de que modo estamos realizando essas mudanças,
com quais valores, em que sentido, através de que
formas de agir.
A
transdisciplinaridade supõe agir sobre os saberes
que vimos produzindo, atuando sobre os valores que os mantêm,
o modo de praticá-los, questionando as "chamadas"
novas competências individuais e coletivas; faz-nos
retomar as marcas profundas que a história nos legou,
utilizando este aprendizado como experiência essencial
na reorientação de novas ações
e de uma nova ética. Consiste, portanto, no exercício
crítico em que concorrem pensamento, ação,
experiência, diferença, valores.
Certamente,
não se trata de proposta simples. A perspectiva transdisciplinar
requer a eficácia de uma dialógica, abertura
para escutar o que se passa em outras esferas do conhecimento,
mesmo mantendo posição divergente, pois é
impossível saber-se tudo, dominar todos os ângulos
de uma investigação. Deste modo, a "transdisciplinaridade
aparece como um movimento de reconhecimento do espírito
e da consciência ... uma consciência nova da
realidade, contraponto urgente a certos perigos da época"
. Sugere Nicolescu que realizemos a conciliação
entre a linguagem interior do homem e o saber que ele constrói;
conciliação que resulta da compreensão
e do reequilíbrio entre o saber produzido e as necessidades
interiores do homem.
A transdisciplinaridade instala-se, portanto, na interação
entre o sujeito e o objeto, na compreensão de que
a realidade é multudimensional e na compreensão
da possibilidade de inclusão do terceiro excluído,
ou como chamo, no jogo exclusão-inclusão.
Este jogo tem como fonte um dos princípios lógicos
que Aristóteles formula, a saber, o princípio
do terceiro excluído: "...dadas duas proposições
cujos predicados são contrários, uma delas
é verdadeira e a outra falsa, não havendo
terceira possibilidade" . Mas, para que um sistema
(conjunto de elementos complexos, heterogêneos e homogêneos)
exista, é necessário o movimento de atração
e rejeição, contendo seus elementos, portanto,
a inclusão, em outro nível, de um elemento
formado dessa rejeição-atração
(terceiro incluído). A consciência desta possibilidade
nos projeta para um aprendizado que inclui a presença
de um contrário, sem a necessidade de transformá-lo
ou simplificá-lo; em primeira instância, o
imprevisto consiste em conviver com e enfrentar a existência
deste patamar de realidade. Transdisciplinarmente, este
nível trans-passa os sistemas mais conhecidos, coloca
em evidência a dúvida, o incerto, inaugurando
trajetos originais, criativos, em que se integram, complexamente,
diferentes e contrários aspectos de uma realidade.
Alguns
princípios alicerçam, desde já, nossa
investida neste campo de reflexão: a adoção
irrevogável de uma postura crítica, uma atitude
responsável e pluralista tendo em vista os contextos
aqui trazidos para o debate.
Estes
princípios têm sustentação na
teoria da complexidade de Edgar Morin, especialmente ao
priorizar como necessária ao educador a determinação
de um pensamento conectante, capaz de resistir às
tendências magnetizantes de uma racionalidade fragmentada;
a restauração do sujeito responsável
que se contraponha ao argumento de autoridade e priorize
a fundamentação de uma idéia; a motivação
pela polêmica; o constante auto-exame que procure
evitar aquele realismo trivial e se fortaleça num
movimento que se consolide na re-humanização
do conhecimento.
O
apelo à re-humanização e ao desenvolvimento
transdisciplinar que nos parece estar em curso, tem seu
solo na necessária mudança de rumos que temos
de empreender tanto para produzir e exercitar os conhecimentos,
quanto para fazer e viver a vida. Precisamos repensar o
saber considerando a dispersão e o parcelamento dos
conhecimentos. E como o tempo é hoje muito mais de
disjunção, tornam-se mais visíveis
nossas dificuldades para alterar uma formação
e uma moral determinista e ainda mecanicista, para assumir
a acústica dos múltiplos, dos duplos, e começar,
por assim dizer, a romper as fronteiras entre unidade e
multiplicidade, objetividade e subjetividade, ordem e desordem,
etc., aceitando também nossa natureza dual.
O
desafio de uma outra ordem está no re-aprendizado
da "reliance" (religação) e da "incertitude"
(incerteza) que acionam ao mesmo tempo as forças
de conjunção, as forças de disjunção
e que movimentam as certezas com a dúvida, com a
incerteza, podendo assim provocar uma outra harmonia, diferente
daquela que estabelecemos como detentora da qualidade de
vida.
