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Como o filme “Quando tudo começa” colabora com a reflexão sobre a gestão escolar na escola pública

Keila Balbino*

O filme “Quando tudo começa”, do diretor Bertran Tavernier,  retrata uma escola pública de educação infantil em uma cidade do interior da França. Atendendo crianças que vivem na pobreza, em alguns casos de forma extrema, os profissionais da educação, além de lidar com as dificuldades advindas da classe social, como fome e faltas injustificadas, precisavam enfrentar  as deficiências do colégio.

O prédio da escola era estruturado com apenas três salas de aula (o número de alunos pedia mais), uma sala para os professores e uma para o diretor, precisando de reformas urgentes, porém, recebia poucos recursos financeiros do município, apenas o necessário para despesas básicas e, apesar desses e de outros problemas enfrentados pelos profissionais, vimos no filme o desejo de superar os percalços em prol de um ensino de qualidade para as crianças. 

As decisões a respeito do processo educativo eram tomadas com todos profissionais da escola; cada um trazia suas ideias que eram ouvidas, discutidas e, as que alcançavam os alunos e seus familiares de forma mais ampla, eram aplicadas, levando à democratização da gestão. Observamos, no filme, que essas práticas lutavam contra uma política pública insuficiente, buscando proporcionar qualidade ao ensino ofertado, mesmo em meio a tantas dificuldades apresentadas naquele espaço.

Existia uma ligação bem próxima da comunidade familiar e os  docentes e as dificuldades de cada família, em particular, logo eram percebidas. O diretor da escola, Daniel, tinha uma preocupação em atender a todos em sua singularidade e podemos destacar o interesse que o mestre (já que ele também dava aulas) demonstrava por seus alunos e familiares.

Daniel buscava conhecer a fundo cada criança, como ela vivia, quais dificuldades enfrentava fora da escola. Isso fazia com que ele se envolvesse diretamente na relação familiar e, a partir de seus conhecimentos sobre a política da cidade e os direitos de cada cidadão, ajudava e facilitava a vida não só dos alunos, mas também de seus familiares.

Ainda que o filme retrate a realidade de outro país, encontramos situações próximas nas escolas brasileiras. Queixas por parte dos profissionais da educação de pais que não se preocupam com a aprendizagem de seus filhos, falta de recursos para o trabalho docente e até mesmo maus-tratos contra os alunos são corriqueiros no ambiente escolar.

Podemos refletir que as ações tomadas pelos profissionais da escola retratada no filme, especialmente do diretor, contribuem para a qualidade de vida das crianças refletindo em seu dia a dia escolar. O filme mostra a importância de se olhar o entorno e abrir as portas para a comunidade, assim, a escola passa ser referência dos moradores daquela região. “Quando tudo começa” traz à tona a realidade de muitas crianças que estão dentro e fora da escola e todo profissional que tem a escola no centro de seu trabalho irá encontrar um olhar diferenciado nesta obra.

 

* Keila Balbino é pedagoga, mestranda em Fonoaudiologia pela PUC-SP, na linha de pesquisa Linguagem e Subjetividade, Professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental das Secretarias Municipal e Estadual de São Paulo.

 

 


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