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Coluna “Fonoaudiologia em Questão”
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ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA EDUCAÇÃO – UM FAZER POSSÍVEL

A fonoaudiologia surge no Brasil na década de 1920, articulada à educação, dentro de um movimento de padronização nacional da linguagem cujo objetivo era extinguir as variações dialetais, os vícios e defeitos de fala, a começar pelas crianças.

A educação, por sua vez, passou por várias mudanças e sofreu influências políticas. A metodologia tradicional, sob a marca do Behaviorismo, visava apenas os que aprendiam, marginalizando os que apresentavam qualquer dificuldade. Na década de 70, as idéias construtivistas de Piaget são adotadas no campo da educação no Brasil, valorando-se os estágios de desenvolvimento da criança. Essa nova vertente não representou uma ameaça ao Estado mas contribuiu para a manutenção dos excluídos. Com a queda do regime militar em 1980, novas idéias sobre educação foram permitidas e começou-se a pensar na relação entre o contexto sócio-histórico e as dificuldades e fracassos na escola por influência do pensamento de Vigotsky, Leontiev e Luria.

Atualmente a fonoaudiologia se interessa pela educação visando entender as interferências que afetam o aprendizado de cada sujeito. A escola é um ambiente social propício para o letramento e a aquisição da escrita e é nessa área que o fonoaudiólogo, em conjunto com o professor, pode fazer outra leitura dos chamados erros de escrita e salientar as particularidades que atravessam a aprendizagem dos alunos.
Conto agora um pouco da minha atuação em uma escola particular da periferia de Aracaju/SE. Nessa escola acompanhei um aluno com necessidades educacionais especiais - Gabriel¹, de 5 anos - atendido pelo grupo de pesquisa da Federal de Sergipe, "A Fonoaudiologia e os sentidos das alterações de linguagem na família e os efeitos do trabalho grupal", do qual eu fazia parte.

Pude acompanhar os receios e as dúvidas que a professora tinha com relação ao processo de ensino/aprendizagem de Gabriel. Minhas visitas à escola eram semanais e tiveram a duração de um ano e meio. Inicialmente, foram destinadas a observar o comportamento da criança na escola - sua relação com professores, pares e com o processo de ensino/ aprendizagem - e a me aproximar dos vários atores ai envolvidos.
A escola alfabetiza pelo método silábico, por meio de exercícios de repetição de letras e números, com poucas atividades de leitura e escrita. A professora enfrentava as dificuldades de aprendizagem que observava no Gabriel. Juntas, eu e a professora elaboramos uma adaptação curricular para a criança em que o processo de ensino poderia utilizar atividades mais contextualizadas e que incentivassem a leitura, a escrita e a interação entre pares.

O fato de Gabriel estar em uma escola regular era relevante para o seu desenvolvimento já que naquele local estaria em contato com crianças da sua idade. Nesse espaço vivia conflitos próprios das relações sociais, situações constituintes tanto de Gabriel quanto de seus colegas.

Nos primeiros encontros, notei que Gabriel apenas se dirigia a alguém – geralmente um adulto - quando necessitava de algo e fazia uso de gestos para isso. Fora dessa situação, não interagia com seus colegas e professoras; também não respeitava as regras da escola, fazia o que queria quando bem entendia e se alguém tentasse impedi-lo reagia com agressividade, choros e birras.

Ao longo do ano, nosso investimento em Gabriel era diário, planejávamos exercícios mais contextualizados que envolviam a turma toda e complementavam o conteúdo curricular, fazíamos com que participasse de atividades coletivas. Com o passar do tempo, observamos que Gabriel começava a se adaptar ao contexto escolar: ficava mais em sala de aula, aceitava a intervenção do outro, fazia os exercícios, brincava com seus colegas, destacava-se nas atividades que envolviam números e passou a se interessar por leituras. A cada dia Gabriel mostrava que aprendia e a professora, dando-se conta desse progresso, passou a exigir-lhe atividades mais complexas.

Com os saberes compartilhados entre nós - grupo de pesquisa e a escola, avançamos na construção de novos fazeres pedagógicos. Em conseqüência, o olhar da professora sobre aquele garoto mudou.

Antes uma criança que se mantinha isolada, agora uma criança que brinca com seus colegas; antes o impossibilitado de aprender, agora um sujeito aprendente; antes uma criança que nada falava, agora alguém que cria novas maneiras de se comunicar, para além da fala.

Concluo dizendo que o rompimento de fazeres cristalizados foi essencial para o aprendizado de Gabriel, acontecimento possível a partir do trabalho colaborativo instituído junto à escola e pelas mudanças produzidas nas práticas educativas.

Vera Lúcia de Oliveira Ralin

 


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