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O Marco Histórico da Alfabetização no Brasil

Ezequiel Chassungo Lupassa*

No Brasil, a história da alfabetização muitas vezes se confunde com a história dos métodos de alfabetização. A origem e a utilização de novos métodos na alfabetização se relacionam com a necessidade de compreender os motivos pelos quais muitas crianças apresentam dificuldades no processo de aprendizagem da leitura e escrita, o que, por consequência, agrava o quadro de fracasso escolar ( Martatti, 2006).

Neste escrito trago o recorte histórico do marco da alfabetização que caracterizou o Brasil e as teorias que nortearam o processo de ensino da linguagem escrita.

Martatti (2006) afirma que nas duas últimas décadas do século XIX, sobretudo, no período da Proclamação da República, iniciam-se as práticas sistematizadas e escolarizadas de ensino de leitura e escrita. Durante o período imperial, a alfabetização era um privilegio das classes dominantes. Nessa época, aprender a ler e a escrever não era tarefa designada à escola, visto que com a instalação da corte portuguesa no país a escola primária ficou em segundo plano em função da ênfase no ensino secundário e superior. Com a necessidade de instaurar uma nova ordem política e social e com a implantação do regime republicano, a escola se configura como um espaço que garante a toda população o conhecimento da cultura de letramento (Martatti, 2006).

A este respeito, Martatti (2006) afirma que a alfabetização se tornou fundamental na escola obrigatória laica e gratuita; onde a leitura e a escrita se tornaram, permanentemente, objeto de ensino e aprendizagem submetida à organização sistemática, tecnicamente ensináveis, demandando preparo de profissionais especializados.

Para isso houve necessidade crescente de criar estratégias organizativas, sistemáticas e didáticas para subsidiar tal trabalho. Grandes debates e discussões foram feitos para se saber o melhor e mais eficiente método de ensino em leitura e escrita.

Ramos (2010) afirma que a história da educação do Brasil foi marcada por muitas lutas e vitórias protagonizadas pelos antepassados.

Ainda no contexto histórico da alfabetização, Martatti (2006) e Ramos (2010) afirmam que o país nesta época foi marcado por métodos de alfabetização que existiam desde o século XIX, que debatiam o mesmo problema, as dificuldades de aprendizagem das crianças do Brasil, em particular nas escolas públicas. Os fatos nos fazem crer que nesse período de buscar uma compreensão deste fenômeno que assolava os escolares na aprendizagem da linguagem escrita foram criados dois métodos clássicos: o sintético e o analítico.

  • O método sintético foi marcado pelo modelo tradicional no qual a criança aprendia primeiro as letras, depois as silabas, em seguidas as palavras, depois passava para frases e texto. Nesse caso, utiliza-se o princípio fônico que, no passado, era conhecido como acrônico.
  • O método analítico surgiu com o objetivo de superar o sintético usando o método inverso em que a criança tinha contato com o texto, depois seguia o processo de aprender a técnica e, por fim, o ensino da frase, palavras e letras. Martatti (2006) destaca que, as duas , Imperial e Republicana, que o Brasil vivenciou, marcaram a disputa dos métodos da alfabetização. A autora chama o primeiro método de metodização de ensino de leitura cuja base era o método sintético no qual a criança era direcionada às atividades de ortografia e caligrafia. Isto indica que o ensino sucede na ordem crescente de superação das dificuldades e a preocupação do professor centra-se em ensinar as técnicas da escrita para garantir o sucesso da criança na escola assim como na sociedade ou meio em vive.

No método analítico, o ensino da leitura deveria ser iniciado pelo “todo”, para depois se proceder à análise de suas partes constitutivas. No entanto, os modos de processuação do método foram se tornando diferentes, dependendo do que seus defensores consideravam o “todo”: a palavra, ou a sentença, ou a historinha.

Assim, pensar no ritmo desse complexo movimento histórico da alfabetização no Brasil, marcado pela questão dos métodos, a despeito das mudanças efetivamente ocorridas, a desejada ruptura com a tradição se processa, muitas vezes, no interior de um quadro de referências tradicional e, ao nível das superestruturas, indicando a continuidade, no tempo, de certas concepções de educação como esclarecimento, fim não alcançado. Mas permanece como parâmetro primeiro a demandar ajustes e meios cada vez mais eficazes, o interesse pela alfabetização como área estratégica e autônoma para a objetivação de projetos políticos e sociais decorrentes de urgências de cada época. Ao mesmo tempo, vão-se produzindo reflexões e saberes que configuram o movimento de escolarização do ensino e aprendizagem da leitura e escrita e de sua constituição como objeto de estudo/pesquisa, evidenciando a alfabetização como o signo mais complexo da relação problemática entre educação e modernidade.

Referências bibliográficas

MORTATTI, M. R. L. HISTÓRIA DOS MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL. Seminário realizado em Brasília, em 27/04/2 2006.

RAMOS H.E. CONCEPÇÕES DE LINGUAGEM ESCRITA DE PROFESSORES DO 1° DO ENSINO FUNDAMENTAL, Campina-PUC, 2010.

* Ezequiel Chassungo Lupassa é pedagogo, especialista em Psicopedagia, mestrando em Fonoaudiologia pela PUC-SP, na linha de pesquisa de Linguagem e Subjetividade.

 


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