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"A Comunidade e a Universidade"

A função da Universidade é Ensino, Pesquisa e Extensão
Frase reconhecida e obrigatória nos documentos de qualquer universidade brasileira. Contém termos de significado aparentemente óbvio, mas muito vagos e, como tudo em linguagem, neles pode caber muito e, portanto, variar muito.

Proponho alguns pontos para refletirmos sobre como membros da PUCSP vivenciamos essas três atividades que devem caracterizar o desempenho das universidades brasileiras e que estão presentes nos objetivos da PUCSP, e sobre como contribuímos mais ou menos diretamente com cada uma delas. É preciso salientar, no entanto, a dificuldade de se falar sobre cada uma em separado, posto que constituem o tripé que sustenta o fazer acadêmico em sua totalidade; portanto, tratar de uma implica, inevitavelmente, mencionar outra. Sua indissociabilidade fica assim comprovada.

Todos reconhecem a competência do corpo docente tanto no nível de graduação quanto no de pós-graduação. A nós professores cabe organizar cursos, ministrar aulas, orientar alunos, no seu nível de atuação, e desenvolver pesquisa universitária. Se não doutores, mas cursando o mestrado ou doutorado, o docente está desenvolvendo suas pesquisas de dissertação ou tese e orientando pequenos trabalhos de pesquisa em suas aulas, ou trabalhos relacionados a sua própria pesquisa de titulação, se couber.

E os professores doutores? A eles, cabe mais. Já receberam aval para conduzir pesquisa própria, independente. Já o fazem. Já apresentam resultados: congressos, artigos. Uma grande parcela estará orientando alunos em mais de um nível, vinculados a, ou coordenando, grupo de pesquisa da Puc, dentro da PUCSP ou além dela – mas, como funcionário da PUCSP, não fora dela, pois o pesquisador membro de uma instituição, necessariamente, trabalha institucionalmente, tem todo seu trabalho vinculado a ela, que deve ter mecanismos para reconhecê-lo, como tem a PUC, uma vez que, para ter sua pesquisa reconhecida, o professor a precisa institucionalizada. É interessante abrir um parênteses para lembrar que a institucionalização da pesquisa interessa tanto à instituição que a subsidia em contrato de tempo parcial ou integral como ao pesquisador que necessita o aval de uma instituição de fomento para sua manutenção. Caberia à PUCSP pensar em dispensar de credenciamentos internos as pesquisas com financiamento externo, apresentando, o pesquisador, cópia dos relatórios que envia à agência financiadora.

O mesmo engajamento se verifica nos alunos já no primeiro ano de graduação. Eles participam ativamente dos cursos e iniciam suas pesquisas dentro dos cursos, a partir de conteúdos direcionados, já podendo planejar, participar de pesquisas através de projetos mais pessoais em áreas de seu interesse; serão os embriões de seus trabalhos futuros.

Na PUCSP temos um dos maiores programas de Iniciação Científica do país, certamente o maior de universidades não custeadas pelo poder público.

Do mesmo modo que em relação à Pesquisa e ao ensino regular de graduação e pós-graduação, todo o corpo docente está qualificado para atuar em Extensão. Muito, ou pelo menos algo, de nossa área de competência, de nosso trabalho é extensível a outros cidadãos, incluindo os que estão longe de ambicionar a universidade ou que a ela ainda não chegaram; aos que querem voltar ou querem algo mais, não caracterizado por nossos cursos de graduação ou pós-graduação.

Nossos cursos de especialização, aperfeiçoamento e extensão, coordenados pela COGEAE, cumprem um papel nessa direção e são importantes para a ampliação de nossa ação e para nossa visibilidade. São cursos que auxiliam a complementar salário de professores da universidade e auxiliam alunos avançados a aplicar seus conhecimentos, sim; mas, acima de tudo têm por finalidade ampliar a ação da universidade para aqueles que buscam novos conhecimentos, aperfeiçoamento do que já aprenderam na graduação, atualização em áreas específicas, condições para novas áreas de trabalho ou preparação para cursos mais avançados, para citar algumas apenas de suas importantes funções.

Há ainda outro ilimitado conjunto de atividades de extensão, ou outros trabalhos, que a membros de toda a PUCSP, docente, discente e administrativo cabe desempenhar, e que não se enquadram na finalidade acadêmica stricto sensu da Universidade.

Essas atividades estão contempladas nos regulamentos de todas as universidades e recebem ênfase especial na PUCSP; visam atender mais diretamente a comunidade mais carente.

Em suas atividades fim a PUCSP fornece, tradicionalmente, um grande número, que sempre suplantou, e muito, a porcentagem esperada, de bolsas de estudo a alunos que, mesmo aprovados no vestibular, não conseguiriam frequentá-la. Essa é uma atividade comunitária importante da estrutura da PUCSP.

Há outras atividades de extensão, muitas delas dando suporte ao funcionamento das atividades regulares; são, por exemplo, estágios atendendo populações carentes, atendimentos médicos, serviço jurídico, psicológico, a amplitude do atendimento do Derdic, e muitos outros. Muitas das atividades de estágios de alunos de últimos anos podem se caracterizar como atendimento a carentes. Mas não só elas. Como docentes e pesquisadores nossa criatividade, no conjunto, não há de ter limites. E, de áreas, a cada momento surgem novos desafios.

Um recentíssimo projeto CNPq nos permite fazer um trabalho de extensão que está totalmente dentro de nossa capacidade: é o pibic-ensino médio; não trás remuneração ao professor pesquisador mas permite a cada professor orientar, em iniciação científica, até 4 alunos de escola pública. Qualquer professor que tenha um projeto de pesquisa com certeza terá trabalho para um aluno desenvolver junto a si e, ao mesmo tempo ajudá-lo a capacitar-se para entrar em uma boa universidade - quem sabe a PUCSP. Houve um caso em que um único anúncio resultou em 15 candidatos.

È muito grande o rol de atividades que membros de todos os segmentos da universidade podem desenvolver.

Há cursos para professores da rede pública, que são amplamente anunciados, aos quais muitos professores concorrem e aproveitam para envolver seus alunos; e outros para grupos especiais a serem financiados por segmentos da sociedade a que estamos ligados ou que podemos procurar.

Mas estes são apenas alguns exemplos de trabalho extra curricular que podemos e devemos perseguir como especialistas, acadêmicos e pesquisadores, membros de uma universidade e como parte de nosso trabalho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Trata-se de trabalho de nossa competência e que só pessoas como nós, membros de uma Universidade temos a competência para desenvolver.

E que, no final, além de ajudar a enriquecer o tão famigerado lattes, gera pesquisa, novos trabalhos, a possibilidade de apoio a novas pesquisas e reconhecimento do trabalho.

Podemos pensar em outras atividades que se estendam a populações carentes a partir de nossos talentos? Temos atividades auto sustentadas que atendam populações menos favorecidas? Tenho certeza que sim.

Estou me dirigindo mais aos professores e estes com seus alunos. Mas há um sem número de atividades que são feitas dentre as muitas que não nomeei a serem desenvolvidas por professores, alunos e funcionários da PUCSP e poderiam gerar ainda mais Orgulho de ser PUC.

Profa. Dra. Leila Bárbara
Ex-Reitora da PUC-SP
Professora Titular do Programa de Pós-Graduação em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem
29/11/11