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Os jovens estão chegando!

Faltam poucos meses para a Jornada Mundial da Juventude do Rio de  Janeiro (JMJ), que acontecerá de 23 a 28 de julho deste ano. Ainda que não esteja sendo matéria especial de notícia, uma grande movimentação já está acontecendo para preparar a JMJ; com certeza, ela movimentará  no Brasil todo, especialmente no Rio de Janeiro, uma multidão bem  maior de visitantes que os eventos esportivos programados para 2014 e  2016.

As Jornadas Mundiais da Juventude foram iniciadas no pontificado do  papa João Paulo II, de maneira despretensiosa, no Ano da Juventude de  1985. Na celebração final, em Roma, com a participação de dezenas de  milhares de jovens, o Papa lhes entregou uma cruz de madeira, simples  e despojada, recomendando que a levassem ao encontro de outros jovens  em todo o mundo, falando-lhes de Jesus Cristo. O êxito daquele gesto  foi surpreendente e suscitou as Jornadas, que passaram a acontecer em  média a cada 3 anos, sempre em países diferentes.

Buenos Aires, Santiago de Compostela Czestochowa, Denver, Manila,  Paris, Roma, Toronto, Colônia, Sidney e Madrid já sediaram esses  encontros; o próximo será realizado no Rio de Janeiro. Todas as JMJ  contaram com a participação do Papa; é ele quem convoca os jovens para  esses eventos, concebidos como peregrinações. Multidões de jovens têm  correspondido ao convite. Em Madrid, superando todas a previsões, foram cerca de 2 milhões; em Manila foram mais de 5 milhões!

Nas Jornadas há atividades religiosas, culturais e sociais, marcadas  por alegria e entusiasmo juvenis; mais que tudo, porém, as JMJ  propiciam às novas gerações uma peregrinação interior, atrás de  respostas para as suas interrogações existenciais, e que a Igreja lhes  oferece a partir do Evangelho de Cristo e de sua experiência  bimilenar. Os jovens têm a oportunidade de interagir e se confrontar  com os seus coetâneos, originários das mais diversas culturas, e que  trazem no coração os mesmos sentimentos. Em julho de 2011, em Madrid,  havia participantes de quase 200 países. A JMJ tornou-se uma  impressionante manifestação global da família humana!

Nesse convívio, os jovens expressam de muitas maneiras a sua fé comum  nas celebrações religiosas, em iniciativas culturais e artísticas e em  reflexões de partilha sobre os valores comuns que os orientam nos mais  diversos contextos onde vivem. Num tempo de grande pobreza espiritual,  como o nosso, comparado pelo papa Bento XVI a um ?deserto espiritual?,  os jovens continuam querendo saciar sua sede de verdade, valores e  beleza; com frequência são conduzidos a fontes secas e frustrantes,  quando não envenenadas, que não lhes dão esperança nem motivos para  viver e apostar suas energias de maneira construtiva. As Jornadas da  Juventude são um convite para se aproximarem de Jesus Cristo, que a fé  da Igreja reconhece como o ?caminho, a verdade e a vida? e que  proclamou: ?aquele que vem a mim nunca mais terá sede!?.

Ao encerrar a Jornada da Espanha, o papa Bento XVI entregou a uma  delegação de jovens brasileiros aquela mesma cruz de madeira, simples  e despojada, que já percorreu vários países do mundo, recomendando que  a levassem ao encontro dos jovens no Brasil. Desde 18 de setembro de  2011, quando ela foi acolhida em São Paulo, a cruz está peregrinando  por centenas de cidades, sendo acolhida com emoção pelos jovens,  enquanto se preparam para a próxima JMJ. Também havia sido acolhida  por uma multidão de jovens em Santa Maria, poucas semanas antes do  trágico incêndio numa casa noturna, no qual perderam a vida mais de  230 pessoas, sobretudo jovens.

O Rio está se preparando para sediar o grande evento da juventude em  julho próximo; o Cristo Redentor já espera a todos de braços bem  abertos e a Cidade Maravilhosa se dispõe para expandir ao máximo sua  simpatia e cordialidade. Entre os peregrinos, estará também o papa  Bento XVI, que manifestou mais de uma vez seu desejo de estar com os  jovens no Brasil.

Antes de se dirigirem ao Rio de Janeiro, porém, muitos jovens  estrangeiros participarão das ?pre-jornadas?, promovidas em numerosas  cidades do Brasil de 16 a 20 de julho. Serão acolhidos por paróquias,  colégios e várias outras organizações da Igreja; famílias abrirão suas  casas, num gesto de hospitalidade que se vai tornando sempre mais  raro. Todos virão com recomendação e inscrição feita, acompanhados de  religiosos, padres e bispos de seus lugares de origem.

Os jovens de longe poderão conhecer algo da nossa riqueza cultural e  religiosa e realizar uma interessante troca de experiências com os  jovens daqui. Temos muito a oferecer, mas também muito a aprender.

O enorme fluxo de viajantes, que passará pelos nossos aeroportos e  rodovias, ainda parece um fato hipotético, ignorado ou menosprezado.  No entanto, será bem superior ao que se espera para a Copa do Mundo e  as Olimpíadas. Muitos desejam vir dos mais distantes recantos da  Terra: além da motivação própria da JMJ, o fascínio da Cidade  Maravilhosa é bem conhecido e atrai. Mas serão, sobretudo, os jovens  brasileiros que afluirão aos pés do Cristo Redentor para essa  experiência humana, religiosa e cultural, que tem surpreendido cada  vez, até mesmo os mais críticos e céticos.

No dia 13 de fevereiro, Quarta Feira de Cinzas, a Igreja Católica no  Brasil vai abrir mais uma Campanha da Fraternidade. O tema não podia  ser outro: ?fraternidade e juventude?. Os jovens trazem no coração um  anseio de fraternidade, que tem a ver com solidariedade, amor,  justiça, dignidade e paz, enfim, desejo de um mundo bom para todos.  Com os jovens, e por amor a eles, vale a pena investir em laços de  profunda fraternidade entre todos os membros da grande família humana,  que mostrará mais uma vez seu rosto jovem na JMJ do Rio de Janeiro.

Cardeal dom Odilo Pedro Scherer,
Arcebispo de São Paulo
Publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. 09.02.2013