BOLETIM CLÍNICO - número 14 - março/2003


3. A Saga da Energia - Efraim Rojas Boccalandro(1) e Irene Cardotti Boccalandro Podesta(2)

A Saga da Energia é uma viagem histórica, que começamos na antiguidade chinesa e terminamos com a teoria dos Quanta de Max Planck.

Durante o percurso podemos perceber que embora cada autor em cada época modula coneitos de energia à sua imagem e semelhança, no âmago do conceito encontramos quase que uma identidade, que apesar da roupagem diferente, se mantém quase que sem modificações.

A energia Chi dos chineses antigos é uma energia universal, que anima os seres vivos. Aparece no século III a.C. como princípio da natureza de Hipócrates, princípio vital de Hahnemann que se deriva cm Bach para a energia sutil das flores, que age tanto no psíquico como no físico do indivíduo.

A energia Orgônica de Reich é conceituada também como uma energia universal e indispensável para o fluxo da vida; a bioenergia de Lowen, continuador de Reich, no próprio nome já diz que é energia de vida. O trabalho de Pethö Sandor, através dos toques sutis nos pés e pernas do paciente, visa estimular energeticamente pontos da pele que tem ressonância no sistema nervoso central, desta forma se consegue uma harmonização da energia global do organismo.

A Teoria da Relatividade de Einstein vira às avessas a física do século XIX, com seu principal físico Isaac Newton. Resumindo de maneira muito sintética, podemos dizer que o universo passa a ser nas suas diferentes manifestações, formas na verdade da velocidade, quantidade de movimento. Só que a energia como realidade é inacessível ao entendimento humano. Isto é verdadeiro, basta ver o ideograma chinês em que a energia Chi simbolizada por uma chaleira que tem o tampo levantado pela força do vapor, logo é um símbolo de ação, trabalho. O ideograma carece de símbolo na base da chaleira, o que significa que os chineses não sabiam o que era a energia básica, apenas conheciam suas manifestações.

Além das energias puramente físicas, temos as biológicas: um pirilampo contra um céu noturno nos fascina com a luz que emana do seu corpo, um peixe elétrico quando emite uma descarga pode derrubar um homem, a atividade neuroelétrica do cérebro da ordem de milionésimos de volts, comanda ações de todo nosso organismo. Tanto a energia fosforescente do pirilampo como a atividade neuroelétrica do nosso sistema nervoso são energias sutis. Além das energias puramente físicas, temos as biológicas.


ENERGIA NA ANTIGUIDADE GREGA

O velho Heráclito de Éfeso na Ásia menor teve a intuição genial de perceber tudo o que existe como uma roda de transformações. Hoje diríamos que a cruz e os quatro elementos de Heráclito constituiriam um processo de reciclagem de energia. O fogo de Heráclito pode ser visto hoje como o estado plasmático da matéria, constituído por íons altamente acelerados. Esses íons aparecem tanto quando acendemos um fósforo como quando a terra recebe, junto com os outros planetas, um vento solar, emissões de energia provenientes da coroa solar.

Afirmava Heráclito que o fogo se transforma em água, a água em terra, e da terra emana o ar, que "recicla o fogo"; podemos ver esse processo como uma permanente realimentação semelhante ao que afirmou Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
O princípio de fogo (energia fogo) de Heráclito foi retomado por Hipócrates como Princípio de Natureza (energia vital).

"Ele postula o princípio da homeopatia: "semelhante cure semelhante".

Que significa isso?

Temos de observar a natureza. Para que o semelhante cure. A doença é o desequilíbrio do Princípio de Natureza, porque para ele, natureza é uma energia, que faz parte de todos os seres vivos. E que vai ter a possibilidade de voltar ao equilíbrio, ou seja, à saúde, à harmonia.

Hipócrates elaborou um corpo doutrinário de mais de 260 aforismos, que são princípios e postulados da prática médica. A primeira postulação que ele dá é:

"O semelhante cure semelhante". Há uma harmonia na natureza. Quando essa se desequilibra, temos de agir sobre esse princípio da natureza.

É interessante que, assim como Heráclito, Hipócrates também propõem aforismos. E Hahnemann, posteriormente, numa palestra sobre homeopatia, catalogou uma série de princípios de ação para os médicos, uma série de conhecimentos básicos para os homeopatas, e, o mais importante, o princípio vital. É ele que consegue restabelecer o equilíbrio perturbado na doença.

Isso já era falado por Hipócrates. Os médicos não devem contrariar a natureza. Devem ajudar a restabelecer o equilíbrio. Por isso era contra purgativos fortes, contra sangrias, procedimentos estes que continuaram durante a Idade Média.

Hahnemann elaborou um Organon, um órgão. Nesse órgão, o aforismo fazia papel de parte constituinte entrelaçada com outras partes do Organon.

Hipócrates tentou mostrar também como manter a saúde, com a ginástica e a vida saudável, o pensamento puro. Que já era recomendado no tempo de Asclépio: pensamento puro, ação pura, a vida saudável, o equilíbrio e a harmonia, saúde. Os mesmos tipos de conceito.

De outro lado, a ligação íntima entre elemento, humor e temperamento já nos dá uma visão claramente psicossomática, antecipando-se a Hahnemann que conseguiu melhorar ainda mais essa conceituação.

No início do século XX, um médico francês Leon Vannier, que trabalhou com os conceitos homeopáticos mais recentes, falou de psicossomática. Esses conceitos de Vannier se mantêm firmes até hoje. A interação psique-corpo, corpo-psique tem sido retomada, a partir de 1980, até hoje. E tem se podido comprovar como corretas as afirmações de Vannier de 1930.

Falta, no entanto, no princípio psicossomático, uma dosagem maior do fator intuitivo-noético. Ainda estamos muito impregnados do modelo mecanicista, positivista da Ciência. Ainda há gente que quer observar, sem interpretar. Como se isso fosse possível."

Hipócrates recebe duas vertentes dos antepassados: uma mítica e uma de observação de acompanhamento, de tratamento específico.


O CONCEITO DE ENERGIA NA ANTIGUIDADE CHINESA

Para os chineses a energia Chi é baseada na concepção taoísta que postula uma energia universal (Chi) que se desdobra em duas modalidades diferentes, Yin e Yang, que no entanto podem transmutar-se: "o excesso de Yin se transforma em Yang e o excesso de Yang se transforma em Yin". No corpo humano essas duas modalidades de energia circulam através dos chamados meridianos, que são vias virtuais de condução dessas energias sutis e cujo equilíbrio ou desequilíbrio ocasionarão saúde ou doença.

O Tao é um princípio filosófico que tem dois aspectos:

"como Princípio-origem, yuang-ché, de que emerge o cosmos, que a tudo anima sem que por qualquer coisa existente seja animado, sem conteúdo substancial e, pois, sem identidade, por não ser definível em termos materiais e espaço-temporais.

Como Poder, presente à vida, dotado da força de iniciar, continuar e concluir a ação como a que se descobre na capacidade de estruturação de partículas para a formação do átomo"

Existe um símbolo gráfico do Tao, o Kua que consiste em "uma parte negra - Yin - e outra branca - Yang. Yin, negativo, feminino, frio, úmido; Yang, positivo, masculino, quente e seco, duas forças cósmicas cujas superfícies são rigorosamente iguais, e um círculo que os rodeia que é o Tao, princípio superior ou conciliador. A parte negra encerra um ponto branco e a parte branca, um ponto escuro, para demonstrar que qualquer que seja o elemento do mundo criado, não é ele absolutamente positivo ou negativo.

A manifestação dessas duas forças é observável em toda a criação. O sol e as estrelas, do ponto de vista taoísta, são Yang. A lua e os planetas, Yin. O homem, o dia, o movimento, são Yang. A noite, a mulher, o repouso, são Yin."

Estudos recentes tem comprovado de forma indireta a existência dessas correntes de energia sutil no organismo humano. Foi possível comprovar que nos chamados pontos de acupuntura que foram conhecidos pelos chineses há uns 38 séculos aparece uma diminuição da resistência da pele que facilita a passagem dessas energias sutis.


ENERGIA DE CURA PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

O primeiro terapeuta que usa mãos de cura é Quirão, o centauro filho de Cronos com a oceânida Fílira. Conta o mito que Cronos apaixonou-se por Fílira e tentou possuí-la, só que Fílira não quis ceder ao desejo de Cronos e se transformou em égua. Rapidamente Cronos se transformou também em garanhão e acabou possuindo Fílira. Dessa união nasceu Quirão, aquele que trabalha com as mãos. Etimologicamente Kheir, mão, de onde Kheirurgos: o que trabalha, o que age com as mãos.

Continuando com o mito, Fílira encaminhou Quirão para aprender medicina com Apolo, pois sendo filho de Cronos, o tempo que conhece o presente, o passado e o futuro, precisaria desenvolver sua vocação de sábio. Foi mestre de Asclépio, o grande médico que conseguiu ressuscitar mortos, de Peleu, Aquiles, Jasão e outros heróis míticos. Ensinava aos seus discípulos música, a arte da guerra e da caça, a ética e a medicina.

