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PÁSCOA COMO RENOVAÇÃO DA ESPERANÇA: O Logos criador de Deus e o homem

Quando meditamos nas primeiras palavras do Evangelho de João ("No princípio era o verbo") nos vem à mente a palavra Logos, importante vocábulo da língua grega que significa palavra, razão, sentido. Ao criar o universo Deus concebeu a humanidade para a vida eterna, sendo esse o sentido do Logos criador do Evangelho de João. Jesus Cristo veio ao mundo como a segunda demonstração do Logos criador de Deus, para mostrar aos homens que o filho de Deus nasceu, viveu e morreu pela humanidade, para ressuscitar no terceiro dia renovando a promessa de Deus de vida eterna na casa do Pai.

O Logos criador, princípio de todas as coisas, só se vivifica no amor e na liberdade, pois o Logos de Deus não é razão pura e simples, mas razão criadora no amor e na liberdade.

O homem, que tem e vive o amor e que professa e atua com liberdade, é manifestação do Logos criador de Deus, motivo pelo qual se pode dizer que ser pessoa humana é coisa divina e boa, como disse Bento XVI em sua homilia de vigília pascal do ano passado (Il giorno della nuova creazione, in 'L'Osservatore Romano', Vaticano, 26-27.4.2011, p. 6).

Por isso é que se deve ver a Páscoa como renovação da esperança. Esperança na bondade, na caridade, na solidariedade.

Do ponto de vista histórico a Páscoa tem outro sentido na religião judaica, pois com o pessach os judeus comemoram a libertação de seu povo da escravidão em que viviam no Egito. Os cristãos faziam o mesmo até que no Concílio de Nicéia se proibiu a comemoração da Páscoa como libertação dos judeus da escravidão, assim como se fixou como época dessa festa móvel não a décima-quarta lua como fazem os judeus, mas o Dia da Ressurreição do Senhor, o Dia da Nova Criação, guardando maior fidelidade à doutrina de Cristo ensinada no Evangelho.

A libertação do homem pela morte de Cristo significa a suprema expressão do amor e a renovação da esperança. Com os olhos voltados para esse sentido é que devemos comemorar a Páscoa, data maior da Cristandade.

Nelson Nery Junior

Professor Titular da Faculdade de Direito da PUC-SP
Membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo