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Beatificação de João Paulo II

É com alegria que, em nome da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC-SP, fui convidado pela FUNDASP a escrever algumas palavras sobre a beatificação do saudoso e inesquecível Papa João Paulo II, no dia 1º de maio deste ano. João Paulo II, eleito aos 16 de outubro de 1978, morreu em 03 de abril de 2005.

Depois daquelas imagens emocionantes dos funerais de um dos Papas mais admirados e amados pelo mundo inteiro, a Praça de São Pedro novamente se encherá de vigor para celebrar a beatificação do homem santo que durante todo o seu longo pontificado (27 anos) deu a vida pela Igreja e pelo mundo. Sim, além de homem de Igreja, João Paulo II foi um peregrino do mundo, um apóstolo da paz. Trazia no seu coração os sofrimentos da Grande Guerra e do peso de um regime totalitário sob o qual viveu, por isso sabia o quanto o povo sofre, mas tinha também sensibilidade para o sofrimento causado pela fome e pelo abandono.

Segundo a legislação canônica, a causa da beatificação deve iniciar depois de cinco anos da morte. Porém essa norma pode ser acelerada, se o papa quiser. Normalmente isso acontece quando a santidade é um fato notório e a popularidade é elemento visível. Assim aconteceu com Madre Teresa de Calcutá, por decisão do próprio Papa João II. Agora foi o Papa Bento XVI quem decidiu acelerar a causa de beatificação de João Paulo II, ou “João de Deus”, título que lhe deu o povo brasileiro. Em junho de 2005, no mesmo ano da sua morte, foi aberta a causa de canonização. Em 19 de dezembro de 2009, o Papa Bento XVI declarou-o “venerável”, após aprovar o decreto por meio do qual eram reconhecidas as virtudes heróicas do Servo de Deus. Karol Wojtila.

O histórico desse dia começa em 28 de abril de 2005, quando o Cardeal Camilo Ruini acerta com o Papa Bento XVI as circunstâncias extraordinárias da beatificação de João Paulo II. Em 13 de maio do mesmo ano, Bento XVI anuncia que João Paulo II está dispensado dos cinco anos canônicos exigidos para o início do processo de beatificação. Em 18 de maio de 2005 o Cardeal Ruini assina o decreto da causa da beatificação e canonização de João Paulo II e pede testemunhos em forma de milagres. Foram aparecendo muitos testemunhos de milagres, sendo catalogados 251. No dia 30 de janeiro de 2006, o milagre selecionado é divulgado. Segundo Monsenhor Slawomir Oder, uma religiosa francesa foi curada, por intercessão de João Paulo II, de mal de Parkson. Em 14 de janeiro de 2011, Bento XVI promulga o decreto pelo qual reconhece esse milagre.

No conjunto da obra de João Paulo II podemos destacar a preocupação com o tesouro dogmático e teológico da Igreja e com a paz mundial e o bem de todos os povos. Além de tantas cartas apostólicas, deixou 14 encíclicas. Empreendeu 115 viagens apostólicas e visitou 135 países, alguns, como o Brasil, mais de uma vez. Promoveu os Sínodos para rever e atualizar a aplicação do Concílio Vaticano II. Entre tantas metas, deu especial atenção à liturgia, que, como veremos a seguir, estava no rol das suas preocupações, sobretudo porque os anos pós-conciliares trouxeram muitas experiências criativas nem sempre felizes.

A motivação de todas as suas viagens encontram-se nas palavras que disse em Cuba, em janeiro de 1998: “Vim como mensageiro da verdade e da esperança para confirmá-los na fé e lhes deixar uma mensagem de paz e de reconciliação”.

As linhas básicas do seu pontificado foram traçadas por ele mesmo na mensagem Urbi et orbi de 17 de outubro de 1978, dia seguinte à sua eleição pontifical, destacando os grandes objetivos e a maneira de atuação:

a) Permanente importância do Concílio Vaticano II: estabelecer sintonia com o Concílio para tornar explícito o que nele está implícito; aprofundar a colegialidade dos bispos em torno do sucessor de São Pedro; promover e valorizar os Sínodos.

b) Fidelidade global à missão: conservar intacto o depósito da fé; confirmar os irmãos na fé; apascentar com todo o amor o rebanho do Senhor.

c) Fidelidade à grande disciplina da Igreja, que significa adesão ao Magistério, sobretudo no campo doutrinal; respeito pelas normas litúrgicas emanadas da autoridade eclesiástica; promoção das vocações sacerdotais e religiosas; promoção da autenticidade da vivência cristã.

d) Causa ecumênica.

e) Promoção da liberdade religiosa e da justiça no mundo; oferecer um contributo positivo às causas permanentes e dominantes da paz e da justiça internacional; trabalhar pela consolidação das bases espirituais sobre as quais deve apoiar-se a sociedade humana; estender as mãos e abrir o coração a todos os povos que se vêem oprimidos por alguma injustiça ou discriminação.

Então podemos dizer que João Paulo II não só cumpriu a tarefa a que se propôs com amor e competência, mas a cumpriu santamente.

Pe Dr. Valeriano dos Santos Costa.
Diretor da Faculdade de Teologia da PUC-SP