Heracles perseguia ao centauro Élato, quando este se refugiou na gruta de Quirão. Heracles atirou contra Élato e sua flecha envenenada com o sangue da medusa, atingiu seu coração e transpassando-o feriu acidentalmente Quirão. A ferida doía terrivelmente e a partir daí, movido pela compaixão, conseguiu ajudar melhor seus pacientes e ser um médico melhor ainda.
As mãos de cura, constituem privilégio de pessoas possuidoras de grande energia etérica. Quando se faz Kirliangrafia (fotos Kirlian), aparecem cores que são efeito da vibração eletromagnética no filme colorido.

A vibração eletromagnética também recebe o nome de aura que constitui aspecto fotografável do corpo etérico. No comum das pessoas, essa vibração eletromagnética não chega mais do que uns dois centímetros na periferia dos dedos; em pessoas dotadas de grande energia etérica, essa aura pode chegar a uma distância de 50 a 60 cm ou mais, isto permite ao curador realizar energizações sem encostar na pessoa ou na água.

O grande mestre da cura pela imposição das mãos foi Jesus, o Cristo, que durante sua vida terrena realizou muitas curas utilizando-se da energia etérica à distância e também colocando seus dedos em partes do corpo do paciente. No Novo Testamento da Bíblia, é relatada a cura de dois cegos, por Jesus, o Cristo:

"Como saísse de Jericó, uma grande multidão o seguia. E eis que dois cegos, sentados à beira do caminho, ao saberem que era Jesus quem passava, puseram-se a gritar: "Senhor Filho de David, tem compaixão de nós!"

A multidão os repreendia para que se calassem. Mas eles gritavam com mais força ainda: "Senhor Filho de David, tem compaixão de nós!". Jesus deteve-se, chamou-os e lhes disse: "Que quereis que eu faça por vós?", eles lhe dizem: "Senhor, que nossos olhos se abram!"

Tomado por compaixão, Jesus lhes tocou os olhos e imediatamente recuperaram a vista. E eles o seguiram"

Consideramos importante esclarecer o sentimento de compaixão, quem é compassivo sente a dor do outro como se fosse dele mesmo, é uma ressonância psíquica que leva o compassivo a tentar diminuir ou tirar a dor do outro.

A imposição das mãos, ou seja, a obtenção de efeitos terapêuticos pela utilização da energia etérica teve um grande expoente em Mesmer. Ele conseguia que pessoas que o procuravam entrasse em estados de hipnose sem tocá-las. À essa energia etérica deu o nome de magnetismo animal, afirmando que esse magnetismo tinha um forte poder de cura. Chegou a magnetizar uma
corda que pendurou num galho duma árvore em Paris para que seu magnetismo estivesse à disposição de quem precisasse.

Os curandeiros naturais que operam pela imposição das mãos, passam para os pacientes estímulos energéticos sutis, que tem sido demonstrado; "restauram enzimas danificadas com efeito semelhante à dos campos magnéticos de alta intensidade. Isto sugere que as energias vitais sutis dos curandeiros parecem ter principalmente propriedades magnéticas! Esta é uma revelação verdadeiramente fascinante quando se considera que, na época dos experimentos curativos de Franz Anton Mesmer, realizados no século XVIII, na França, essa prática era chamada de "cura pelo magnetismo" . Isto fica mais surpreendente porque na época de Mesmer não existiam aparelhos que pudessem medir magnetismo.


A CURA PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS NO REIKI

Mikao Usui, monge cristão, que dirigia uma pequena universidade cristã em Kioto, recebeu um dia uma pergunta que não soube responder: "como fazer para sanar doenças 'a maneira de Jesus, o Cristo?" Mikao não se conformou em não saber, e depois de ter aprendido o sânscrito e o chinês, encontrou um antigo texto escrito em sânscrito por um discípulo de Buda que continha os símbolos e a descrição de como Buda curava.

Meditando na montanha sagrada Kuriyama, depois de 21 dias de meditação e jejum "Sucedeu, então, que uma intensa luz branca o golpeou de frente e os símbolos, que até então não sabia aplicar, tornaram-se claros ao seu espírito aparecendo uma outra vez em meio a resplendores dourados. O jejum e a meditação ampliaram as fronteiras da sua consciência"

A primeira aplicação que Mikao fez do seu poder de cura, foi com ele mesmo, pois, na pressa de voltar ao mosteiro e comunicar a descoberta aos outros monges, bateu o pé numa pedra e ficou ferido. Aplicando as duas mãos ao pé ferido, conseguiu estancar o sangue e aliviar a dor.

A partir daí utilizou essa energia de cura para sanar inúmeras pessoas, percebendo que isso não era o bastante, procurou seguidores aos quais transmitiu o seu saber. Entre esses se destacou Chujiro Hayashi, continuador da obra espiritual de Mikao.

Os cinco princípios do Reiki são:

SÓ POR HOJE, NÃO TE PREOCUPES
SÓ POR HOJE, NÃO SINTAS RAIVA
SÓ POR HOJE, HONRA TEUS PAIS, MESTRES E ANCIÃOS
SÓ POR HOJE, GANHA A VIDA HONRADAMENTE
SÓ POR HOJE, SENTE GRATIDÃO POR TODO SER VIVO

Mikao faleceu por volta de 1929 e sua obra foi continuada no Havaí por Hawayo Takata, iniciada por Chujiro Hayashi.


O SISTEMA USUI DE HARMONIZAÇÃO NATURAL

"Quando aproximamos nossas mãos do corpo de outra pessoa, as energias se intercomunicam, passam de uma para outra, produzindo-se uma união energética, sendo imprevisíveis as conseqüências deste intercâmbio." Isto pode acontecer entre duas pessoas comuns, não iniciadas no Reiki. Para poder trabalhar no método Mikao Usui é importante "ter em conta que o sistema Usui não é nossa própria energia harmonizada.

Como praticantes somos canais de energia Ki, que flui através de nossas mãos para que o receptor aceite este convite de conectar-se com a harmonia cósmica, à qual pertence."

Reiki é um ideograma japonês que lido isoladamente significa Chuva Milagrosa de Energia Vital ou Chuva Milagrosa que dá Vida.

"Em alguns casos, este ideograma encontra-se reforçado por pequenas formas que representam grãos de arroz, como símbolo de vida. É a idéia de algo que vem do cosmos e que, em seu encontro com a terra, produz o milagre da vida.
Leia detidamente e trate de sentir em você esta idéia: Chuva Maravilhosa que produz o milagre da vida. Trata-se de sentir, não de pensar.

Sinta em você as seguintes idéias:

Energia Orgônica
Princípio Vital
Princípio de Natureza
Prana
Energia Bioplasmática
Mana
Sopro de Vida
Energia Vital Universal
Energia Cósmica
Chuva Milagrosa
Espírito Santo
Grande Espírito Universal

A conjunção REI e KI do ideograma dá toda uma idéia de pertinência e de ida e volta, algo assim como a comunhão entre uma energia superior com uma mais terrena, porém que se pertencem mutuamente"


A EXPERIÊNCIA DE GRAD

"(...) Grad estava interessado em descobrir se as pessoas que praticam curas psíquicas realmente produziam sobre os pacientes efeitos energéticos maiores do que aqueles que poderiam ter sido causados pela crença ou pelo "carisma". Ele queria separar os efeitos fisiológicos das emoções (o assim chamado efeito placebo) dos verdadeiros efeitos energéticos sutis sobre os sistemas vivos. Para estudar esse fenômeno ele criou uma série de experimentos nos quais os pacientes humanos foram substituídos por plantas e animais, a fim de eliminar os conhecidos efeitos da crença.

O trabalho de Grad que mais nos interessa aqui é aquele realizado com sementes de cevada. Para criar uma "planta doente", Grad pôs sementes de cevada de molho em água salgada, o que, como se sabe, retarda o crescimento da planta. Em lugar de trabalhar diretamente com as sementes, Grad fez com que uma pessoa supostamente dotada de poderes de cura fizesse um tratamento de imposição das mãos sobre um recipiente fechado contendo a água salgada que seria usada para a germinação das sementes. As sementes de cevada foram colocadas pelos assistentes de laboratório em água salgada retirada de recipientes tratados ou não tratados, os quais haviam recebido etiquetas que os designavam arbitrariamente como "Um" e "Dois". Somente Grad sabia identificar corretamente as garrafas de água salgada.

As sementes foram separadas em dois grupos, diferindo apenas quanto à água salgada com que cada grupo foi inicialmente tratado. Depois do tratamento salino, as sementes foram colocadas numa estufa, onde o processo de germinação e crescimento foi atentamente acompanhado. A porcentagem de sementes que germinaram foi calculada e fez-se uma comparação estatística entre os resultados obtidos nos dois grupos. Grad verificou que as sementes submetidas à água tratada germinavam com maior freqüência do que aquelas do grupo salino de controle.

Depois da germinação, as sementes foram colocadas em potes e mantidas em condições semelhantes de crescimento. Ao término de várias semanas, as plantas foram estatisticamente comparadas quanto à altura, tamanho das folhas, peso e conteúdo de clorofila. Grad verificou que as plantas regadas com a água tratada eram mais altas e tinham um maior conteúdo de clorofila. Seu experimento foi repetido diversas vezes no mesmo laboratório com resultados positivos semelhantes. Depois da publicação do trabalho de Grad outros laboratórios norte-americanos conseguiram reproduzir seus resultados utilizando diferentes pessoas para o tratamento da água salgada.

