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O partir do diagnóstico que parece ser comum e que afirma que o mundo vai mal, muito embora não haja consenso acerca dos motivos e nem das soluções, apresentaremos aqui, o que, segundo Christian Delacampagne, está na ordem do dia da discussão política hoje da perspectiva filosófica. Desse ponto de vista, isto é, filosófico, será esclarecedora a “tipologia” de Habermas que embora redutora, é didática e fornece elementos que podem nortear a discussão.

O diagnóstico de que o mundo vai mal nos é dado pelas notícias que desde há muito vemos nos jornais todos os dias: notícias sobre os problemas enfrentados pelos habitantes de Kosovo, pelos curdos, tchetchenos, cachemires, o genocídio em Ruanda em 1994, a guerra civil no Afeganistão, a atual rebelião nos países do Oriente Médio e norte da África, o terror que mata do mesmo modo cego – tanto o terror de Estado quanto o terrorismo – de Alger a Kinchasa, de Rangoon a Bagdad. Ocultadas por essas, outras violências, menos espetaculares e das quais se fala menos mas que também matam: a escravidão, a exploração sexual de menores, a organização mundial do mercado de drogas, o reino das gangues e máfias. E ainda a ameaça do apocalipse por parte dos que conseguirem apoderar-se das armas nucleares.

No ocidente superprotegido não faltam problemas: recessão econômica, progressão do desemprego, espectro de pobreza. E ainda a vida cotidiana cada vez mais controlada pelas administrações de todo tipo – manuais, regras, modos de se alimentar. Sem falar dos impostos que aumentam, das dificuldades de circulação, do excesso de trabalho, do mau humor daqueles que estão submetidos a tráfego excessivo nas grandes cidades. E do tempo que passa cada vez mais rapidamente e de maneira inexorável deixando atrás de si somente o amargor das ocasiões perdidas.

O objetivo de apontar os problemas é o de buscar soluções ou caminhos para tal. Queremos que o mundo melhore, mas ele pode melhorar? Para a geração de 68 (que então tinha em torno de 20 anos), a resposta era certamente positiva. Havia a expectativa de que as coisas podiam mudar e que certamente mudariam, mas essa expectativa não foi satisfeita. A revolução fracassou, a felicidade não veio, o sonho acabou!

Ele foi dissipado pelo capitalismo americano em franco avanço que tinha em sua defesa amplas camadas das classe média que desfrutava de suas benesses. Segundo Alain Badiou a metade da década de 1970 viu o refluxo anunciado pelas circunstâncias nas quais ocorreram as lutas de liberação nacionais na Palestina e no Vietnã, as manifestações estudantis em vários países (Alemanha, Japão, México, EUA, Brasil...), as revoltas nas fábricas (Itália, França) e a revolução cultural na China. Resultou destes movimentos uma rendição resignada e um sentimento de que “querer que alguma coisa seja melhor é querê-la pior”, porque o melhor era, naquele momento, aquilo que beneficiava o avanço de um capitalismo sem fronteiras. Para muito isso foi de fato o fim de um sonho e o início de uma vida embalada pelas facilidades e maravilhas do consumo. Decididamente um mundo se acabava. Outro estava a ponto de nascer, no qual seria mais difícil viver uma vida filosófica, isto é, uma vida política.

Para Christian Delacampagne a filosofia política debate hoje três questões, duas delas antigas: a da liberdade e a da justiça, e a idéia mais recente de uma “nova ordem mundial”, iniciada após o final da Guerra fria com a queda do muro de Berlim em 09/10/1989. Esta é duplamente importante: por um lado põe um fim à guerra fria e à divisão do mundo em dois blocos; e por outro, destrói um grande sonho, o comunista, que exprimia o desejo de uma sociedade sem exploração com o fim da URSS. Na verdade não é o comunismo que afunda na URSS e na Europa do leste, mas é um sistema de transição: a fase socialista necessária, segundo os teóricos, para a instauração do comunismo, caracterizada como período de estatização dos meios de produção e pela ditadura do proletariado. Ele também não afunda igualmente em todos os continentes, mas sobrevive de forma mesclada em Cuba, na China, no Vietnã, ao mesmo tempo em que, em outros países do mundo, como no Brasil, integrantes de partidos comunistas participam do poder, ou detém o poder em alguns estados que faziam parte da URSS.

Para Delacampagne a data de 09/10/89 é uma data chave pois caracteriza a época da mundialização do capitalismo e da promoção pelo discurso e nem sempre pelos fatos da democracia como o melhor regime possível.

Esta é duplamente importante: por um lado põe um fim à guerra fria e à divisão do mundo em dois blocos; e por outro, destrói um grande sonho, o comunista, que exprimia o desejo de uma sociedade sem exploração com o fim da URSS. Na verdade não é o comunismo que afunda na URSS e na Europa do leste, mas é um sistema de transição: a fase socialista necessária, segundo os teóricos, para a instauração do comunismo, caracterizada como período de estatização dos meios de produção e pela ditadura do proletariado. Ele também não afunda igualmente em todos os continentes, mas sobrevive de forma mesclada em Cuba, na China, no Vietnã, ao mesmo tempo em que, em outros países do mundo, como no Brasil, integrantes de partidos comunistas participam do poder, ou detém o poder em alguns estados que faziam parte da URSS.

Para Delacampagne a data de 09/10/89 é uma data chave pois caracteriza a época da mundialização do capitalismo e da promoção pelo discurso e nem sempre pelos fatos da democracia como o melhor regime possível.


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