Vivências na PUC-SP
Desde 1946, quando foi fundada, a PUC-SP traz muitas histórias inesquecíveis que transformaram vidas e formas de sentir e atuar no mundo.
Veja abaixo, algumas mensagens dos ex-alunos e de um professor, inspiradas no aniversário de 65 anos da Universidade.
Envie também a sua (no máximo com 1.500 caracteres ou duas laudas de 20 linhas com 70 toques cada) para o Centro de Ex-Alunos: ex-alunos@pucsp.br –com seu nome completo, curso e ano de formatura e telefone(s), e concorra a ingressos para o TUCA e livros da EDUC.
65 anos de Fundação da PUC-SP
José Xavier Cortez - Ciências Econômicas 69, Presidente da Editora e Livraria Cortez
A PUC teve muita importância na minha trajetória.
O início dessa convivência ocorreu quando ingressei no curso de Economia no final da década de 1960. Foi nesse ambiente e em um período de grande efervescência política que minha visão de mundo ampliou-se, o que me levou a desenvolver um maior senso crítico em relação às questões econômicas, políticas e sociais do país.
Nessa época surgiu a oportunidade de me envolver com os livros, o que permanece até hoje. O fato de ser aluno do curso de Economia facilitou a minha inserção, inicialmente como livreiro, nas dependências da PUC e, em seguida, no segmento editorial.
Como aluno, tive total acesso aos professores, pesquisadores e intelectuais da Universidade, que era o grande celeiro dos pensadores brasileiros e estrangeiros que debatiam no recinto da PUC as grandes questões sociais que afligiam o país no regime ditatorial.
Como editor, comecei publicando livros de autores novos e antigos dessa respeitável Instituição, muitos dos quais permanecem até hoje no nosso catálogo.
Mesmo com pouca experiência, um dos destaques da livraria naquela época era que, além de trazer os livros indicados pelos professores para os alunos, eu conseguia adquirir por outras fontes livros que normalmente não estavam disponíveis em outras livrarias, principalmente textos marxistas proibidos pela censura daquele período.
PUC-SP: Abertura para o mundo
Marcos Campos Bicudo – Administração 84, Presidente da Philips (texto extraído de depoimento concedido a TV PUC em julho/2011)
Em 2000 viajei para Portugal pela empresa em que trabalhava. Queria voltar para o Brasil. Voltei e me envolvi muito com desenvolvimento sustentável, com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBEDS). Realizamos um grande evento no TUCA e naquele dia, por ser presidente do Conselho, pediram-me para fazer a abertura. Sentado ali, no teatro, comecei a relembrar a minha experiência na PUC e a invasão no TUCA, no final dos anos 70. Percebi que a necessidade do desenvolvimento sustentável é importante e exige uma ruptura com o modelo atual. Esse pensamento me remeteu à PUC da minha época, já que foi um momento de abertura política, das Diretas Já. Lembro essas coisas, como a formação do Partido dos Trabalhadores (PT), que foi feito também, ali, na PUC. Essas lembranças me remeteram ao que a PUC representou para mim, no início dos anos 80, que foi uma espécie de abertura para o mundo. Refleti: cresci, estou ficando adulto, o mundo não é tão ‘cor de rosa’ e precisa mudar.
Cresci no bairro de Perdizes e a PUC sempre foi parte do meu cenário desde a infância. Optei por estudar Administração de Empresas na PUC, que obviamente era uma das grandes referências. Fiquei muito feliz em estudar na PUC, o que era muito conveniente por ser perto de casa. Foi uma experiência bacana. Até os meus próprios colegas entraram na PUC e continuamos nossa amizade dentro do ambiente da Universidade. Então a PUC foi muito natural para mim, por ter crescido ali no bairro. (...) É imaginável pensar em Perdizes sem a PUC, sem o TUCA, sem aquelas subidas e descidas.
A PUC para mim sempre foi uma referência de ‘diferenciação’, algo que foge da rotina. Lembro que na minha época estudar na PUC era diferente, o aluno puquiano era diferente. Era uma Universidade, e ainda deve ser assim, que despertava uma visão mais crítica, com pessoas mais antenadas aos acontecimentos. Você tinha que ser de ‘direita’ ou de ‘esquerda’, na PUC você tinha que se posicionar. Assim, eu aplico disso, dessa diferenciação, no meu dia a dia, em que você tem que buscar algo que agregue valor, que se posicione, que tenha uma visão crítica, uma opinião formada, que não tenha medo de se posicionar. (...)