(...) o ângulo de ligação atômica da água havia sido ligeiramente alterado. As pequenas alterações na estrutura molecular da água tratada pelo curandeiro também produziram uma diminuição na intensidade das ligações por pontes de hidrogênio entre as moléculas de água. Os testes confirmaram que a água tratada pelo curandeiro havia apresentado uma significativa diminuição na tensão superficial, resultado das alterações nas ligações por pontes de hidrogênio entre as moléculas de água energizadas. Curiosamente, a água tratada com imãs apresentou não só diminuições semelhantes na tensão superficial como também efeitos positivos na estimulação do crescimento de plantas."


A CURA PELA HOMEOPATIA

"(...) Na homeopatia, quanto mais diluída a dosagem da droga, mais potentes são os seus efeitos. Embora as soluções usadas para produzir os remédios homeopáticos sejam tão diluídas que provavelmente não chegam a conter uma única molécula da substância original, ainda assim elas aparentemente têm poderosos efeitos curativos. Isso parece paradoxal, na medicina tradicional, tendo em vista a necessidade física de um número adequado de moléculas para se alcançar o desejado efeito terapêutico.(...)"

O processo de elaboração do remédio homeopático se inicia com uma solução saturada da substância medicamentosa. Um cm³ de solução saturada é diluída com 99 cm³ de hidroálcool, essa solução constitui a 1a centesimal. Dessa 1a centesimal se tira 1 cm³ que se dissolve em 99 de hidroálcool chegando-se a 2a centesimal. A quantidade de substância medicamentosa na 1a centesimal é 1/100, na 2a, uma parte de substância medicamentosa para 10.000 de solução ( 1/100 x 1/100 = 1/10.000 ). Prosseguindo esse processo de diluição, quando se chega na 13a centesimal já não há mais substância medicamentosa na solução. Parte fundamental do processo de elaboração do remédio é a sucussão, ou seja, batidas fortes que se dão à solução para "dinamizar" o remédio.

Utilizando-se a experiência de Grad, podemos supor que com a sucussão se obtém um modelo vibracional, na solução homeopática que aumenta em cada nova sucussão. Chegamos a um resultado surpreendente pois a cada nível de diluição há uma maior potência do remédio.

O princípio fundamental estabelecido por Hahnnemann é o da semelhança: as substâncias que determinam sintomas doentios em pessoas sãs, curam esses mesmos sintomas em pessoas doentes, só que ele descobriu que o poder terapêutico aumentava com diluições repetidas da substância terapêutica. A explicação de Gerber é plausível para compreender melhor o poder de cura do remédio homeopático, baseando-se nos experimentos de Grad, ou seja, as alterações das moléculas de água, devidas à presença do remédio, se transmitem pela sucussão às novas diluições mantendo-se esse padrão vibracional (terapêutico) mesmo na ausência de moléculas do remédio.


A ENERGIA SUTIL DAS FLORES

No antigo Egito já se conhecia que as flores possuem propriedades curativas e eram usadas em infusões e chás.

O criador dos florais foi Eduardo Bach, médico inglês que logo depois de sua formatura se deparou com a medicina homeopática de Hahnemann, que foi por ele assimilada à sua própria prática clínica. Usou a homeopatia como tratamento preventivo ou curativo dos efeitos de remédios químicos.

Aos 31 anos de idade, por causa de uma hemorragia, foi operado possivelmente de câncer no estômago. O prognóstico médico foi que ele não teria uma sobrevida maior do que três meses. Lutou com sucesso contra esse prognóstico e conseguiu recuperar a saúde. Posteriormente Bach afirmou "quando você tem uma doença incurável ou uma doença séria, se você tem um propósito de vida e força de vontade, você acaba vencendo a doença."

Depois da recuperação de sua saúde, Bach passou por uma transformação psíquica e espiritual e dedicando-se à pesquisar o poder curativo das ervas.

Observando o comportamento de seus pacientes no seu consultório em Londres, percebeu de forma clara as conseqüências de determinadas características psicológicas no organismo das pessoas. Viu de forma consistente o aparecimento de úlcera em pessoas ansiosas.

Em 1928, Bach deixou a clínica de Londres e foi morar no país de Gales, no campo. Baseando-se na concepção chinesa de que o orvalho contém energia, e que no caso das flores acontece uma secreção que poderia constituir o princípio curativo do orvalho. Bach chegou a estabelecer o processo de elaboração do remédio floral.

Para Bach o homem é constituído de corpo, alma e espírito. A alma anima o corpo, por isso perturbações psíquicas podem perturbar o corpo e ocasionar doenças nele.

Bach percebeu 39 "arquétipos de cura" para 39 estados de sofrimento. A determinação do remédio floral seria dada pela analogia entre características psicológicas do doente e as propriedades curativas da essência floral.

As essências florais tem qualidades energéticas que são usadas para livrar a pessoa de características negativas responsáveis pelas doenças: medo, indecisão, falta de interesse no presente, solidão, submissão, desespero e domínio.

A seguir apresentamos um exemplo da relação analógica entre essência floral e características psicológicas. Essência 'impatiens' tem analogia com pessoas irritadiças, impacientes, o rapidinho, que vai se batendo, se machucando, está sempre roxo. Ele não deixa as pessoas fazerem nada, porque elas são muito devagar. Como a essência 'impatiens' vai ajudar a pessoa impaciente: "é uma essência que trás a qualidade positiva. Quando você dá 'impatiens' para a pessoa 'impatiens', irritadiço, rapidinho, a grande maioria, no começo, reclama que tem sono." Com 'impatiens' a pessoa consegue se centrar mais e desacelerar o seu ritmo de vida.

Para chegar a conhecer a energia sutil da flor, é necessário primeiro detectar intuitivamente a energia sutil da planta, depois pesquisá-la botanicamente. "Seu crescimento, sua relação com os insetos (atrai ou repele), sua relação com outras plantas (próxima ou isolada), sua relação com o sol (escondida ou aberta).

(...) Bach começou sozinho, fez seu trabalho sozinho. Mas hoje as pesquisas não acabam. Há mais de 500 florais. Bach achou 38, que considerou sua missão cumprida".

Atualmente os florais têm diversas procedências, há florais de Minas Gerais, Itaúnas no Brasil, florais do deserto Arizona nos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália, da Argentina, do Havaí e do Alasca.

O poder energético das flores segundo o Gurudas citado por Gerber :

"Neste plano evolutivo, as flores foram e são a própria essência e a maior concentração de força vital contida numa planta. Elas são a experiência que remata o crescimento da planta. As flores são uma combinação de propriedades etéricas (da planta) e possuem o máximo de força vital, de modo que freqüentemente são usadas nas porções férteis do vegetal.

A verdadeira essência, naturalmente, é o padrão eletromagnético da forma da planta. Assim como há em várias plantas elementos que fazem parte do corpo físico, também existem numerosos parâmetros de energias biomagnéticas descarregadas pelas flores e por diversas outras partes das plantas. E a intensidade da força vital aumenta nas proximidades do local de florescimento...

As essências preparadas a partir de flores são meramente uma impressão etérica; nenhuma molécula da matéria física é transferida. Nesse trabalho, você lida exclusivamente com a vibração etérica da planta, com a sua inteligência. Ao iluminar a água, o sol mistura a ela a força vital da flor, a qual é transferida às pessoas quando elas assimilam essas essências vibracionais."


A ENERGIA ORGÔNICA DE REICH

Durante muitos séculos a ciência européia ficou alheia aos conceitos chineses de energia sutil Chi e suas manifestações Yin e Yang. Foi necessário o trabalho de George Soulié De Morant divulgando a medicina chinesa na Europa para que os conceitos chineses fossem aos poucos tendo aceitação.

Wilhelm Reich no início do século XX postulou a existência de uma energia cósmica muito semelhante à energia Chi dos chineses batizando-a de orgônica.

"Reich considerava que o conceito freudiano de "libido" expressava uma energia real que flui no organismo e é organizada segundo leis que se aplicam à estrutura de caráter do paciente, de acordo com uma economia tal que o sistema permite liberar ou conter montantes dessa energia. Reich postulou que os bloqueios de sensação ou sentimento aparecem desde o início da vida para serem evitadas punições ou atitudes de rejeição por parte dos pais contra a criança, sendo realmente constituídos por enrijecimentos musculares que regulam o fluxo das sensações e sentimentos.

Observou que existe um relacionamento entre a capacidade para fluir emocional e fisicamente e a descarga de sentimentos e sensações durante o ato sexual. As pessoas contidas por bloqueios são incapazes de uma descarga completa, quer dizer, são impossibilitadas de terem um orgasmo completo, mesmo que eventualmente atinjam uma liberação parcial. Estes conceitos promoveram a formalização da teoria do orgasmo e sua ligação a enfermidades e à saúde."

No início, Reich acreditava que esta energia, o orgônio, era específica aos organismos vivos, mas ulteriormente definiu-a como uma energia pré-atômica universal. Trabalhou então com os conceitos de energia e pôde desenvolver métodos físicos para desfazer os bloqueios e permitir à energia fluir através do corpo. Queria ser reconhecido como descobridor desta "energia pré-atômica universal" que denominou de orgônio, termo derivado das palavras organismo e orgasmo. De seu trabalho com a pessoa individual, ampliou os limites para englobar o meio ambiente e, depois, o cosmos. Elaborou métodos para controle e modificação do clima, e tentou compreender o funcionamento de corpos celestes em termos do conceito da energia orgônica.

Energia Orgônica:

"1) Sendo isenta de matéria, a energia orgônica em si não tem inércia nem peso. Observe-se que essa é uma das principais razões pelas quais é difícil medi-la através de técnicas convencionais.

2) Estando presente em toda parte, preenche todos os espaços, embora em graus ou concentrações diferentes. Está presente até mesmo nos vácuos.

Pesquisas subseqüentes permitiram a descoberta daquilo que denominou "bíons" - unidades básicas de energia vital - e a configuração de um novo campo de estudo; a biofísica e a energia (vital) orgônica.

Reich começou em Nova York a realizar experimentos para testar a eficácia do orgônio em casos de câncer, valendo-se de vários tipos de acumuladores de energia orgônica. As tentativas de fazer com que Albert Einstein validasse a existência dessa nova energia, efetuadas em dezembro de 1940, terminaram em poucos meses num desanimador fracasso. Só que depois Einstein, na ausência de Reich em 1941, fez um experimento básico para mostrar o efeito do aumento de temperatura na caixa chamada acumulador de orgônio (encontrou diferença de temperatura de 1- 2 oC) e admitiu ter constatado o efeito, embora tivesse dito que era possível explicá-lo em termos da transmissão de calor."

A conceituação de orgone isenta de matéria, sem inércia nem peso contradiz o achado da Teoria da Relatividade de Einstein que afirma a equivalência de massa e energia, assim como também contradiz o achado de Max Planck que postula que a menor quantidade de energia é uma quantidade de ação, portanto trabalho, constante h de Planck.

"mais recentemente, no entanto, uma diversidade de pesquisadores científicos, que trabalham independentemente em campos tão distintos quanto os da biologia, medicina, parapsicologia e biofísica, conseguiram obter evidências a respeito de energias dotadas de características surpreendentemente semelhantes, à primeira vista, com as que supostamente configuram o orgônio. Na América, estão entre esses cientistas o antigo biólogo de Yale, Harold S. Burr, L. Travitz e colaboradores, pertencentes aos quadros da William and Mary Universities, que, aparentemente, estabeleceram a existência de campos de força energéticos em torno de plantas, animais e organismos humanos.

A energia orgônica, segundo a concepção que dela fez Reich, está presente na atmosfera, relaciona-se ao sol, penetra em todos os espaços como o "éter" é absorvida por todos os organismos e é a responsável pelo movimento - de contração e expansão - de todos os seres vivos. Flui através dos organismos, cria um campo em torno deles e pode ser transmitida de um organismo para o outro (entre seres humanos pela imposição das mãos, por exemplo).

Governa o organismo total e se expressa nas emoções assim como em movimentos estritamente biofísicos. No orgasmo sexual, acontece uma grande descarga de orgônio, cuja função biológica é a de resgatar o equilíbrio energético do organismo. Se o fluxo de orgônio é antinaturalmente detido no seio de um organismo (por exemplo, pelo processo de formação da couraça de caráter), aparecerão as enfermidades. Crê-se que o orgônio tem uma poderosa afinidade com a água. Mantém unidos os elementos úmidos das nuvens. É o elo básico entre a matéria orgânica e a inorgânica.

Raknes: "uma vida sexual saudável depende de uma completa descarga convulsiva da energia sexual no encontro sexual com um parceiro amado (...) ao lado de uma momentânea perda da consciência. A capacidade para essa experiência foi por Reich denominada potência orgástica" (Raknes, p. 23)

"A função da tensão e da carga é característica não só do orgasmo. Aplica-se a todas as funções do sistema autônomo de vida. O coração, os intestinos, a bexiga urinária, os pulmões, todas as funções são concordes a esse ritmo (...) Essa fórmula biológica básica abrange a essência do funcionamento vivo. A fórmula do orgasmo apresenta-se como a fórmula (básica) da vida enquanto tal. (Gallert, pp 61-62)" .

O Reich fez experiências que o levaram a propor o "bíon", vesículas de energia e, em sua tendência a se organizarem em células como os protozoários, viu a demonstração da origem da própria vida. Os bíons SAPA (derivados de areia da praia que formavam bolsas de vesículas com grande poder de refração da luz e de cor azul) apresentaram poder de matar ou paralisar células cancerosas. Estes bíons SAPA emitiam radiação orgônica que ocasionava aos pesquisadores que olhavam pelo microscópio irritação nos olhos e conjuntivite das pálpebras, numa extensão muito maior do que a que acontecia com o uso do microscópio para a observação de outros objetos, durante um tempo igual. "(...) esse foi o primeiro efeito registrado, um outro efeito registrado dessa radiação foi quando colocaram as culturas de bíons SAPA numa lâmina de vidro apoiada na palma da mão, produziam descoloração da pele e, depois de aplicações repetidas, um problema inflamatório e doloroso era desencadeado na palma da mão.

O ar da sala onde as culturas estavam guardadas tornava-se extremamente "pesado" e as pessoas que ali permaneciam tinham dor de cabeça, se as janelas ficassem fechadas apenas uma hora que fosse (Gallert, p 63)"

O CASO EINSTEIN

Em 1941, Reich decidiu contatar Einstein com o propósito de obter dele a comprovação científica da existência de uma energia nova. Depois do contato inicial que durou cinco horas e de uma longa correspondência entre os dois, Reich ficou muito frustrado porque Einstein apesar de ter constatado o aumento de 1oC na temperatura no acumulador de Orgone, não chegou a endossar a teoria de Reich, dizendo que o aumento da temperatura seria explicado pela convecção de calor.

No acumulador de orgones, só se constatou aumento de temperatura quando se colocou uma placa metálica como forro interno dele. Mesmo tendo Reich enviado novos dados que comprovariam que o aumento de temperatura no acumulador não era devido à convecção de calor, Einstein não respondeu mais às suas cartas, demonstrando assim total indiferença pelo assunto.

Reich define o orgônio como uma energia presente em todas as coisas vivas e até na atmosfera e no solo. Não posso deixar de colocar após esta afirmação de Reich que qualquer alquimista da antigüidade diria que Reich estava falando da pedra filosofal só que ele a batizou com outro nome, orgônio, energia esta que pode ser observada com um aparelho especial, orgonoscópio; eletricamente mensurável e os aumentos de temperatura que produz no acumulador de orgônio podem ser medidas com termômetros; a radiação visível dos orgônios é de cor azul-acinzentada e pode ser percebida na atmosfera. Aliás, a previsão de Reich de que a atmosfera terrestre fica de cor azul pela presença de orgônios foi confirmada anos depois pela exclamação de Iuri Gagarin: "A Terra é azul!" (claro que ele falou em Russo).

Nas palavras de Reich: "todas as coisas vivas inspiravam e exalavam essa energia na atmosfera; que a mesma era transportada pelos eritrócitos do pulmão, para todas as partes do corpo humano, e que era também provavelmente o elemento responsável pela constante produção de calor corporal (Mann)" para Reich a origem do orgônio é solar e que essa energia estava relacionada a variações no magnetismo da terra.

Experimentando para perceber se haveria relação entre o crescimento de protozoários e a energia orgônica colocou protozoários dentro e acima do acumulador de orgônios. Constatou que "dentro do acumulador desenvolviam-se (cresciam) num ritmo mais lento que os do grupo-controle, mas que, quando colocados acima do acumulador, seu desenvolvimento era acelerado além do normal.

Valendo-se dessas pesquisas como pontos de partida, passou a estudar ratos com tumores malignos espontâneos. Começou com duzentos ratos cancerosos que passavam meia hora por dia num acumulador. Em comparação com o grupo-controle "não-tratado", os ratos que passaram pela irradiação tiveram um tempo de vida muito maior (em média 9,3 meses) que os dos ratos-controle.(Mann)" O resultado dos experimentos com ratos foram comunicados a Einstein, porém ele não deu resposta.

"Vários experimentadores, no dizer de Reich, indicam que o orgônio pode aparecer como vapores cinza-azulados, ou pontos azul-violáceos que flutuam lentamente e formam alças a intervalos regulares e (...) raios rápidos de amarelo puro"

Para Reich os gregos antigos quando friccionavam couro e vidro descobriram o orgônio e essa energia descoberta na antigüidade difere fundamentalmente da eletricidade de Faraday, Volta, Coulomb, Ampère e outros. Conclui que o conceito de eletricidade por fricção (estática) deveria ser modificado para o de excitação orgonótica.

Com base em experimentos, Reich argumenta que a eletricidade estática e o orgônio não são bipolares, cada uma dessas energias apresenta duas funções: atração e repulsa.

Considero muito importante abrir um espaço para um relato de Ola Raknes que teve a possibilidade de testemunhar em diversas ocasiões o trabalho de Reich.

"Reich retomou o conceito de Freud sobre os distúrbios ocasionados pela energia obstruída no organismo. Primeiramente, sem uma idéia clara sobre a natureza dessa energia, procurava descobrir como ela funcionava nos organismos que reconhecia como sadios e nos organismos que reconhecia como não-sadios, tanto de mulheres como de homens. Descobriu, assim, que a diferença fundamental entre gente mentalmente sadia - vale dizer, entre o caráter neurótico e o caráter genital, como definiu posteriormente - deveria ser procurada na sua capacidade, ou incapacidade, de conseguir a descarga orgástica durante a relação amorosa.

