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A Mensagem do Natal

A entrada de Jesus na nossa história não é triunfal nem apoteótica. Deus vem ao nosso encontro despojado, pobre e frágil. Nasce na cidade de Belém, está enrolado em trapos e reclinado num cocho de animais. Em sua companhia estão Maria e José, os pastores que por lá vigiavam os rebanhos e foram orientados pela mensagem dos anjos.

O que nos diz a forma concreta em que se deu o nascimento de Jesus? É preciso ter o coração de pobre para compreender o que muitos ainda não entenderam. Neste nascimento tão pobre, Deus nos deixou um recado claro sobre si mesmo. Revelou de maneira jamais imaginada uma face que até então não tínhamos visto.

Que rosto tem o Deus dos cristãos?

Não é o rosto de um poderoso ou de um sábio, mas de um recém-nascido. E como todo recém-nascido, Deus aparece frágil, indefeso e dependente: Ele precisa ser recebido, amamentado, acariciado, acalentado, caso contrário, não poderá sobreviver. Esta semente de vida não terá futuro se não for protegida e acolhida pelos outros.

Este é o mistério que Deus revela no Seu Natal: o mistério de Sua fragilidade. Deus é este recém-nascido que pode ser rejeitado, pode sofrer o ódio, pode ser esquecido. Tudo isto podemos fazer com o menino Deus, e Ele não sobreviverá.

Nosso sentimentalismo pode transformar o natal num canto meloso e insosso; nossa dissipação pode nos levar a festejar o natal sabendo que ele não nos compromete. E depois de apagadas as velas da ceia, poderemos de novo nos dedicar às "coisas sérias": dinheiro, guerra, violência, poder. Passado o natal, tiramos de novo a pele de cordeiro para ser de fato o que somos: lobos vorazes que não se importam com os outros, que procuram a própria satisfação e realização. O natal passa por nós sem que sejamos modificados por ele da mesma forma como um recém-nascido pode se apresentar a nós e ser rejeitado.

Assim é o natal. É semelhante a todo nascimento. Todo nascimento é frágil e pode ser impedido. Está totalmente submetido à nossa vontade.

Mas ele pode também ser aceito e acolhido como o fizeram Maria e José, os pastores e tantas outras pessoas de boa vontade. Rejeição ou aceitação deste nascimento: esta é a escolha que nos é colocada. Podemos compreender assim que esta radical fraqueza de Deus nada mais é do que o estupendo poder do amor: o amor pode ser recusado como a vida de um embrião, pode ser aniquilado antes de seu nascimento. Mas se o aceitarmos ele nos carrega...

Quando nasce uma criança, e ela é acolhida, os pais sabem que suas vidas serão transformadas. O amor dos pais transborda e frutifica num terceiro que os muda. Aquele ser frágil, inerme e tão dependente tem o poder de mudar a vida das pessoas.

Quanta transformação provoca o nascimento de Jesus! Porque Ele assumiu nossa humanidade, somos feitos participantes da natureza divina. O mistério natalino da fragilidade de Deus esconde a força poderosíssima do seu amor que a todos ilumina e salva. É próprio de quem ama colocar-se numa posição de fragilidade e de fraqueza. Se quisermos vencer na vida – no sentido mundano do termo – nunca devemos amar. No entanto, o menino Deus de Belém não se cansa de dizer com sua ternura que quem assim pensa ganhar a vida na realidade a perde, e quem, ao contrário, a arrisca, na aventura do amor, este a ganha.

Feliz Natal!

 

Dom Julio Endi Akamine
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo

19.12.2013