(...) Tive uma prima que foi Reitora da PUC, a profa. Maura Véras. Não a conhecia pessoalmente e acabei descobrindo, por minha irmã, que a Reitora era nossa prima, de primeiro grau. Então passei a me envolver um pouco mais com a PUC.
União e diversidade
Mário Cezar Mantovani - Geografia 1981, Diretor da Fundação S.O.S. Mata Atlântica (texto extraído de depoimento concedido a TV PUC, em agosto/2011)
A PUC-SP era muito unida, ninguém queria ir a outro lugar. Pelo contrário, todo mundo se encontrava lá. Eu via gente da USP e de todo tipo de faculdade. O pessoal ficava alucinado naquele lugar, porque ali era o ambiente de uma Universidade. Tinha um ambiente que acolhia, porque a PUC tinha essa característica de acolher. Havia uma multiplicidade, (a PUC) era um território que tinha de tudo e assim era livre. Não precisávamos ir para fora, as coisas vinham e aconteciam ali. Você era mais ou menos estranho como todo mundo, porque cada um tinha suas manias e jeitos. Na minha turma, cada um era de um jeito e esse ambiente era muito bom. Então, você falava de meio ambiente, às vezes não tinha muito entendimento, mas sempre aparecia alguém interessado. (...) Tinha um espaço para o debate e isso era genial, mesmo que em qualquer outro lugar do Brasil você não encontrasse isso.
(...) Depois fui dar aula na PUC e, também, fui escolhido para ser o paraninfo da turma. Eu era, talvez, o professor mais ausente, porque dava apenas uma aula na PUC, uma vez por mês, mas me sentia de novo em casa. (...) Fiquei pouco tempo na PUC, mas conheci dos “dois lados”, duas épocas diferentes.
Feliz aniversário, PUC-SP!
Maria Goreti Camarano – Direito 1992
Parabéns a PUC-SP pelos 65 anos de sua existência... Século passado, hem!
Cruel... O tempo voa... Fiz parte do século passado... Ainda bem que existe pankaque e espero permanecer brindando por mais um século...
Parabéns a mim... E por que não?! Pois tive a oportunidade de fazer parte dessa grande família... E continuo fazendo...
O coração bate, a mão gela... E não é demagogia... É pura emoção... E quando a data do nosso encontro anual acontece... Rever os amigos de tempos... Com muitos abraços e risos, os homenageados sempre com brilho nos olhos, muitos flashes e calor humano... A noite é inesquecível...
E quem vê os bastidores, sabe bem o que é isso. Um script minucioso, um corre-corre de papel pra lá e pra cá, para não deixar ninguém passar em hipótese alguma despercebido... Todos são estrelas e serão sempre, pois contribuíram para abrilhantar as cadeiras da PUC e sempre com uma surpresa a mais!
Não importa o tempo, a década, muito menos o século... O tempo passa, mas as recordações são imortais...
Feliz daquele que fez parte da PUC e concorda com os meus sentimentos e palavras...
Um brinde a todos nós, que somos Filhos da PUC, de corpo, alma e mente!
Liberdade, Conhecimento e Respeito
Sandra Regina Martins Gonçalves – História 1973
Segue uma pequeníssima mensagem, ditada pela alma:
Parabéns - a todos que propiciaram a criação desta Universidade.
Parabéns - a todos que com sua atuação, ao longo destes 65 anos, possibilitaram a esta Universidade ser a essência da Liberdade, da transmissão do Conhecimento e do Respeito à pessoa humana.
Parabéns PUCSP!
Mistura de culturas
Déborah Isabel Duarte Lima Barros – Serviço Social 2002
Parabéns a PUC-SP pelo 65º aniversário, a Universidade que me formou como Assistente Social e como pessoa em 2002, onde no Boulevard eu vi o 11 de Setembro acontecer!! Para mim, que nasci portuguesa e cresci em Cabo Verde, ter me formado no Brasil fez de mim uma pessoa, uma mistura de culturas muito diferente!!!