Esse fato o induziu a indagar, da maneira mais exata possível, sobre o que acontecia durante a relação sexual orgástica, e assim descobriu a fórmula do orgasmo: tensão > carga > descarga > relaxamento. Um estudo sucessivo demonstrou que essa fórmula não era outra coisa senão um caso particular dos movimentos pulsantes que caracterizam todos os organismos vivos e os diferenciam da matéria inanimada. Experimentações e observações sobre os movimentos pulsantes lhe fizeram descobrir a biogênese, isto é, a transição nos biônios da matéria inanimada para a matéria viva."

"Reich foi atraído pelo fato de que os movimentos orgásticos do corpo humano tinham uma imensa semelhança ou podiam até mesmo ser idênticos àqueles dos protozoários observados no microscópio. Isso o levou a se perguntar se a função do orgasmo era comum a toda a matéria viva, e se a sua fórmula podia ser a fórmula geral do funcionamento da vida. Como sempre em suas pesquisas, Reich fez observações e experimentos para confirmar ou rejeitar essa idéia. Se a fórmula do orgasmo era a fórmula da vida, essa fórmula podia também desvendar o problema da biogênese, que havia ocupado a mente de Reich desde os primeiros tempos de seus estudos.

Ele havia lido e ouvido da parte de biólogos e filósofos que a biogênese deveria ser algum tipo de transição da matéria inanimada àquela viva, não obstante fossem incapazes de demonstrá-lo. A maior parte dos biólogos, de qualquer modo, acreditava que Pasteur havia demonstrado definitivamente que a vida podia ter surgido apenas de algum outro organismo vivo, nunca da matéria inanimada.

Reich, então, empreendeu duas séries de experimentos, ambos com o objetivo de modificar a matéria não viva em uma matéria tal que, com um processo espontâneo, se produzisse uma quádrupla fase rítmica: tensão > carga > descarga > relaxamento, como no organismo."

"Durante as pesquisas sobre energia orgônica, Reich havia verificado diferentes fenômenos que podiam indicar uma espécie de antagonismo entre a energia orgônica e a radioatividade. Pensou, então, que seria possível usar o orgônio como defesa contra a radioatividade. No outono de 1950 preparou um grande experimento para uma averiguação mais acurada sobre o antagonismo que havia observado. Obteve alguns isótopos radioativos e os colocou dentro do acumulador de orgônio. Esperava-se que o orgônio enfraquecesse ou reduzisse a radioatividade, mas produziu-se alguma coisa completamente diferente: a radioatividade "escorvou", "excitou" ou "estimulou" o orgônio para uma atividade tão intensa, que todos aqueles que tomaram parte no experimento adoeceram, não obstante houvessem observado atentamente as medidas de precaução prescritas pela Comissão para a Energia Atômica.

O edifício onde foi realizado o experimento e toda a propriedade que o cercava ficaram, por diversos anos, tão sobrecarregados de energia orgônica radioativa que se tornou impossível viver ali: Diversos colaboradores de Reich, amedrontados, abandonaram qualquer pesquisa posterior. Apesar de tudo isso, o experimento - que Reich chamou o Experimento Oranur - deu resultados válidos e importantes, já que esclareceu muitos aspectos da atividade orgônica que anteriormente não haviam sido notados ou compreendidos. Muitas das sucessivas pesquisas efetuadas por Reich fundaram-se sobre os resultados do Experimento Oranur.

Antes do experimento Oranur, Reich já havia formulado a hipótese de que o fenômeno da formação dos furacões e dos tornados e o fenômeno da formação das galáxias, mesmo que diferentes, poderiam ambos dever-se ao encontro e à confluência de duas correntes orgônicas, as quais teriam então se sobreposto uma à outra e assim teriam criado alguma coisa nova. Não só esses dois fenômenos, mas toda uma série de outro fenômenos, grandes e pequenos, podiam dever-se a acontecimentos semelhantes.

No verão de 1950 aconteceu de eu estar presente quando Reich, pela primeira vez, formulou a hipótese de uma sobreposição cósmica em uma conferência de um congresso de orgonomistas. Nunca na minha vida havia visto um auditório - e este era composto por médicos, psicólogos, biólogos e físicos - tão excitado por uma conferência. Esta foi rica em novas idéias, em novos pontos de vista e perspectivas tão amplas como nenhuma outra conferência a que eu tivesse assistido.

Anteriormente ao Experimento Oranur, Reich havia observado que a energia orgônica podia variar de forma e função segundo as circunstâncias. O invólucro orgônico da terra, o orgônio atmosférico - o qual podia ser visto e do qual se podia mostrar o contínuo movimento em uma velocidade consideravelmente mais elevada que aquela da rotação terrestre, mesmo que inconstante, de oeste para leste -, foi comparado por Reich a um oceano de correntes energéticas.

Nesse oceano de energia os sistemas orgônicos pré-formados, tais como os organismos vivos, as outras formas de energia, como a eletricidade ou a radioatividade, podiam provocar concentrações, que Reich comparou às ondas quando sobem sobre suas cristas e depois recaem no oceano. Já mencionamos o potencial orgônico, e especificamente a lei pela qual um sistema orgônico altamente carregado absorve energia de um sistema de carga mais baixa. Reich descobriu que quando a carga orgônica atingiu um certo nível, o sistema orgônico descarregará a própria energia até que atinja o nível energético que o circunda - vale dizer que os sistemas orgônicos estão sujeitos também ao potencial mecânico, no qual a carga procede de alto para baixo. Em outras palavras, cada sistema orgônico está sujeito a um metabolismo energético, carga > descarga > carga > descarga, e assim por diante.

Esse metabolismo é comum a todos os sistemas orgônicos vivos e não-vivos; a diferença consiste no fato de que no sistema vivo a carga-descarga está coligada à tensão-relaxamento, de forma que obtemos a fórmula da vida: tensão > carga > descarga > relaxamento, descoberta pela primeira vez durante o orgasmo humano.

Já relatei, como, depois do experimento Oranur, a atmosfera dentro e em volta do Orgonon ficou tão carregada de energia radioativa que por muito tempo as pessoas não podiam viver ali. A radiação nuclear pareceu não só ter aumentado a carga orgônica, como, de qualquer modo, parece ter transformado a energia orgônica. Em uma concentração normal, a energia orgônica será sentida como estimulante e reavivante, e o mesmo é verdade para concentrações de alguma forma mais elevadas, como nos acumuladores orgônicos e aparelhamentos do tipo, quando, por exemplo, o organismo se expõe a ela, mesmo que apenas por um breve tempo.

Mas a atmosfera em Orgonon e à sua volta era opressiva e quase sufocante, e a sua cor azul, que normalmente se pode observar olhando para o céu ou em direção às montanhas distantes, transformava-se em um negro tenebroso, mal e mal transparentes. Reich chamou a essa variante do orgônio de DOR (isto é, deadly orgone; vale dizer, "orgônio letal") e procurou descobrir-lhe as propriedades, como se manifestava, qual papel desempenhava e como poderia ser contra-atacada e removida. Pensando que o DOR, assim como o orgônio, podia estar sujeito ao potencial orgônico (carga baixa > carga alta), e tendo observado que os tubos metálicos agiam como potentes concentradores orgônicos, ele tentou remover as "nuvens" de DOR em torno do Orgonon por meio de tais tubos.

Construiu, então, um equipamento que consistia de um certo número de tubos metálicos que, com um sistema telescópico, podiam ser alongados ou encurtados. Esses tubos foram fixados a um suporte de modo que pudessem ser girados para qualquer direção, tanto horizontal quanto verticalmente. As partes terminais superiores tinham coberturas e assim podiam ser fechadas ou abertas quando se desejava. As partes terminais inferiores eram coligadas a longas tubulações flexíveis que penetravam na água ou na terra úmida, para que a água ou a umidade - que atraem a energia orgônica - pudessem absorver o orgônio através da tubulação. Reich chamou a esse equipamento de cloudbuster (sugador de nuvens). Através dele conseguiu até certo ponto aliviar a opressão de DOR em Orgonon."

Sobre Reich e seu trabalho pioneiro poderia continuar durante muito tempo a trazer comentários, críticas e até comprovações de sua teoria do orgônio. Só que como este ensaio é sobre energia preciso limitar-me a apresentar os conceitos mais importantes sem querer entrar em uma apresentação exaustiva das diversas teorias.


BIOENERGIA

Outro pesquisador da energia, Alexander Lowen, continuou o trabalho de Reich seguindo um caminho pessoal embora o nome que deu à sua linha teórica retome o bíon reichiano, a energia de vida.

Alexander Lowen foi o criador da bioenergética, a qual constituiu uma nova maneira de encarar a relação entre mente e corpo.

"A bioenergética é também uma técnica terapêutica que ajuda o indivíduo a reencontrar-se com o seu corpo, e a tirar o mais alto grau de proveito possível da vida que há nele. Ela é uma aventura de autodescoberta. Difere de formas similares de exploração da natureza do ser por tentar e perseguir o objetivo de compreender a personalidade humana em termos de corpo humano. Segundo Lowen, os processos energéticos do corpo determinam o que acontece na mente, da mesma forma que determinam o que acontece no corpo"

A busca pessoal que levou Lowen até a bioenergética seguramente não teria tido final feliz se ele não tivesse tido a formação terapêutica com Wilhelm Reich. Foi com Reich que ele assimilou a teoria da análise do caráter e aprendeu a técnica terapêutica de Reich durante seu processo de terapia com ele.

