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Memória e Resistência

Todos nós, que acreditamos nas liberdades democráticas como instrumento de evolução da sociedade humana, acompanhamos com expectativa os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, na espera de um relatório final que esclareça à Nação sobre fatos ainda nebulosos do período da ditadura militar imposta aos brasileiros.

Em recentes notícias divulgadas pela imprensa vemos as dificuldades e entraves opostos aos trabalhos dessa Comissão, mas temos certeza que seus comprometidos membros saberão superá-las.

Memória, conhecimento, apropriação de fatos e personagens da História são a base na construção do que está por vir. O que conhecemos e o que sabemos nos instrui no caminhar cotidiano e nos inspiram para um projeto de futuro.

Preservar a memória é escrever e reescrever a História! Em recente visita a Berlim, pude constatar o quanto a sociedade alemã teve, e tem a capacidade de autocrítica e de reconhecer seus erros e desvios indesculpáveis durante o regime nazista.

A cidade é um “museu a céu aberto”, onde os citadinos e os visitantes são sempre convidados a conhecer a força malévola das ações nazistas e a refletir sobre a importância da Resistência aos regimes totalitários. É uma verdadeira “pedagogia da memória”...!!

Resistir é o verbo a ser conjugado quando nos deparamos com ações que procuram destruir etnias, minorias, idéias e esperanças...

Nesta última semana tive oportunidade de conhecer o Projeto “Brasil Nunca Mais Digital” empreendido pela Procuradoria da República em São Paulo, que visa preservar e publicizar o acervo de documentos que compôs a obra “Brasil Nunca Mais”, liderada, em plena ditadura, pelo Cardeal Arns. Este projeto está estruturado em duas fases: (i) uma primeira de resgate e acesso aos documentos e (ii) uma segunda de criação de material pedagógico sobre o mesmo.

Nesta mesma linha, a recente publicação eletrônica de documentos do DEOPS paulista, por determinação do Governo do Estado de São Paulo, também merece destaque.

Nesse sentido me pergunto: Caberia, ainda, uma ação para preservar o acervo físico do “Brasil Nunca Mais”, tombando os documentos depositados na Unicamp? Caberia a criação de uma “Comissão da Verdade da PUC-SP”, já que foi ela e seus membros e familiares vítimas da ditadura militar? Caberia na nossa Universidade a criação de um “Observatório de Direitos Humanos”, presente em tantas Universidades no exterior? Grupos se reúnem para propor estas e outras idéias...

O importante é sempre preservar a memória para que não reincidamos no erro e assim possamos construir um amanhã mais justo e democrático!

Ana Paula de Albuquerque Grillo
Procuradora e Consultora Jurídica Chefe da FUNDASP
Conselheira do CONDEPHAAT