Muitos cumprimentos à administração!!!
PUC-SP na História do Brasil
Oswaldo Costa Souza – Direito 1971
(...) Fui estudar na PUC em uma época muito significativa para a história deste país. A minha turma entrou em 1967 e saiu em 1971, em uma época de Ditadura ferrenha e a PUC, acima de tudo, era o bastião de resistência democrática do país.
Quando forem ver a história do Brasil, os historiólogos vão perceber o quanto a PUC foi importante para a história, para a redemocratização. Inclusive falar sobre isto, é ter orgulho de ter pertencido à geração que lutou por tudo isto.
Orgulho de estudar na PUC-SP
Plínio Carlos Alvará – Física 1985
Cursar a PUC, para mim, foi abrir minha cabeça para um mundo maior. Hoje, vejo como amadurecemos fazendo uma faculdade, e a PUC me deu esta possibilidade.
Tenho muito orgulho de ter estudado na PUC e conheço vários amigos que estudaram nesta Universidade. Então, é com muito orgulho que venho aqui [no evento comemorativo dos 65 anos da PUC].
Sai de São José dos Campos para isso, porque sinto muito orgulho de pertencer e ser formado na PUC. Assim, aprendemos aqui na faculdade, não só a parte acadêmica, mas também a parte social. Você não evolui apenas com o conhecimento acadêmico.
PUC-SP fundamental
Maria de Lourdes de Araújo Guerra – Direito 1993
A PUC foi fundamental para decidir a minha vocação, porque voltei a estudar com 40 anos. (...) Foi o melhor momento da minha vida.
Fico mais feliz ainda pela PUC ter como Reitor o prof. Dirceu de Mello, que além de ter sido meu professor, é um excelente juiz e é itapetiningano, meu conterrâneo.
Momentos marcantes
Paulo Venceslau de Carvalho – Ciências Sociais 1982
Sinto-me muito entusiasmado pelo caminho que a PUC tem tomado, apesar de várias controvérsias, foi um período que me impulsionou ao que sou hoje. (...) Então, realmente, parabéns PUC aos seus 65 anos!
Quando encontramos alguém [da nossa turma] é sempre muito gratificante. Gostaria de lembrar, dentro dessa época marcante que vivenciei aqui na PUC, da Reitora Nadir Kfouri e aquele período foi muito importante, quando a Universidade estava sob o comando dela.
Crescendo na PUC-SP
Júlia de Souza de Líbero Angelo– Fonoaudiologia 2002/Pedagogia 2008/Aluna da Pós-Graduação (Mestrado)
Praticamente cresci aqui na PUC, porque a minha mãe é professora da Universidade. Além de ter estudado na creche da instituição, depois estudei Fonoaudiologia. Então, passei, praticamente, a minha vida toda foi aqui dentro.
A PUC é muito importante para mim, foi aqui que aprendi o que era uma pesquisa, além de ter feito muitos amigos. Enfim, o que sou hoje depende muito da PUC.
Vibrante, alegre e presente
Carlos Eduardo Duarte Santana – Direito 1991
Estudei na PUC entre os finais dos anos 80 e 90. A PUC representa um pouco do que eu sou hoje, como profissional e cidadão. Como ex-alunos, nós queremos uma PUC vibrante, alegre e presente, como sempre foi nas discussões políticas do Brasil. A PUC é catedrática e nisso e dá lição de vida e de história em nosso país.
PUC Eterna
Sergio Rodrigues – Ciências Contábeis 1985
Formei-me em Ciências Contábeis em 1985. No meu caso, que havia saído de uma formação de escola pública e depois técnica, foi uma glória conseguir entrar numa Universidade, sem efetuar o famoso "cursinho". Na época (1978) faculdade e universidade possuíam pesos muito diferentes. E ainda hoje é, pelo fato de que a PUC-SP não mudou. Lembro-me de uma frase que era dita a qualquer tempo nas disciplinas comuns, que era "consciência crítica da realidade". Frase essa que carrego comigo até os dias atuais e com certeza para os dias que virão. Entrei um ano após a "invasão". Tempos difíceis de expressão pessoal e popular. Mas, mesmo com as dificuldades impostas pela situação política da época na nossa Universidade, a liberdade de expressão realmente era ampla, geral e irrestrita, seja qual fosse o assunto que estava em pauta no momento. E você fazia parte de qualquer grupo, independente de raça, situação social, credo, etc. Recentemente li com tristeza sobre o falecimento de nossa reitora da época, Sra. Nadir Kfouri, mulher de pulso ímpar.