Desde a mocidade Lowen teve uma inclinação muito grande para exercícios físicos que lhe ocasionavam um extraordinário bem estar. Essa motivação para o trabalho corporal chegou a sistematizar-se quando foi discípulo de Reich "Durante os anos trinta fui diretor de esportes em diversos acampamentos de verão e descobri que um programa regular de atividades físicas não só melhorou minha saúde, como também teve resultados positivos em meu estado mental". Teve contato com a Eurritmia de Emile Jacques-Dalcroze e com o relaxamento progressivo de Jacobson e Ioga Hindu.

Discípulo de Reich desde que o conheceu em Nova York em 1940 até 1952. Neste período de tempo realizou sua análise com Reich durante três anos.

Para Reich a energia sexual era a energia. Já Lowen não dá toda ênfase para a energia sexual, afirmando que "Um indivíduo neurótico mantém um equilíbrio ao reter sua energia em tensões musculares e ao limitar sua excitação sexual. Um indivíduo saudável não possui limites, e sua energia não fica confinada na couraça muscular. Toda sua energia está conseqüentemente disponível para o prazer sexual ou para qualquer outro tipo de expressão criativa".

Durante o curso que Lowen fez com Reich sentiu um grande ceticismo em relação aos seus pressupostos por causa da "aparente supervalorização do papel do sexo nos problemas emocionais", no entanto no decorrer da segunda metade do curso, depois de ter começado a ler os ensaios de Freud sobre a sexualidade infantil, conseguiu perceber a validade das afirmações de Reich, ao entender o que Freud colocava, em estreita relação com a sua própria sexualidade infantil.

Em 1942 Lowen começou a fazer terapia com Reich e em paralelo participava das atividades científicas no laboratório:

"Iniciei minha terapia pessoal com Reich na primavera de 1942. Durante o ano anterior, fui freqüentador assíduo do laboratório de Reich. Ele mostrou-me alguns dos trabalhos que estava desenvolvendo com biopreparados e tecidos cancerosos. Um dia, então, ele me disse: "Lowen, se você está interessado neste trabalho, só existe uma forma de se introduzir nele, que é através da terapia". Essa afirmação me surpreendeu, pois eu não esperava por isso. E lhe disse: "Eu estou interessado, mas quero me tornar famoso". Reich levou a sério essa minha ressalva, tendo respondido: "Eu o farei famoso". Por todos esses anos, tive a afirmação de Reich como uma profecia. Era o impulso de que eu precisava para superar minha resistência e iniciar o trabalho para o qual consagrei toda a minha vida.

Minha primeira sessão de terapia com Reich foi uma experiência da qual jamais me esquecerei. Cheguei com a ingênua suposição de que não havia nada de errado comigo. Deveria apenas ser uma análise didática. Deitei-me na cama e estava usando um calção de banho. Reich não utilizou o divã, pois essa era uma terapia orientada para o corpo. Eu deveria dobrar os joelhos, relaxar, respirar com a boca aberta e o maxilar relaxado. Segui tais instruções e aguardei para ver o que acontecia. Depois de algum tempo, Reich disse: "Lowen, você não está respirando". Respondi: "É claro que estou, do contrário estaria morto". Ele então respondeu: "Seu tórax não se move. Sinta o meu". Coloquei minha mão sobre o seu tórax e senti que subia e descia com cada respiração. Eu certamente não estava respirando do mesmo modo.

Deitei novamente e voltei a respirar, desta vez cuidando que meu tórax se enchesse com a inspiração e se esvaziasse com a expiração. Nada aconteceu. Minha respiração continuou fácil e forte. Depois de alguns instantes, Reich disse: "Lowen, jogue sua cabeça para trás e abra bem os olhos". Fiz o que me foi pedido e... um grito irrompeu da minha garganta.

Era um dia bonito de início da primavera e as janelas do quarto se abriam em direção à rua. Para evitar qualquer embaraço com os vizinhos, o Dr. Reich me pediu que levantasse a cabeça, o que deteve o grito. Voltei a respirar profundamente. Pode parecer estranho, mas o grito não me incomodou. Eu não estava ligado a ele emocionalmente. Não senti medo. Depois que respirei por mais algum tempo, o Dr. Reich me pediu que repetisse o procedimento: jogar a cabeça para trás e abrir bem os olhos. Mais uma vez me veio um grito. Hesito em dizer que gritei, pois não me pareceu tê-lo feito. Simplesmente me aconteceu. Novamente não havia sentido contato com o som. Deixei a sessão com a impressão de que eu não estava tão bem quanto imaginara. Existiam coisas (imagens, emoções) na minha personalidade que não eram conscientes e então compreendi que elas haveriam de vir à tona"

Em seu livro "A função do orgasmo", Reich relata um atendimento que foi fundamental para a confirmação de seus pressupostos:

"Em Copenhague, no ano de 1933, tratei de um homem que opunha uma resistência especial ao desmascaramento de suas fantasias homossexuais passivas. Essa resistência se manifestava numa atitude extrema de tensão do pescoço ('pescoço-duro'). Após um ataque energético contra sua resistência, finalmente ele cedeu, mas de forma bastante alarmante. A cor de seu rosto mudava rapidamente do branco para o amarelo ou para o azul; sua pele estava manchada de várias cores; tinha fortes dores no pescoço e no occipital; teve diarréia, sentiu-se abatido e parecia ter perdido o equilíbrio"

Lowen mais tarde, refletindo sobre esse caso atendido por Reich, percebeu que: "O 'ataque energético' foi apenas verbal, mas foi direto à atitude de 'pescoço-duro' do paciente. Os sentimentos manifestaram-se somaticamente após o paciente ter abandonado uma atitude de defesa psíquica. Nesse ponto, Reich chegou a conclusão de que a "energia poderia ser contida por tensões musculares crônicas"

O estudo da atitude dos corpos de seus pacientes levou Reich a dizer que "não existe um indivíduo neurótico que não apresente tensão abdominal".

A seguir "Notou uma tendência comum a todos os seus pacientes de reter a respiração e inibir a exalação, correspondendo a um controle de seus sentimentos e sensações. Concluiu que o fato de reter a respiração serviu para diminuir a energia do organismo ao reduzir suas atividades metabólicas, o que, por sua vez, reduzia a formação da ansiedade. (...) Para Reich, então, o primeiro passo no procedimento terapêutico era conseguir com que o paciente respirasse mais fácil e profundamente. O segundo seria mobilizar qualquer expressão emocional que fosse mais evidente na face ou no comportamento do paciente."

Nas sessões subseqüentes, Reich continuou a sugerir a Lowen que se deitasse e respirasse o mais livremente possível, tentando permitir que ocorresse uma profunda expiração, e que se entregasse a seu corpo, não controlando qualquer expressão ou impulso que surgisse.

"Aconteceu uma série de coisas que gradualmente me puseram em contato com antigas recordações e experiências. De início, a respiração mais profunda a qual eu não estava acostumado, produziu em minhas mãos sensações fortes de formigamento que, em duas ocasiões, se transformaram num espasmo carpopedal, com uma forte câimbra nas mãos. Essa reação desapareceu na medida em que meu corpo se acostumou com o aumento de energia provocado pela respiração profunda. Houve um ligeiro tremor em meus lábios e em minhas pernas quando movi ligeiramente meus joelhos juntos ou isoladamente, ao ter seguido um impulso de esticar minha boca".

Durante uma sessão Lowen sentiu impulso de socar a cama em que estava deitado, vendo no lençol o rosto de seu pai que tinha lhe dado uma forte surra quando era garotinho. Percebeu então que estava esmurrando o pai e não a cama. Lowen relata várias experiências de infância, sendo a de emoção mais intensa o carão que levou da mãe por estar chorando demais quando tinha nove meses. Percebeu que o rosto que tinha visto quando gritou no início da terapia, era o rosto de sua mãe.

Depois desse fato a terapia entrou numa fase de pouco progresso, até que Reich falou para ele: "Lowen, você é incapaz de se dar a seus sentimentos. Por que você não desiste?".

Esse questionamento de Reich foi um choque terrível para Lowen que viu ruir por terra todo o seu projeto com Reich. As palavras de Reich fizeram Lowen cair e chorar com soluços como não tinha feito a muitos anos. Depois que se entregou a seus próprios sentimentos, foi possível continuar a terapia.

"Para Reich, o objetivo do tratamento era o desenvolvimento no paciente de sua capacidade de se entregar totalmente aos movimentos espontâneos e involuntários do corpo, os quais fazem parte do processo respiratório. Conseqüentemente, a ênfase recaía em deixar que a respiração se processasse o mais plena e profundamente possível. Se isso fosse feito, as ondas respiratórias produziriam um movimento de ondulação do corpo chamado, por Reich, de reflexo do orgasmo" .

Reich considera que as pessoas neuróticas não tem capacidade de ter orgasmo, sendo esse clímax condição para uma saúde emocional normal. "O orgasmo pleno, segundo Reich, descarrega todo o excesso de energia do organismo, não restando, portanto, nenhuma energia para suportar ou manter um sintoma ou comportamento neurótico". O orgasmo para Reich "representava uma reação involuntária do corpo como um todo, manifestada em movimentos rítmicos e convulsivos".

