Linguagem e Subjetividade
Página Inicial
Linguagem e Subjetividade
Linguagem e Subjetividade
Banco de Dados de Fala e Escrita
Banco de Dados de Fala e Escrita
Cadastro para acesso ao banco de dados
Alfabetização e Seus Avatares
Laboratório de Observação de Linguagem
Parcerias
Eventos
Coluna “Fonoaudiologia em Questão”
biblioteca_novo
Links
Contato


   

Página inicial >Coluna "Fonoaudiologia em Questão"

A Leitura: cotidiana e motivacional

Adriana Gaião e Dayane Lotti
Graduandas em Psicologia -PUC SP
integrantes do projeto A alfabetização e seus avatares

É comum ouvirmos o quão benéfico é o hábito de ler praticado por pessoas de todas as idades para variados fins, seja por lazer, necessidade ou pela apropriação de conhecimento. Ao nos depararmos, porém, com a relação entre os brasileiros e a leitura, vemos que cada vez menos estamos envolvidos com essa atividade. O projeto “Retratos da Leitura no Brasil” desenvolvido pelo Instituto Pró Livro (IPL), é o primeiro e único estudo nacional destinado a investigar o comportamento leitor do brasileiro, e, em seu levantamento mais recente, divulgou que entre os anos de 2007 e 2011 o número de brasileiros que haviam lido ao menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa, caiu de 95,6 para 88,2 milhões de pessoas. Esses números indicam uma redução de 5% da população leitora, incluindo crianças e adolescentes em idade escolar.

Durante a vida estudantil, a escola é integrada à vida do aluno e supre pontos cruciais cotidianos, sendo por um bom tempo o seu segundo lar e a segunda família. Tornar o ambiente escolar propício à formação intelectual e pessoal da criança, requer o uso da leitura como importante ferramenta nesse processo.

Segundo Souza em seu livro “A conquista do jovem leitor”, é preciso “angariar a simpatia do aluno, oferecendo-lhe oportunidade de resgate de experiências pessoais (...) em sintonia com o texto. E quando o aluno ansiar por leituras além daquelas oferecidas pelos professores, que ela surja sem condicionamentos, enfim, quando e onde ele bem desejar, livremente” (SOUZA, 1986, p.41). Podemos compreender, portanto, que a leitura cotidiana deve estar enraizada no ato prazeroso.

A Escola Estadual Pastor Paulo Leivas Macalão, situada ao pé da Serra da Cantareira, em São Paulo, inaugurou este ano (2014), o denominado “Cantinho da leitura”. Localizado ao lado da cantina e em frente ao pátio do recreio, os livros são organizados em estantes, de acordo com o estilo literário em questão enquanto tapetes e almofadas compõem um ambiente agradável para a leitura. A iniciativa tem como intuito disponibilizar aos alunos acesso e locação de livros paradidáticos e de diversos gêneros literários (narrativas como fábulas, contos, romances, até poesias), além de gibis e revistas educativas, como uma maneira de incentivar a leitura e torná-la algo cada vez mais frequente na rotina das crianças e adolescentes que ali estudam. O diferencial desse espaço é sua localização estratégica que possibilita aos alunos a oportunidade de usufruírem dos livros e revistas durante o intervalo das aulas, além de estimulá-los na procura da leitura extra classe de forma autônoma.

Segundo Eliana Campos, professora de sala regular do 3º ano do Ensino Fundamental, “As crianças que mais se interessam têm em torno de 7 a 9 anos, sempre procuram os livros mesmo no seu intervalo, em que poderiam estar brincando de outras coisas”. Afirma também que “As crianças podem locar os livros e quando acabam de ler trocam com outros colegas e depois acabam discutindo sobre as histórias”. Nos fins de semana, o espaço é aberto e não há um professor ou adulto responsável que supervisione o local. Apesar disso, o “Cantinho da Leitura” é frequentado por algumas crianças, e, diante da ausência desse responsável, eles mesmos cuidam do lugar, e não mais rasgam os materiais nem os deixam jogados.

A troca dos livros lidos permite o debate sobre as histórias e as interpretações a respeito das personagens e do contexto, e sendo assim, a prática de discutir e argumentar acaba por desenvolver o senso crítico nos estudantes. Um texto não traz explícito o seu sentido. É ao ler que o significado é atribuído; assim, a interpretação pelo leitor é autônoma e crítica.