Nesta
perspectiva, Morin nos convoca a pensar sobre o tipo de
transdisciplinaridade que precisamos realizar lembrando
que "...a ciência se baseou na exclusão
do sujeito"; precisa, portanto, rever e retomar esse
sujeito, rever e transformar os "...princípios
que organizam o conhecimento. (...) ignorou-se que as teorias
científicas não são o puro e simples
reflexo das realidades objetivas, mas são os co-produtos
das estruturas do espírito humano e das condições
socioculturais do conhecimento" .
Falamos,
desta feita, de uma transdisciplinaridade que, articulada
à teoria da complexidade, considera os mecanismos
de disjunção destes domínios do conhecimento
mas pratica a conjunção possível sem
operar reduções, procurando nas relações,
ações e retroações, aprender
a reconhecer os diferentes níveis de realidade.
Estamos
num momento que requer, de educadores e de outros profissionais,
não só a "reforma do pensamento",
no dizer de Morin, ou seja, a formação de
uma consciência humanitária que se funde na
capacidade de integração entre a vida, a conduta
e o conhecimento. Requer também a exigência
da convicção para agir e tomar decisões
que mobilizem o espírito humano para assumir uma
cultura diversificada, complexa, viva. Será necessário
apostar na re-humanização do homem, fazendo
essa humanidade vir à tona, atacando "...o problema
da dominação em suas estruturas mentais e
organizacionais" .
Desafiador
é enfrentar os problemas de nosso tempo sem angústia
imobilizadora, conviver com as diferenças, com a
insegurança e o incerto, buscando nas relações
humanas e cotidianas o constante reaprendizado da missão
formativa. Desafiador é ainda aprender a respeitar
os limites e o que se opõe ao nosso modo de ser,
como requisito pendular à maturação
educativa.
· Para uma síntese reflexiva sobre a transdisciplinaridade
n A questão não está em superar as
fronteiras que existem entre as disciplinas mas em transformar
o que gera as fronteiras.
n As disciplinas precisam reassumir os sujeitos sociais
( em contraposição à exclusão
do sujeito) em sua integralidade; não eliminar de
seu pensamento, de sua episteme, a alma, o conteúdo,
as emoções, o sofrimento; não eliminar
o vivente.
n A ligação efetiva entre as ciências
da natureza e as ciências do homem se faz necessária.
n A relação entre pensamento complexo e transdisciplinaridade
está na proposta de religação entre
o que está partido, desconectado, tudo quanto permite
religar o todo e a parte.
n Para promover a transdiciplinaridade é necessário
um paradigma que permita disjuntar os domínios científicos
fazendo-os comunicarem-se sem redução.
n Este paradigma é o da complexidade; ele disjunta
e associa, ao mesmo tempo, os níveis de emergência
da realidade sem reduzí-los a unidades elementares
ou a leis gerais.
n Não há um princípio unitário
para todos os conhecimentos, até porque isto provocaria
um movimento de simplificação, eliminando
a diversidade e as incertezas da realidade.
No
1o. Congresso Mundial da Transdisciplinaridade realizado
em Portugal, em novembro de 1994, foi elaborada uma Carta,
no estilo de um manifesto, com a finalidade de produzir
uma marca e tornar mais compreensivos os aspectos fundamentais
da abordagem transdisciplinar. Dela escolhemos três
artigos que consideramos importantes para aqui assinalar.
n
"A visão transdisciplinar é resolutamente
aberta na medida que ultrapassa o campo das ciências
exatas devido ao seu diálogo e sua reconciliação
, não apenas com as ciências humanas, mas também
com a arte, a literatura, a poesia e a experiência
interior".
n "A ética transdisciplinar recusa toda atitude
que se negue ao diálogo e à discussão,
qualquer que seja sua origem - de ordem ideológica,
científica, religiosa, econômica, política,
filosófica. O saber compartilhado deveria levar a
uma compreensão compartilhada, baseada no respeito
absoluto das alteridades unidas pela vida comum numa única
e mesma terra."
n "Uma educação autêntica não
pode privilegiar a abstração no conhecimento.
Ela deve ensinar a contextualizar, concretizar e globalizar.
A educação transdisciplinar reavalia o papel
da intuição, do imaginário, da sensibilidade
e do corpo na transmissão dos conhecimentos".
Ao se tratar da transdisciplinaridade há, por vezes,
tendência a reduzí-la, concebendo de maneira
trivial o seu sentido. Desviar-se desta simplificação
é fugir às linearidades e realçar,
precisamente, a complexidade na qual a transdisciplinaridade
encontra fundamento e espessura.
(*)
Texto originalmente publicado na Revista Serviço
Social e Sociedade, No.64, AnoXXI, São Paulo, Ed.Cortez,
Nov/2000.
*
Professora Doutora, Titular do Programa de Estudos Pós-Graduados
em Serviço Social da Puc/sp e coordenadora do Núcleo
de Estudos sobre Ensino e Questões Metodológicas
em Serviço Social.
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