A respiração profunda durante as sessões podem determinar em certos indivíduos o que Reich chamou de reflexo do orgasmo. "Nesse caso, não existe clímax ou descarga de excitação sexual desde que não houve o acúmulo desse tipo de excitação, o que acontece é que a pelve se move espontaneamente para frente a cada expiração e para trás a cada inspiração. Esses movimentos são produzidos pela onda respiratória conforme for circulando para cima e para baixo, movida pela inspiração e pela expiração. Ao mesmo tempo, a cabeça executa movimentos similares aos da pelve com a diferença de que se move para trás na fase expiratória e para frente na fase de inspiração. Teoricamente, o paciente cujo corpo está suficientemente livre para ter esse tipo de reflexo durante a sessão de terapia também estaria capacitado a experimentar o orgasmo total no ato sexual. Tal paciente deve ser considerado emocionalmente saudável".

Depois de um ano de férias da terapia, Lowen a retomou em 1945. Nessa fase Lowen atendeu seu primeiro cliente em terapia reichiana. Apesar de Reich ter considerado a terapia de Lowen bem sucedida, anos mais tarde ele percebeu que permaneceram sem solução muitos dos principais problemas de sua personalidade. Os problemas não resolvidos com Reich, afirma Lowen tê-los superado anos mais tarde com a bioenergética.

"Em Setembro de 1947, deixei Nova York e fui com minha esposa para a universidade de Genebra, a fim de fazer o curso de medicina, de onde saí formado em junho de 1951, com o título de Dr. em Medicina (M.D.)"

A terapia reichiana foi modificada no sentido de que o terapeuta tivesse contato corporal com o paciente para que esse contato permitisse o relaxamento dos músculos trabalhados. Lowen relata que no caso dele, Reich trabalhou os músculos do maxilar.

Preciso acrescentar que "os terapeutas da bioenergética são treinados para utilizar suas mãos no intuito de palpar e de sentir espasmos ou bloqueios musculares; para aplicar a pressão necessária ao relaxamento ou à redução da tensão muscular, atentando para a tolerância do paciente à dor; para estabelecer contato através de um toque suave e tranqüilizador, que forneça apoio e calor. Hoje em dia é difícil compreender a amplitude do passo dado por Reich em 1943."

Depois de anos relutando Lowen chegou à conclusão "de que não existe apenas uma saída que desvenda todos os mistérios da condição humana". Chegou a perceber que se pensasse mais em termos de polaridades e de seus inevitáveis conflitos e soluções temporárias poderia compreender melhor seu cliente. "Uma visão da personalidade que vê o sexo como única chave para a personalidade é por demais restrita, mas ignorar o papel do sexo na determinação da personalidade do indivíduo é desprezar uma das mais importantes forças da natureza".

Para Lowen a felicidade é a consciência do crescimento. A terapia pode ajudar a crescer mediante "novas experiências e ajudando a remover ou reduzir os bloqueios e obstáculos à assimilação das experiências".

O GROUNDING - "Este conceito desenvolveu-se vagarosamente através dos anos, na medida em que se tornou evidente que todos os pacientes sentiam a falta de ter seus pés firmemente plantados no chão". Isso acontecia por estar fora de contato com a realidade. "Grounding, ou seja, fazer com que o paciente tenha contato com a realidade, com o solo onde pisa, com seu corpo e sua sexualidade, tornou-se uma das pedras fundamentais da bioenergética".

Lowen fez "um estudo intensivo sobre tipos de caráter, relacionando as dinâmicas físicas e psicológicas dos padrões do comportamento". Isso tudo serviu de base para o trabalho sobre o caráter feito na bioenergética.

A bioenergética tem como objetivo ajudar o indivíduo a abrir o seu coração para a vida e para o amor.


A ENERGIA SUTIL NA CALATONIA DE PETHÖ SANDOR

A calatonia é constituída basicamente por um conjunto de estímulos táteis, o terapeuta vai estimular com seus dedos os dedos dos pés, a sola dos pés e pontos nas pernas do paciente, finalizando na nuca.

Os toques do terapeuta constituem estímulos de energia sutil que passa para esses pontos do paciente. Esses pontos tocados tem uma ressonância energética sutil com áreas do sistema nervoso central e com glândulas de secreção interna. Se compreendermos desta maneira a calatonia, ela se alinha dentro da técnica Shiatsu dos orientais.

A calatonia ficou durante muitos anos sem ter sua descrição completa publicada, porque seu criador, Pethö Sandor, considerava que o aprendizado deveria começar pela vivência do método.

"No original grego o verbo Khalaó indica 'relaxação', e também 'alimentação', 'afastar-se do estado de ira, fúria, violência', 'abrir uma porta', 'desatar as amarras de um odre', 'deixar ir', 'perdoar aos pais', 'retirar todos os véus', etc.

(...) Assim, ainda conforme o próprio autor, a expressão calatonia indica uma condição de descontração, soltura, porém não apenas do ponto de vista do tônus muscular: em seu sentido mais amplo, refere-se também àquelas possibilidades de reorganização de tensões internas, cuja origem, o termo nos sugere analogicamente. "

Atualmente, segundo a professora Rosa Maria Farah, a calatonia é uma forma de intervenção terapêutica cuja extensão vai muito além das duas seqüências iniciais já citadas.

A ação do terapeuta na calatonia é de diluir as tensões acumuladas nos grupos musculares que manipula.

"Como sabemos, do ponto de vista fisiológico, o estímulo tátil é potencialmente capaz de eliciar uma variada gama de respostas. (...) O ato de lamber o filhote recém-nascido, presente nos mamíferos, demonstrou-se como fundamental para a sobrevivência do mesmo: muito mais do que 'lavar' o filhote, a fêmea fornece, assim, uma estimulação essencial para o desenvolvimento normal de sua prole. Observou-se, em cães e gatos privados das lambidas da fêmea, falhas severas do funcionamento do sistema geniturinário. A reversão deste processo foi obtida com carícias propiciadas aos animais pelas pessoas que os cuidavam".

No ser humano, o contato do bebê com sua mãe é fundamental para o desenvolvimento saudável, tanto físico como psicológico, a privação materna nos primeiros seis meses de vida do bebê pode levar à chamada depressão anacrítica descrita por Spitz.

O efeito terapêutico da calatonia tem pelo menos duas causas:

1- o toque sutil estimula ramificações nervosas a nível da pele, que levam esses estímulos à zonas neuronais nas quais se produzem endorfinas, substâncias que produzem um efeito psicológico de otimismo e jovialidade.

2- Todo ser humano tem um corpo etérico, uma envoltura eletromagnética que se concentra de forma mais intensa nos meridianos e pontos de acupuntura.

A energia que corre pelos meridianos e pontos de acupuntura, é a energia chi (energia universal) que assimilada é integrada ao corpo físico à nível da pele.

Pelo caráter eletromagnético do corpo etérico, quando duas pessoas tem contato sutil há uma interação entre as energias eletromagnéticas dos corpos etéricos, essa interação fluirá do corpo etérico com mais energia para aquele que tem menor, quando os toques se fazem em pontos da pele que tem ressonância com áreas cerebrais, essas áreas serão estimuladas pelo toque sutil.

A CALATONIA COMO RECURSO TERAPÊUTICO

Além dos efeitos bioenergéticos, ocasionados pela interação entre dois corpos etéricos e a ressonância do sistema nervoso central e nas glândulas de secreção interna do paciente, a calatonia também tem o efeito de mobilizar conteúdos psíquicos em nível consciente e inconsciente. É bastante freqüente que os pacientes tenham vivências relacionadas com situações traumáticas de suas vidas, e em alguns casos aparecem imagens coloridas que plasmadas com papel e guache, mostram uma criatividade artística não manifesta até então. Tanto as vivências traumáticas quanto as vivências artísticas, constituem ponto de partida para um enriquecimento do processo terapêutico.

Para o leitor que quiser aprofundar seu conhecimento sobre a calatonia, recomendamos o livro da psicoterapeuta e professora Rosa Maria Farah que consta na bibliografia.


A ENERGIA NA TEORIA DA RELATIVIDADE

Como podemos perceber, os campos de energia são múltiplos e nos afetam de forma variada. Será que nós poderemos chegar a um conceito geral de energia que possa integrar suas múltiplas variações?

Para tentar responder a esta pergunta examinaremos a equação de Einstein E = m c² (energia igual ao produto da massa pela velocidade ao quadrado da luz). Nesta equação podemos perceber que a diferença entre energia e massa é apenas uma diferença de velocidade, vibração ou freqüência. Se a energia perde muitíssima velocidade ela se transforma em massa, e se uma massa é altamente acelerada ela se transforma em energia. Entendemos como conseqüência desta equação que existe uma equivalência entre massa e energia.

Desde um ponto de vista filosófico esta equação acaba com o conceito de substância, "aquilo que existe em si e por si sub especie eternitatis"; a massa não pode ser considerada como sempre igual a si mesma porque a interação com as energias que a circundam vai transformá-la; uma imagem banal, uma lata vazia de refrigerante parece sólida mas é só deixá-la ao relento para verificar como em poucos dias ela se enferruja iniciando um processo de transformação. O problema de nosso pensamento é que nós fabricamos conceitos lógicos, racionais que tem a pretensão de se manterem iguais "sub especie eternitatis", o conceito da lata de refrigerante seria de uma lata que nunca se enferruja e portanto é imutável, bem diferente da lata real! Mas assim como em nosso mundo próximo e num universo distante tudo se transforma, tudo é processo assim também esses conceitos racionais estão sujeitos a grandes modificações.

