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Deve-se trabalhar com leitura e escrita na educação infantil?

As questões relativas à como a criança passa a ler e escrever tem sido exploradas em diversas áreas de conhecimento, dentre elas a Educação, a Psicologia, a Psicanálise e a Fonoaudiologia. Sabemos que, atualmente, um número cada vez maior de escolas, principalmente particulares, tem propostas de alfabetização na educação infantil. Cabem aí alguns questionamentos, por que alfabetizar antes da entrada da criança no primeiro ano? Ela estaria preparada para uma alfabetização formal antes dos 6 anos? Por que o tempo de brincar está cada vez menor?

Com a mudança do ensino fundamental de 8 para 9 anos, transformando o antigo pré em primeiro ano, muitas das escolas têm, já no primeiro ano, a disposição de sala com carteiras individuais e aulas expositivas. No discurso social, já se espera inclusive que a criança chegue quase alfabetizada no novo primeiro ano, assim as crianças que estão no processo de alfabetização são consideradas como crianças com dificuldades ou alterações como a dislexia.  

Em nossa linha de pesquisa temos estudado os indicadores de saúde e risco para a constituição do leitor/escrevente. Os indicadores foram desenvolvidos a partir de haver, segundo De Lemos (1998), efeitos da fala do Outro, instancia da língua constituída, sobre a escrita da criança, pois o Outro ao interpretar as produções da criança coloca o sujeito na língua, ou seja, a linguagem não é ensinada, há uma captura da criança por um funcionamento linguístico discursivo. O texto oral dito pelo Outro dá significado ao escrito e com isso instaura relações e referências com textos-discursos e não com palavras e sílabas.

O Outro, por meio da suposição de que há na criança um potencial sujeito escrevente e, reconhecendo-a como tal, interpretará sua escrita, inserindo-a no movimento linguístico discursivo por meio de atividades que a tornem ativa, como a leitura de textos e a interrogação sobre o que ela escreveu quando “brincando de escrever”.

Adotando estes pressupostos teóricos abandonamos a vertente psicológica do aprender em favor de uma abordagem que coloca o sujeito e sua singularidade no centro da cena. A partir do entendimento de que o letramento, segundo Tfouni (1994), está ligado à existência de um código escrito na sociedade, sendo letrado o sujeito que sofre influencia deste meio, não tendo necessariamente ligação com a escolaridade ou com a alfabetização; e de que o germe da constituição do leitor/escrevente está presente desde sua entrada na linguagem, propusemos  os indicadores de risco para a constituição do leitor/escrevente.

A captura da criança pela escrita ocorreria, a nosso ver, conforme os seguintes eixos descritos por Reis e Freire (2011):

  • Suposição de um sujeito “leitor/escritor”: o adulto antecipa a criança como leitor/escritor, Sustentado pela suposição de que a criança possa de alguma maneira ler e escrever, partilhar do código, abre possibilidade para que ela ocupe este lugar.

  • Reconhecimento do sujeito como leitor/escritor: o adulto toma a produção da criança como um texto que pode ser lido por outro, assim como sua leitura, reconhecida como tal, mesmo que ainda não coincida com o que está de fato escrito. O reconhecimento do adulto proporciona que a criança possa reconhecer-se também como leitora/escritora.

  • Responsividade à escrita do outro: a criança mostra reconhecer portadores de texto, responde à escrita lendo, ou “brincando de ler”. Também pode reconhecer a presença de elementos não pertencentes à escrita, como desenhos e números.

  • Manifestação de autoria: inicialmente a criança produz textos identificados aos dos adultos, escritas semelhantes à textos aos quais foi exposta. Ao sofrer os efeitos da língua e ter suas produções reconhecidas como objetos portadores de escrita, passa a transgredir os textos e significantes conhecidos, mostrando suas próprias hipóteses sobre a linguagem escrita.

Desses eixos desdobraram-se indicadores de risco, já validados (Venezian e Freire, 2015), como representantes fenomênicos, observados na interação adulto/criança e/ou criança/escrita:

  1. Quando lê para a criança, o adulto aponta onde está lendo, para que ela “acompanhe” a leitura.

  2. O adulto pede que a criança leia para ele.

  3. O adulto pede que a criança escreva.

  4. A criança “brinca” de ler e/ou escrever.

  5. A criança “escreve” e lê sua produção para o adulto.

  6. A criança se oferece para ler para o outro.

  7. A criança lê/escreve quando lhe pedem.

  8. Quando não sabe escrever a criança escreve do seu jeito.

Acreditamos que estes indicadores possam servir de base para o planejamento de atividades a serem desenvolvidas na educação infantil, implementando um trabalho de promoção de saúde neste campo, que amplie as possibilidades de letramento das crianças menores de 6 anos, levando em conta criança, educador e ambiente escolar. Desta forma acreditamos que a criança chegaria ao Ensino Fundamental I com um conjunto de saberes essenciais para a alfabetização formal.

Janaina Venezian
Mestre em Fonoaudiologia pela PUC-SP, possui aprimoramento em "Fonoaudiologia nos distúrbios Psiquiátricos da Infância e Adolescência". Atualmente é fonoaudióloga em consultório particular e integra a equipe do “Trapézio - grupo de apoio a escolarização”.

REFERÊNCIAS

DE LEMOS, C.T.G. Sobre a aquisição da escrita: algumas questões. In: ROJO,R. (org.). Alfabetização e Letramento: Perspectivas Lingüísticas. Campinas: Mercado das letras, 1998. p.13-32.

REIS, B.P.; FREIRE, R.M. Indicadores preliminares para a constituição do sujeito leitor/escritor. [dissertação de mestrado]. Programa de Estudos Pós-graduados em Fonoaudiologia da PUCSP; 2011.

TFOUNI, L.V. Perspectivas históricas e a-históricas do letramento. Caderno de Estudos Linguísticos, Campinas, v.26, p.49-62, jan./jun, 1994

VENEZIAN, J.A.; FREIRE, R.M. Validação dos indicadores de risco para a constituição do leitor/escrevente. [dissertação de mestrado]. Programa de Estudos Pós-graduados em Fonoaudiologia da PUCSP; 2015.

 

 


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