O teórico Antônio Cândido, sociólogo, literato e professor brasileiro, acredita que o acesso aos diferentes níveis de cultura através da literatura proporciona a possibilidade de enfrentamento de diferentes pontos de vista, que mantêm ou rompem com aquilo que está estabelecido, mas que de qualquer forma compõe a multiplicidade de idéias. Nesse processo, a leitura faz a diferença para a mudança da sociedade (CANDIDO, 2006.)

As colocações de Candido quanto aos benefícios da leitura vão ao encontro do que os professores da E.E. Macalão observaram nas crianças que costumam frequentar o Cantinho de Leitura. De acordo com a professora Eliana, o espaço é bastante valorizado pela escola e visto como um recurso muito importante na evolução escolar das crianças, pois elas “estão escrevendo melhor e estão com um pouco mais de bagagem”, além de acreditar que “depois que as crianças começam a manusear os livros, elas começam a imaginar os textos”. Na medida em que a leitura é inserida naturalmente no cotidiano, livre de automatismos, os reflexos podem ser percebidos na formação de futuros leitores assíduos e críticos.

REFERÊNCIAS
CANDIDO, A. Literatura e sociedade. Ed. Ouro sobre o Azul,Rio de Janeiro, 2006.
INSTITUTO PRÓ LIVRO. Retratos da Leitura no Brasil. 2012. Disponível em:
http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/texto.asp?id=2834. Acesso: 15 ago. 2014.
SOUZA, M. S. D. de. A conquista do jovem leitor. Florianópolis: EDUFSC, 1986, p. 39-41

 

 

 


Autor Data Título
Silze Costa 04-2017 A intervenção psicanalitica na clínica com bebês
Keila Balbino 10-2016 Como o filme “Quando tudo começa” colabora com a reflexão sobre a gestão escolar na escola pública
Ivana Corrêa Tavares Oliveira 09-2016 A interlocução saúde e educação e a inclusão de estudantes com deficiência no ensino regular
Keila Balbino 07-2016 Como o filme “Quando tudo começa” colabora com a reflexão sobre a gestão escolar na escola pública
Janaina Venezian 04-2016 Deve-se trabalhar com leitura e escrita na educação infantil?
Amanda Monteiro Magrini 03-2016 A inclusão dos AASI na rotina dos professores na educação especial
Bruna de Souza Diógenes 12-2015 Programa de Estudos Pós-graduados em Fonoaudiologia da PUC-SP: análise da produção de quatro décadas
Profa. Dra. Regina Maria Ayres de Camargo Freire 11-2015 Algumas considerações sobre a Fonoaudiologia
Ivana Corrêa Tavares Oliveira 10-2015 O projeto Jogos da Cultura Popular como ferramenta de Inclusão
Keila Balbino 09-2015 O papel do professor no momento da alfabetização
Ezequiel Chassungo Lupassa 08-2015 O Marco Histórico da Alfabetização no Brasil
Adriana Gaião Martins 07-2015 O lúdico e a aprendizagem: Um recorte teórico
Janaina Venezian 06-2015 Educação impossível
Gisele Gouvêa da Silva 05-2015 O retorno à Demóstenes
Sofia Nery Liber 04-2015 O Filme "A Família Bélier" e a Psicanálise
Ivana Corrêa Tavares Oliveira, Sofia Lieber, Keila Balbino, Regina Freire 03-2015 “Contribuições da legislação para mudanças políticas na educação inclusiva no atual cenário educacional brasileiro”
Bruna de Souza Diógenes 01-2015 O Trabalho Grupal: Vislumbrando novos olhares/fazeres no processo de alfabetização
Michele Picanço do Carmo 12-2014 Leitura e movimentos oculares
Sofia Nery Lieber 11-2014 Linguagem e subjetivação: sobre a natureza dessa relação
Bruna de Souza Diógenes 10-2014 Indicadores de Risco para os sintomas de linguagem: Interface Fonoaudiologia e Saúde Pública
Dayane Lotti e Adriana Gaião 09-2014 A leitura: cotidiana e motivacional
Ezequiel Lupassa 08-2014 Manifestações dos Distúrbios de Linguagem e da Aprendizagem
Regina Freire 07-2014 1ª Jornada Fonoaudiologia, Educação e Psicanálise
Juliana Mori 06-2014 Uma experiência na inclusão escolar de pessoas com autismo
Silvana Soares 05-2014 Mudanças na formação do professor: efeitos sobre a educação infantil e as séries iniciais
Manoela Piccirilli 04-2014 Uma reflexão sobre queixas escolares
Janaina Venezian 03-2014 Educação Infantil e Fonoaudiologia
Sofia Nery  Lieber 12-2013 A voz não se confunde com o som

