A Fundação São Paulo
Mantidas
Endereço:
Fundação São Paulo
Edifício Franco Montoro
Rua João Ramalho, 182
Perdizes - CEP: 05008-000
São Paulo - SP
(11) 3670-3333
fundacaosaopaulo@pucsp.br
Design: PUC-SP - DTI - Núcleo de Mídias Digitais

A pesquisa e a PUC-SP

A atividade de produção de conhecimento científico é o que chamamos de pesquisa científica. Não se faz ciência sem pesquisa. Pesquisa é o termo que designa aquilo que o cientista faz e não importa qual seja a sua ciência particular é sempre através de atividade metódica e sistemática, ou seja, da pesquisa, que se produz ciência.

É acordo entre os historiadores da ciência que esta atividade humana assume novos contornos no mundo capitalista (e nas sociedades complexas que convivem com as sociedades que se definem como capitalistas). Desde o século XIX, e cada vez com mais importância, a ciência passou a ser força produtiva: a ciência se tornou atividade que tem – em si – valor econômico: porque gera riqueza e porque se tornou indispensável para a geração de tecnologias necessárias às sociedades.

No mundo contemporâneo é nas universidades que (1) se transmite o conhecimento atual sobre a pesquisa e a ciência em suas muitas áreas, (2) que se prepara os indivíduos que farão ciência, que se profissionalizarão como cientistas e (3) que se produz boa parte do conhecimento científico. Por isso, dizemos que a universidade é lugar de transmissão e produção de conhecimento. Talvez fosse mais preciso dizer que:

(1) a universidade é local de formação de profissionais. Esta formação tem por base a  transmissão de conhecimentos científicos e de tecnologias de base científica e permite que se formem aqueles profissionais socialmente relevantes porque estão preparados para usufruir das técnicas e  conhecimentos científicos em suas áreas específicas e assim contribuir com suas competências e habilidades para a produção e reprodução da sociedade;

(2) a universidade é também local de formação de cientistas. Neste caso, trata-se de um tipo particular de trabalhador: sua função social é produzir conhecimento ou tecnologia de base científica, é pesquisar;

(3) finalmente, a universidade é local de produção de conhecimento científico. Isto ocorre porque só é possível formar cientistas “na prática”. Não se aprende a pesquisar lendo textos apenas e não se ensina ciência sem praticá-la. Esta aparente limitação é, na verdade, enorme qualidade porque é ela mesma geradora de um duplo produto: novos pesquisadores e novos conhecimentos.

Defendemos, então, que uma instituição que receba o nome de universidade não poderá assumir como seu papel apenas a formação de profissionais, mas terá que se assumir também como centro formador de cientistas e produtor de ciência.

Sabemos que a ciência é ela mesma atividade extremamente complexa e provavelmente nenhuma universidade poderá atender ao ideal de universalidade que a palavra designa. Ou seja, talvez possamos e, em certa medida, devamos admitir que cada universidade deve ter compromisso com o desenvolvimento de um certo conjunto de áreas ou sub-áreas científicas que caracterizam seu perfil de contribuição à produção científica e à formação de pesquisadores. Mas dentro destes parâmetros parece inconcebível que aquelas áreas definidas como parte deste perfil não sejam produtoras de conhecimento e formadoras de pesquisadores.

A PUC-SP constituiu-se como universidade neste sentido pleno: em pouco mais de meio século de existência a PUC-SP produziu-se como instituição produtora se conhecimento e formadora de profissionais especialmente em áreas relacionadas mais diretamente às ciências humanas e sociais. O impacto desta marca é enorme no país quando se considera a produção de conhecimento e a formação de pesquisadores nas áreas de “excelência“ desta universidade.
Entretanto, uma das características importantes da atividade científica é que ela produz sua própria superação: novos modelos, teorias e explicações são constantemente propostos nos mais variados campos, novos campos de pesquisa são gerados, novas necessidades de formação em pesquisa são produzidos.

Acompanhar estas mudanças é condição essencial para que a universidade e cada universidade mantenha-se como centro produtor de conhecimento e de pesquisadores social e cientificamente relevantes. Parece que é tempo desta universidade dar um passo adiante e discutir a ampliação de seu perfil como centro produtor de pesquisa e de formação de pesquisadores, bem como a promoção de excelência (e dos correlatos critérios de avaliação de excelência) nos campos de sua atuação.

Maria Amalia Andery
Professora do Departamento de Métodos e Técnicas da Faculdade de Ciencias Humanas e da Saúde