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Dia 11/08/2006 às 14:00h
Rogata Soares Del Gáudio (Pesquisadora do NEILS)

Concepções de nação e estado nacional dos docentes de Geografia - Belo Horizonte no final do segundo milênio

Banca Examinadora Rosalina Batista Braga [UFMG] (orientadora), Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida [PUC/SP], Lana Mara de Castro Siman [UFMG], Maria das Graças Paulino [UFMG] e Vânia Rúbia Farias Vlach [UFU].

Resumo

Esta pesquisa procura compreender as concepções dos professores de Geografia, que atuam em Belo Horizonte no final do segundo milênio, sobre nações e estados nacionais. É uma pesquisa qualitativa, situada no amplo conjunto da Teoria Crítica e na fronteira entre três ciências, a Ciência Política, a Geografia e a Educação. Consideramos os professores sujeitos e produtores de conhecimento em e sobre sua prática, bem como acerca dos princípios que a norteiam. Consideramos ainda que os saberes dos professores são teóricos (disciplinares, inclusive), práticos, sobre a prática e oriundos da prática, e que esta possibilita a (re)construção permanente de seus saberes e incide sobre suas crenças e identidade. Ao analisar as qualidades desejadas em bons professores, em especial para o ensino médio, ressalta-se a importância de ser boa pessoa, ter conhecimentos disciplinares e metodologia de ensino, além de ser capaz de conferir sentido ao conteúdo e de ensinar certo modo de raciocinar, integrando campos distintos do conhecimento humano. A escolha, tanto da Geografia, quanto dos conceitos de nações e estados nacionais associa-se à própria construção desta disciplina escolar, na medida em que esta se consolida vinculada ao Estado e a certo modo de propagar a ideologia nacional. Procuramos investigar se a geografia, em especial a escolar, constitui ainda, caminho para veiculação da ideologia nacional. As concepções dos professores entrevistados sobre nações e estados nacionais caracterizam-se por uma necessidade de materializá-los e diferenciá-los, na medida em que a prática com conteúdos como nova ordem mundial, conflitos e focos de tensão os trazem à baila. Assim, os professores entrevistados diferenciam nações e estados nacionais, sobretudo, com base em alguns elementos, tais como a questão cultural, étnica, identitária e de "sentimento" (pertencer a) para as nações; e, para os estados nacionais, a posse soberana sobre o território, a existência do aparelho estatal, e o reconhecimento de sua soberania por outros estados nacionais. Há ainda, por parte dos docentes entrevistados, o recurso à utilização intensiva do termo "país", ora designando a um, ora ao outro. Há que se considerar também que, para construção da ideologia nacional no Brasil, o recurso ao discurso geográfico foi bem mais intenso que ao discurso histórico, uma vez que a construção de nossa identidade está calcada em elementos como a extensão territorial, a natureza (em seu duplo aspecto edênico e infernal) e a presença de um povo ordeiro e pacífico.
PUC-SP
Programa de Estudos Pós Graduação em Ciências Socias