Dayane Lotti, Isabela Leito Concílio

10-2013 Serviço de Apoio Pedagógico Especializado (SAPE): reflexões acerca da Sala de Recursos a partir de uma experiência em uma escola da rede pública da zona norte do Estado de São Paulo
Cinthia Ferreira Gonçalves 09-2013 A posição do aprendiz no discurso dos professores.
Keila Balbino 08-2013 Aluno: sujeito com conhecimentos que devem ser considerados no processo de alfabetização.
Vera Ralin 05-2013 Aparatos tecnológicos em questão
Ivana Tavares 04-2013 A escrita como sistema de representação.
Gisele Gouveia 03-2013 Semiologia Fonoaudiológica: os efeitos da sanção sobre o falante, a língua e ao outro
Dayane Lotti; Isabela Leite Concílio 11-2012 Queixa escolar e seus fenômenos multideterminados
Alcilene F. F. Botelho, Eliana Campos, Enéias Ferreira, Maria Elisabete de Lima 10-2012 Alfabetização e letramento
Wladimir Alberti Pascoal de Lima Damasceno 08-2012 A Clínica da Gagueira
Cinthia Ferreira Gonçalves 06-2012 A Análise de Discurso e a Fonoaudiologia: possibilidades de um diálogo
Manoela de S. S. Piccirill 04-2012 A Inibição na Produção da Escrita
Regina Maria Ayres de Camargo Freire 03-2012 Uma segunda língua, para quem?
Manoela de S. S. Piccirilli 01-2012 A Inibição na Produção da Escrita
Juliana Mori 12-2011 A escola e o bebê: é possível educar?
Gisele Gouvêa 11-2011 A questão da estrutura clínica em Fonoaudiologia
Christiana Martin 10-2011 Inclusão Escolar
Treyce R. C. V De Lucca 09-2011 Retardo de Linguagem: Questões Norteadoras
Kivia Santos Nunes 08-2011 O Silência e a Clínica Fonoaudiológica
Vera Lúcia de Oliveira Ralin 06-2011 Atuação fonoaudiológica na Educação - Um fazer possível
Cláudia Fernanda Pollonio 04-2011 Linguagem e Subjetividade: Sobre a natureza desta relação
Juliana Cristina Alves de Andrade 03-2011 O Sujeito e a Linguagem
Regina Maria Freire 12-2010 A Alfabetização e seus Avatares – CAPES/INEP
Giuliana Bonucci Castellano 11-2010 Prancha de Comunicação Suplementar e/ou Alternativa: o uso do diário como possibilidade de escolha dos símbolos gráficos
Beatriz Pires Reis 10-2010 Demanda para perturbações de Leitura e Escrita, há um aumento real?
Fabiana Gonçalves Cipriano 08-2010 Sintomas vocais em trabalhadores sob o paradigma da Saúde do Trabalhador
Vera Lúcia de Oliveira Ralin. 06-2010 Atuação Fonoaudiológica na Educação – Um fazer possível
Maria Rosirene Lima Pereira 04-2010 A clínica fonoaudiológica e o reconhecimento do falante
Hedilamar Bortolotto 03-2010 Transtornos Invasivos do Desenvolvimento: a clínica fonoaudiológica em questão
Fábia Regina Evangelista 01-2010 Indicadores Clínicos de Risco Para a Fonoaudiologia
Gisele Gouvêa 09-2009 Coluna "Fonoaudiologia em Questão"
Cláudia Fernanda Pollonio 08-2009 A clínica fonoaudiológica: sua relação de escuta à fala
Apresentação da Coluna 06-2009 Coluna "Fonoaudiologia em Questão"


 
 
 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Desenvolvido por DTI- Núcleo de Mídias Digitais