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Precisamos da Páscoa: da vitória sobre o mal e a morte

Estes primeiros meses de 2011 foram marcados por grandes tragédias: primeiro a maior tragédia brasileira com as enchentes na região serrana do Rio de Janeiro com mais de 200 mortos e cerca de 150 desaparecidos, depois o terremoto e o tsunami no Japão e agora a chacina de crianças numa escola do Rio.

Diante disso é inevitável que nasça a pergunta sobre o porquê do mal e da morte. De onde vem o mal? Responder a essa pergunta é fundamental para que a desesperança não nos domine e possamos estar diante destas situações como protagonistas e não apenas como peças de um mecanismo inevitável. Nós, homens de hoje, precisamos ter certeza que o mal não é a última palavra sobre a vida.

O cristianismo nasce como testemunho da ressurreição de Cristo que vence o mal e a morte. Mas hoje em dia parece tão difícil acreditar nesta vitória! O Papa Bento XVI, em sua Mensagem para a Páscoa de 2007, lembra a Tomé, o apóstolo incrédulo, que diz precisar tocar nas chagas de Cristo para acreditar em sua ressurreição: “A dor, o mal, as injustiças, a morte, especialmente quando afetam os inocentes – por exemplo, as crianças vítimas das guerras e do terrorismo, das doenças e da fome – por acaso não submetem nossa fé à dura prova? No entanto, precisamente nestes casos, a incredulidade de Tomé nos é paradoxalmente útil e preciosa, porque nos ajuda a purificar toda falsa concepção de Deus e nos leva a descobrir seu rosto autêntico: o rosto de um Deus que, em Cristo, carregou sobre si as chagas da humanidade ferida. [...] Somente um Deus que nos ama a ponto de carregar sobre si as nossas feridas e a nossa dor, sobretudo a dor inocente, é digno de fé. Quantas feridas, quantas dores no mundo! Não faltam calamidades naturais e tragédias humanas [...] Com efeito, ressuscitando, o Senhor não tirou o sofrimento e o mal que aflige a humanidade, mas venceu-os pela raiz com a superabundância da sua Graça. À prepotência do mal opôs a onipotência do seu Amor” Mas, como Tomé, nós também precisamos ver a potencia deste Amor para termos esperança. Precisamos de testemunhas da positividade deste Amor na experiência humana.

Novamente é Bento XVI que se dirige a nós: “Se, por meio da Páscoa, Cristo já extirpou a raiz do mal, todavia precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vitória com as mesmas armas d’Ele: as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor” (Mensagem de Páscoa de 2009). Estas testemunhas existem, caminham entre nós, são pessoas comuns, mas que – nos momentos de dor, angustia e sofrimento – encontram esta positividade.

Cada um de nós, e todo o mundo de hoje, precisa a todo o momento ver a estes homens e mulheres que testemunham esta esperança viva. O paradoxal é que essas pessoas existem e nunca estão longe, basta que nos coloquemos em movimento para as encontrar. Essa é a razão de ser e a natureza mesma da Igreja: um lugar onde encontramos estas testemunhas e nós mesmos nos tornarmos testemunhas desta da vitória de Cristo sobre a morte.


Pe. Vando Valentini
Coordenador da Pastoral Universitária Da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo