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Coluna “Fonoaudiologia em Questão”
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A Análise de Discurso e a Fonoaudiologia: possibilidades de um diálogo.

A Análise de Discurso (AD) de linha francesa iniciou-se na década de 60, com um modelo de análise do discurso construído na área das Ciências Sociais. A AD nasceu no entremeio de duas disciplinas: as Ciências Sociais e a Linguística, por isso, muitas vezes é chamada de transdisciplina ou interdisciplina.Michel Pêcheux, na França, filósofo que discute questões relacionadas ao marxismo, epistemologia e psicanálise – e Eni Pulcinelli Orlandi, no Brasil, linguista que deu continuidade às ideias do autor, são os autores de referência.

A Análise de Discurso de linha francesa como proposta teórico-metodológica vem sendo utilizada de forma significativa pela Fonoaudiologia. Seus pressupostos vão ao encontro de questões pertinentes à Fonoaudiologia por valorizar, em seus estudos, o discurso e seus efeitos, o sujeito, o outro, a interpretação, o sentido, a ideologia.

Os usos da AD variam de acordo com cada campo e seus interesses, já que a AD é um instrumento de análise crítica da ideologia. À Fonoaudiologia, ao acessar a AD, interessa a emergência do sujeito no discurso em que a surpresa, as falhas, os enganos denunciam a entrada de um outro. Para ela, importa entender como o sujeito se constitui na e pela ideologia, ideologia esta que tem a ver com o sujeito falante e suas demandas para a clínica fonoaudiológica.

Diversas áreas da Fonoaudiologia - a audiologia, a voz, a linguagem, a fala - têm sido beneficiadas por trazer a Análise do Discurso de linha francesa como teoria e método para o seu campo de pesquisa. Portanto, há uma relação de interesses entre a Fonoaudiologia e a AD que permite o diálogo entre elas com objetivos específicos em busca de respostas às questões recorrentes da prática de cada uma em particular.

Desse modo, a AD contribui na problematização do campo fonoaudiológico no que diz respeito ao seu método clínico e sua atuação institucional, discutindo questões sobre sistema, escuta, interpretação, discurso, dentro de uma perspectiva que faceia ideologia e subjetividade.

Para ilustrar a relação entre estas duas áreas, apresentarei, em ordem cronológica, alguns trabalhos realizados sob esta ótica, dentro da linha de pesquisa Linguagem e Subjetividade do Programa de Estudos Pós-graduados em Fonoaudiologia da PUC-SP, orientados pela professora Regina Freire.

Azevedo (2000) pôde identificar certas propriedades discursivas em relação à gagueira, afirmando-a como um acontecimento discursivo, diretamente relacionado às condições de produção.

Neiva (2001) buscou entender que a interpretação, para a Fonoaudiologia, é a técnica, o instrumento clínico capaz de gerar deslocamentos na fala dos pacientes, em busca da superação da patologia da/ na linguagem.

Girardi (2003) apontou para a necessidade da problematização das noções de risco e tempo que envolvem os dizeres das mães sobre seu bebê prematuro, e propôs o alçamento destas noções como fundamentos para o atendimento fonoaudiológico.

No trabalho de Castellano e Freire (2006) foi possível observar que pacientes com queixa de voz põem à mostra um sujeito em sofrimento diante da disfonia, sujeito este que deve ser considerado pelo fonoaudiólogo em sua proposta de intervenção.

A pesquisa de Bíscaro (2007) pôde reconhecer o assujeitamento do fonoaudiólogo à ideologia dominante no Programa de Conservação Auditiva que visa, prioritariamente, proteger a empresa, cabendo ao fonoaudiólogo, assumir uma postura ética e interferir em caminhos aparentemente já traçados. Castellano (2007) abordou os termos Escuta e Interpretação partindo de pressupostos teóricos fundamentados na Análise de Discurso de linha francesa, em que a leitura do discurso se processa na direção dos sentidos que o envolvem, sem perder de vista que aquilo que não é (ou não pode ser) verbalizado pelo que o paciente diz de sua história enquanto falante. Passos e Freire (2012) propuseram um dispositivo para teorizar a gagueira. Ao pensar a gênese da gagueira, seria primordial levar em conta: a) a interpretação que o Outro faz da fala da criança; b) como a criança ouve sua própria fala e c) a sobredeterminação simbólica da linguagem – re-significando repetições e hesitações como inerentes ao processo de aquisição da linguagem pela criança.

Todos esses trabalhos poderão ser acessados na íntegra, pois estão publicados no site da linha Linguagem e Subjetividade.

_______________________________
ORLANDI, E.P. A Linguagem e seu Funcionamento: as formas do Discurso. São Paulo, 1983
ORLANDI, E.P. O Discurso: estrutura ou acontecimento. São Paulo, 1990
AZEVEDO, N.P.S.G. Análise Discursiva da Gagueira: trajetórias de silenciamento e alienação na língua. São Paulo, 2000. Dissertação de Mestrado. Disponível na internet
NEIRA, T.G.S. A Interpretação para a Fonoaudiologia: Primeiras questões. São Paulo, 2001. Dissertação de Mestrado. Disponível na internet
GIRARDI, A.L.F.N. O bebê prematuro no Discurso de suas Mães. São Paulo, 2003. Dissertação de Mestrado. Disponível na internet
CASTELLANO, G.B. e FREIRE, R.M.C.A. Análise de Discurso de Sujeitos Disfônicos. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. V.11. p. 43 -51, 2006.
BÍSCARO, C. O Discurso sobre o Programa de Conservação Auditiva: a ideologia e seus efeitos. São Paulo. 2007. Dissertação de Mestrado. Disponível na internet
CASTELLANO, G. B. Escuta e Interpretação na Clínica Fonoaudiológica. In: 8⁰ Congresso Internacional da ISAPL. Porto Alegre. 2007. Disponível na internet
PASSOS, M.C.P; FREIRE, R.M. Gagueira: uma questão discursiva. Trab. Ling. Aplic. Campinas, n(51.1): 9-35, janeiro/junho 2012.

 

Cinthia Ferreira Gonçalves
Fonoaudióloga Clínica
Mestranda em Fonoaudiologia – PUC-SP – Bolsista CAPES
Pesquisadora do Projeto A Alfabetização e seus Avatares

 


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