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A IMPORTÂNCIA DA INTERNACIONALIZAÇAO DA UNIVERSIDADE

A sociedade globalizada, com sua característica de sociedade da comunicação, traz transformações até então não conhecidas, ou levadas em conta pelo ser humano.

As questões valorativas deixaram de ter um círculo limitado e levaram as diversas áreas do saber, em especial a universidade, a deparar-se com conflitos sociais desconhecidos. Assim, impõe-se a análise, ainda que perfunctória, dessa conjuntura.

A maior riqueza de uma universidade é seu capital cultural, que gera recursos inesgotáveis nos mais variados âmbitos. No estudo da internacionalização do espaço universitário, observamos que na medida em que há abertura para a entrada de alunos e professores estrangeiros, bem como para a saída de alunos e professores brasileiros, legitima-se a possibilidade da pesquisa e do conhecimento. Além disso, edifica-se o campo fértil para o intercâmbio entre as culturas, os idiomas, as legislações e tantos outros assuntos que fazem, em si mesmo, o próprio homem como o maior e melhor objeto de estudo que já se viu.

Nos últimos anos temos assistido a uma movimentação do fluxo de professores universitários em todo o mundo.

A partir da terceira década do século XX, as universidades americanas receberam pesquisadores de diversos países, em especial da Europa, em busca de melhores condições de trabalho, aprendizado e qualificação de modo geral. Os pesquisadores e estudiosos europeus, principalmente aqueles oriundos de locais que enfrentavam dificuldades econômicas e políticas, encontravam nas universidades norte americanas condições favoráveis para seu desenvolvimento acadêmico.

No momento atual, o Brasil vive situação semelhante ou, ao menos, parecida. É notório o número de estudantes e profissionais estrangeiros, com graduação e pós-graduação, que tem vindo e/ou desejam vir ao nosso país em busca de espaço para pesquisas, aperfeiçoamentos e, é claro, de entrada ou melhoria de colocação no mercado de trabalho.

A qualidade do ensino em geral, também é relacionada com a alta taxa de empregabilidade de seus egressos, ideia que consideramos controvertida, já que as bases da instituição acadêmica não são voltadas apenas ao atendimento do mercado.
O enorme fluxo de estrangeiros já é uma realidade; se por um lado eleva ainda mais os índices de crescimento brasileiro, por outro traz a indagação acerca da competitividade que se acrescentará ao mercado de trabalho interno.

No que diz respeito à PUC-SP, nossa Universidade tem a internacionalização como um dos seus grandes diferenciais, preocupada em formar cidadãos e profissionais aptos para atuar em um mundo cada vez mais globalizado. Dados da Assessoria de Relações Institucionais Internacionais (AARI) indicam que temos promovido regularmente várias atividades internacionais, pesquisas em colaboração com instituições estrangeiras e intercâmbios de estudantes e professores.

Na atualidade, a PUC-SP mantem 111 convênios com instituições estrangeiras; existem 33 novas propostas de parceria em elaboração, todas prevendo também intercâmbio de estudantes. Segundo estimativa da ARII, no presente ano de 2012, o número de intercâmbios para estudantes deverá passar para mais de 80 IES em 40 países.

A entrada e abertura do nosso sistema acadêmico no âmbito internacional enseja uma verdadeira reflexão para o preparo dessa interlocução, impondo a existência de "uma via de mão dupla", uma vez que inclui a relação entre muitos saberes.

Tendo como base que "Nenhum homem é uma ilha", podemos refletir sob diferentes óticas. Assim, nenhum homem viverá ilhado se realmente se dispuser a não sê-lo e se tiver ao seu dispor uma oferta de conhecimentos acessíveis e convidativos o suficiente para retirá-lo da condição protegida e circunspecta a que ousamos chamar aqui de conhecimento.

A "usina de conhecimentos", como pode ser denominada a universidade, também não é uma ilha; participa da enorme revolução que vem ocorrendo na área das comunicações, e consequentemente da circulação e apreensão da informação.

A abertura da Universidade para a troca e efetiva interlocução entre os que estudam e os que vivenciam a academia em seus mais variados eixos – discente e docente - trará maiores benefícios para a sociedade como um todo, para o alcance do ideal da dignidade humana e da consolidação de um mundo mais humano e justo.


MARCO ANTONIO MARQUES DA SILVA

Professor Titular da Faculdade de Direito da PUC-SP; Vice-Coordenador do Pós-Graduação em Direito da PUC-SP, Professor Visitante da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Portugal) e Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.