Em 2010 meu filho, então com 17 anos, entrou na PUC, para cursar jornalismo. Confesso que internamente senti-me muito envaidecido. No dia da matricula dele voltei a olhar a nossa Universidade. Os mesmos valores, a mesma concepção arquitetônica e, principalmente, sem catracas ou cancelas. A PUC, muito embora os tempos tenham mudado, permanece com a filosofia apregoada desde sua fundação. Ainda é a única Universidade realmente livre deste País.
Que continue assim, pois nós todos fizemos história nessa casa. Que as gerações futuras também o façam. E que encontrem a nossa PUC do mesmo jeito que está: como a Universidade
O Desabrochar da maturidade
Celina Leal dos Santos – Pós em Literatura e Crítica Literária
Na PUC/SP, campus Perdizes, respira-se o clima de um local cujas rugas do tempo marcam o espaço físico, contudo no ar permanece o sempre recente, o sabor da descoberta, o flutuar com as vitórias ao descer a rampa do antigo "Prédio Novo".
A memória dos diálogos travados, as imagens registradas, o encantamento das aulas, os desafios propostos permitem-nos avançar além do tempo e espaços universitários, em direção ao ilimitado, presente em cada um de nós.
Somente após o término do curso torna-se possível dimensionar os efeitos que impregnam a alma e mudam os rumos de toda uma existência. Frutos do esforço para sorver ao máximo os ensinamentos.
Lidar sempre com possibilidades únicas: desde a entrevista de ingresso com a Prof.ª Dr.ª Maria Aparecida Junqueira, depois querida orientadora, o incentivo e carinho dos demais professores, conciliando sensibilidade ao máximo rigor necessário à consecução das grandes obras; da sala de aula, ao teatro Tuca e à capela barroca...
Hoje, nossas humildes preces de gratidão a Deus, pelo incansável esforço de todos aqueles que mantêm uma entrega incondicional, permitindo à universidade manter-se incólume na superação das tempestades ao longo desses 65 anos e fazem de nós, ex-alunos, portadores zelosos da identidade com a Pontifícia Universidade Católica do Estado de São Paulo.
Universalismo da PUC
Gílson de Lima Garófalo - Professor de Economia
Praticamente 2/3 de minha vida estão direcionados a esta Universidade e brado em alta voz o "ORGULHO DE SER PUCSP". Retornava de meu mestrado nos Estados Unidos quando fui convidado para lecionar na Faculdade de Economia, ainda Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciências Atuariais "Coração de Jesus" que, originária dos padres salesianos estava sendo incorporada a esta Universidade.
Vivi os maus e, principalmente, os bons momentos da Instituição e fico feliz de vê-la presentemente assumida "in totum" pela Fundação São Paulo. Lembro-me bem do período em que o hoje Arcebispo Emérito de Uberaba, Dom Benedito de Ulhôa Vieira participava da administração superior e do contato que mantivemos na manhã do dia subsequente ao da Invasão de triste memória.
Percorri todos os degraus acadêmicos e sou o primeiro professor titular da FEA-USP. Coloque dificuldade para constituir a banca examinadora desse concurso. À convite do saudoso Professor Joel Martins acabei sendo o responsável pela implantação do Programa de Pós Graduação em Economia, conduzindo-o em seus primeiros anos. Posteriormente, auxiliei na estruturação do Pós em Administração.
Ex-alunos e filhos destes, conto às centenas, ocupando cargos de destaque na administração governamental, na esfera privada e no magistério superior, até mesmo em outros estados brasileiros. Quantos já encontrei em representações diplomáticas além fronteiras.
Hoje tenho a oportunidade de levar o nome da Instituição pelo Brasil afora e pelo estrangeiro, demonstrando o universalismo que aqui se convive e realçando o papel da PUCSP como a maior, mais importante instituição superior privada e, inclusive, tenho convicção, das pontifícias espalhadas pelo território nacional. (27/09/2011)
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