No século XIX os conceitos de espaço e tempo de acordo com Newton eram absolutos, relacionando estes conceitos absolutos com qualidades divinas; já no século XX Albert Einstein demonstra que o espaço depende das massas, que o peso é uma relação entre massas e que o tempo é modificado pela velocidade, chegamos assim a uma formulação relativista mas que na verdade deveria ser chamada relacionista. O termo relatividade deve ter surgido como oposição aos conceitos absolutos da física do século XIX, no entanto o que nós entendemos dessa nova maneira de abordar a física é que não há "fenômenos em si" os fatos que acontecem no universo, estão sempre relacionados uns com os outros.

A equação de Einstein nos induz a separar energia de massa e movimento, seguramente por imposição de nossa mentalidade racional; mas pode-se ler essa equação como uma permanente transformação de massa e energia devidas ao movimento em que sempre haveria uma massa por menor que fosse e que a massa por mais "sólida" que fosse não deixaria de transformar-se em energia. A físico química nos mostra como o gradual aumento de massa dos elementos químicos conhecidos leva ao ponto em que "naturalmente" eles começam a emitir energia radiante e a diminuir de massa em processos extremamente lentos.


ENERGIA QUÂNTICA

A equação de Max Planck dá um grande apoio ao que falamos anteriormente quando entendemos a equação de Einstein como um processo de transformação.

O fundamento da teoria dos quanta (quantidades de ação) é a equação E = h.f onde E é energia, h a constante de Planck quantum de energia) e f a freqüência.

A constante h é a menor quantidade de energia que segundo Planck pode existir; ou seja, essa constante só tem múltiplos, ela não é divisível. Filosoficamente falando seria o verdadeiro átomo, e as suas unidades são: grama, centímetro e segundo, que na equação aparece como gr.cm/s, nessas unidades temos grama que é massa, cm/s que é unidade de velocidade, portanto h é ação, quantum de ação, em termos de física, trabalho. Sendo quantidade de ação nós temos uma energia produzindo efeitos ou uma unidade que é energia, massa e movimento. A pergunta filosófica agora é: é possível entender em separado energia, massa e movimento? Se a física de Planck encontra como a menor quantidade de energia uma constante de massa e movimento nós lemos isso como um processo em que não dá para separar energia de massa e de movimento.

Por incrível que possa parecer, esta formulação de Planck em que a constante h é quantidade de ação, já tinha aparecido na escrita ideográfica chinesa na qual o ideograma de energia era uma chaleira com a tampa da chaleira deslocada pelo vapor. Temos aí uma massa, o tampo da chaleira, e o movimento dessa tampa que formam exatamente uma imagem gráfica do quantum de ação de Planck. Não colocaram os chineses a imagem do fogo embaixo da chaleira porque essa energia não existe sozinha, o que existe é a manifestação do movimento da tampa da chaleira que é gr.cm/s.

Chegamos então a uma conclusão um tanto desapontadora, eu não posso, eu não sei conceituar energia, eu só posso conceituar modalidades de energia. Retomando Planck, nosso entendimento só chega até o quantum de ação, nós só podemos constatar o movimento da chaleira sem saber se há fogo, ou que fogo é esse que está embaixo da chaleira.


BIBLIOGRAFIA

I - ROJAS BOCCALANDRO, Efraim. Capítulos 1 e 2. "Holística na Psicologia e na Medicina". São Paulo: Vetor, 2001.

II - GALVES, José Francisco. Capítulo 3. "Holística na Psicologia e na Medicina". São Paulo: Vetor, 2001.

III - Bíblia - Edições Loyola: São Paulo, 1995
IV - GERBER, Richard. "Medicina Vibracional, uma medicina para o futuro". Tradução do original inglês por Paulo César de Oliveira. Editora Cultrix: São Paulo: 1993.

V - KING, Roberto e ABARCA, Oriel. "Reiki para todos, Energia Vital em ação". Tradução do original em espanhol de Luiz Carlos A. Ferreira e Vera Lúcia A. Ferreira. Record (Nova Era): Rio de Janeiro, 1996.

VI - KUCHEL, Kátia Dubiex. . " Holística na Psicologia e na Medicina". Capítulo 6. São Paulo: Vetor, 2001


VII - MANN, W. Edward. "Orgônio, Reich & Eros, a teoria da energia vital de Wilhelm Reich". São Paulo: Summus editorial, 1989.

VIII - RAKNES, Ola. "Wilhelm Reich e a orgonomia". São Paulo: Summus, 1988.

IX -LOWEN, Alexander. "Bioenergética".

X - FARAH, Rosa Maria. "Integração Psicofísica, o trabalho corporal e a Psicologia de C. G. Jung". Companhia Ilimitada & Robe editorial: São Paulo, 1995.

XI-. EINSTEIN, Albert. "A Teoria da Relatividade Especial e Geral". Tradução do original alemão por Carlos Almeida Pereira. 3a reimpressão. Rio de Janeiro: Contraponto, 1999.
XII - RESNICK, Robert. "Conceptos de Relatividad y Teoría Cuántica". México: Editorial Limusa, 1976.


Notas:

(1) Psicólogo. Especialista e Doutor em psicologia clínica, PUC - São Paulo.

(2) Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal (International Institute for Bioenergetic Analysis - New York - e International Institute for Biosynthesis - Zurich). Psicoterapeuta familiar sistêmica e Psicodramatista. Terapeuta do método Self - Healing Meir Schneider e do Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo.

(3) BOCCALANCRO, Efraim Rojas. "Holística na Psicologia e na Medicina". Capítulo 1: Abordagem Holística na Antigüidade Grega. São Paulo: Vetor, 1999. (I)

(4) BOCCALANDRO, Efraim Rojas. Holística na Psicologia e na Medicina. São Paulo: Vetor, 2001. Capítulo 2: Hipócrates. (I)


(5) GALVES, José Francisco. "Holística na Psicologia e na Medicina". Capítulo 3. São Paulo: Vetor, 2001. (II)

(6) Bíblia - Edições Loyola: São Paulo, 1995. (III)

(7) GERBER, Richard. "Medicina Vibracional, uma medicina para o futuro". Cultrix: São Paulo, 1993. (IV)

(8) KING, Roberto e ABARCA, Oriel. "Reiki para todos, Energia Vital em ação". Record (Nova Era): Rio de Janeiro, 1996. (V)

(9) Idem. (V)

(10) Idem. (V)

(11) Richard Gerber, opus citada. (IV)

(12) Idem. (IV)

(13) KUCHEL, Kátia Dubiex. . " Holística na Psicologia e na Medicina". Capítulo 6. São Paulo: Vetor, 2001 (VI)

(14) Idem. (VI)

(15) Richard Gerber, opus citada. (IV)

(16) Prefácio do livro de MANN, W. Edward. "Orgônio, Reich & Eros a teoria da energia vital de Wilhelm Reich". São Paulo: Summus editorial, 1989. (VII)

(17) Compare-se esta afirmação de Reich sobre energia orgônica e a energia Chi não substancial, na terceira página "Conceito de Energia na Antiguidade Chinesa".

(18) Edward Mann, Opus citada. (VII)

(19) GALLERT, Mark, New Light on Therapeutic Energies. London: James Clarke, 1966. In (VII)(20) Bíons SAPA: Sand Packet; bíons PA (abreviação de Packet = pacote, bolsa)

(21) publicado no International Journal of Sex Economy and Orgone Research em outubro de 1944 com o título de "Orgonotic Pulsation", citado no livro de Mann. (VII)

(22) Foram utilizados informações sobre os experimentos de Reich extraídas do livro: RAKNES, Ola. Wilhelm Reich e a orgonomia. Capt. 4 : A descoberta da energia vital, pp 39/40. São Paulo: Summus, 1988. (VIII)

(23) Opus citada. Capt. 3 : Biônios e biogênese. pp 29. (VIII)

(24) O importante é salientar aqui que Reich com suas descobertas de orgone positivo (azul) e o orgone negativo (letal) chega às mesmas conclusões a que os chineses tinham chegado alguns milênios antes, ou seja, o "Chi" positivo (principio de vida) e o "Chi" negativo (energia letal).

(25) Ola Raknes, Opus citada. pp. 34 a 37. (VIII)

(26) Os conceitos mais importantes da teoria de Reich foram extraídos do livro de Edward Mann, o que inclui a excelente introdução escrita por Pierrakos. (VII)

(27) Agradecemos a amistosa colaboração do colega psicólogo Cláudio Wagner, especialista reichiano que nos cedeu os livros necessários para redigir "A Energia Orgônica de Reich".

(28) Extraído do livro "Bioenergética" de Alexander Lowen. (IX)

(29) Alexander Lowen, opus citada (IX)

(30) Wilhelm Reich, The function of orgasm. "A função do orgasmo" em edição brasileira. In (IX)

(31) Alexander Lowen, opus citada (IX)

(32) idem. (IX)

(33) idem

(34) idem.

(35) idem.(IX)

(36) Idem.

(37) Idem.(IX)

(38) FARAH, Rosa Maria. "Integração Psicofísica, o trabalho corporal e a Psicologia de C. G. Jung".Companhia ilimitada & Robe editorial. São Paulo: 1995. (X)

(39) Idem. (X)