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A escrita como sistema de representação

Emilia Ferreiro traz contribuições inestimáveis para a Pedagogia atual, revoluciona a compreensão do processo de alfabetização através de suas obras, principalmente esta, “Reflexões sobre a Alfabetização” de 1981. A resenha a seguir é pautada na apresentação da obra e no capítulo inicial intitulado “A representação da linguagem e o processo de alfabetização”.

Literatura obrigatória para professores das séries iniciais e pesquisadores da área da Linguagem, destaca entre diversos temas: a escrita como sistema de representação, as concepções das crianças a respeito do sistema de escrita e as concepções sobre a Língua subjacentes à prática docente.

Consequências pedagógicas vêm à tona conforme encaramos a função social da escrita, seja como uma mera transcrição gráfica de unidades sonoras ou como uma representação da linguagem. Não se questiona que a representação gráfica de números ou de letras seja fruto de um longo processo histórico e que, como meio de representação que utilizamos usualmente, precisa permanecer como um código inequívoco. Não se propõe a construção de um novo código. Propõe-se que a criança reinvente o sistema vigente (letras e números), compreendendo seu processo de construção e suas regras de produção no uso cotidiano.

Se o professor privar a criança dessa oportunidade de dar significado em sua produção escrita e transmitir através da grafia de letras uma mera reprodução de sons, dissociando o significante sonoro do significado, estará privando o aluno de construir o signo linguístico.
As produções espontâneas das escritas das crianças (sem indicações de cópias ou influências externas) demonstram claramente o que estas entendem sobre a Língua. Dão parâmetros para o professor compreender o que elas sabem sobre o sistema de escrita e planejar intervenções reflexivas que auxiliarão os discentes nesta reconstrução da escrita.


No capítulo “A representação da linguagem e o processo de alfabetização”, Emilia Ferreiro analisa as produções escritas das crianças dentro de três estágios:

  • A distinção entre o modo de representação icônico e o não-icônico (escritas intrafigurais, com a utilização de desenhos para a representação do que quer se dizer e/ou escritas de objetos diferentes empregando sempre as mesmas letras)

Modelo de escrita de aluno, sondagem realizada em 2012. O repertório de letras que ele usa para representar a escrita é das letras de seu primeiro nome, sem alterações quanto a quantidade nem de qualidade no emprego das letras em busca de representação do som.

  • Utilização de meios mais elaborados de escrever (escritas interfigurais, com a preocupação de demonstrar a diferenciação das escritas produzidas, como a utilização de letras diferentes para a escrita de objetos diferentes, explorando eixos quantitativos e qualitativos). Exemplos:

Modelo de escrita de aluno, sondagem realizada em 2012. O repertório de letras que ele usa amplia, ele busca fazer conexões sonoras com a escrita, reflete sobre a quantidade/qualidade no emprego das letras em busca de representação do som.

  • A fonetização da escrita em si. Exemplo:

Alguns questionamentos podem ser feitos e, consequentemente, convites à reflexão acerca do que aponta Emilia Ferreiro neste capítulo “A representação da linguagem e o processo de alfabetização”. Tais como: Qual a postura do professor diante a escrita do aluno?São considerados “erros” que necessitam ser corrigidos?Ou ponto de partida para saber o que a criança conhece sobre a Língua?Intervenções pedagógicas devem ser feitas a partir do que a criança já conhece ou este processo é irrelevante durante o processo de alfabetização?

Observando as escritas espontâneas das crianças, fica claro que o aluno carrega consigo experiências do mundo letrado. Conforme o professor interpreta tais registros, caracterizar-se-á a forma que o aluno conceberá a Língua: associada de significado, e, portanto, ferramenta comunicativa em constante construção ou mera reprodução sonora.

 


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